Resenha: A Lista

16 jun, 2015 Por Izabel Wagner

Quando eu recebi esse livro, eu não fazia a menor ideia de quem era a autora, não sabia nada sobre ela e muito menos sobre os outros livros que ela havia escrito, a única coisa que eu conhecia, era do que se tratava essa história. No momento em que descobri que Cecelia Ahern havia escrito livros famosos como P.S. Eu Te Amo e Simplesmente Acontece, eu comecei a entender quem era a autora, além de me ver encantada pelo fato dela ser irlandesa. Até aquele momento eu nunca tinha lido nada de autores irlandeses. Por esses motivos eu já imaginava que iria aproveitar bastante a leitura, mas o que eu não imaginava era que esse livro fosse me surpreender de maneira tão singela e maravilhosa.

Alguns dizem que não devemos agir com base em nossos medos, mas, se não houver medo, onde estará o desafio?

A Lista se inicia em meio a um momento difícil, em meio ao caos presente na vida de uma jovem jornalista, caos este, criado e plantado pela própria personagem principal. Katherine Logan, ou se preferirem, Kitty Logan, é uma jovem jornalista que iniciou sua carreira escrevendo matérias para uma revista chamada Etcetera. Durante os anos que Kitty trabalhou para a revista ela acabou se aproximando e criando fortes laços de amizade com a editora chefe da revista, a instigante e querida Constance.Conforme Kitty ia aos pouco fixando seu nome no mundo do jornalismo, ela consegue uma ótima oportunidade de emprego como apresentadora em um canal de TV local, esse novo emprego estará diretamente ligado ao crescimento e declínio de sua carreira. Devido a um terrível erro, à falta de provas, devido a incapacidade de Kitty de realizar o seu trabalho de maneira digna e justa (acreditem, eu não estou sendo nem um pouco cruel com ela), ela acaba condenando um homem por algo que ele não fez. Por esse motivo ela agora responde por processos milionários, além de estar sem emprego garantido e, aos poucos, estar conhecendo a fúria de pessoas que condenam seu ato impensado.

Como tudo que está ruim pode piorar, descobrimos que Constance tem câncer, e que está lutando por sua vida em uma cama de hospital. Durante a primeira e única visita que Kitty faz para a amiga, elas conversam sobre uma matéria que Constance gostaria de ter feito enquanto ainda tinha forças, uma matéria que Constance gostaria de compartilhar com Kitty e que irá gerar toda a história desse maravilhoso livro.A nova direção da Etcetera decide publicar, no próximo mês, uma edição especial em sua homenagem a Constance, Kitty declara que possuí conhecimento de uma matéria que a amiga gostaria de ter escrito mas nunca teve a oportunidade. O problema é que a única informação concreta que eles possuem, com relação a matéria de Constance, está dentro de um envelope que contém uma lista com cem nomes. A lista apresenta somente os nomes, Kitty não dispõem de nenhuma instrução, informação ou detalhe que possa ajudá-la a começar. Em meio ao caos de sua vida, a perseguição que está sofrendo por causa da injustiça que cometeu, correndo o risco de perder seu emprego, Kitty decide escrever a matéria de Constance, e para isso ela deve se lançar na busca pelas pessoas que estão presentes na lista.

Na verdade, para ser sincera, não fui eu quem trouxe vocês para uma viagem, mas vocês que me fizeram viajar.

A Lista é um livro classificado como drama, porém ele não se encaixa naquele modelo de drama que nos faz chorar do começo ao fim (ao longo da leitura eu não derramei nenhuma lágrima), engana-se quem pensa que ele é recheado de momentos tristes e melancólicos. A autora, com sua enorme maestria, soube intercalar muito bem os momentos mais tristes e reflexivos com momentos onde os acontecimentos se passam de maneira rápida, assim como soube inserir pequenas histórias de amor e ainda uma pitada de humor ao longo da história, fazendo com que o livro fisgue o leitor do começo ao fim.Todos esses detalhes garantem que o leitor se interesse pela história, permitem que a leitura seja leve e nunca arrastada. A escrita de Cecelia Ahern é simples, leve, porém cheia de pequenos tesouros e mensagens belas com significados que muitas vezes passam despercebidos no meio de nossas vidas corridas. Não é à toa que os livros de Cecelia são best sellers no mundo todo, ela possuí um dom maravilhoso para contar histórias, e o melhor de tudo é que essas histórias não precisam ser fantásticas ou mirabolantes para se destacar, tudo o que elas precisam é da narrativa acolhedora e leve da autora, o resto do trabalho fica com os leitores.

O livro não faz uso de descrições longas e detalhadas, tudo aqui é muito direto, curto, sem grandes rodeios. A autora optou pelo uso mínimo de detalhes e descrições ao longo da história, o que torna a leitura ainda mais leve e fluida, porém, não posso negar que fiquei um pouco decepcionada com esse detalhe da obra. Como uma pessoa que nunca teve a oportunidade de ler um livro no qual a história se passasse na Irlanda, e que ainda por cima, fosse escrito por um autor irlandês, eu admito que ansiava por mais descrições. Gostaria de conhecer um pouco mais dos costumes do país e quem sabe, das ruas, das cidades, tudo isso através das palavras e frases presentes no livro. Mas infelizmente não fui agraciada com essas características.
Outro ponto que me desagradou bastante nesse livro foi a própria personagem principal. Eu entendo que caso ela fosse diferente, a história do livro seria muito menor, ou ainda, poderia ser totalmente diferente e não seria capaz de passar a mensagem tão bonita que a autora quis nos passar. Mas não poderia deixar de falar. O fato é que a Kitty é muito lerdinha. Conforme ela inicia sua busca pelos nomes das pessoas que estão na lista, nós também iniciamos nossa busca juntamente com a dela, tentamos desvendar qual é o mistério, quais são as intenções e ligações de cada nome da lista. Kitty demorou muito para entender qual era a ligação entre as histórias das pessoas, sendo que no meio do livro eu já tinha entendido tudo e a personagem ainda estava se batendo para tentar entender qual era o segredo.

Mas a verdade é que todos nós fazemos coisas fascinantes, admiráveis e das quais deveríamos sentir orgulho.

O fato de Kitty ter se tornado outra pessoa por causa do seu novo emprego na TV também me irritou muito. Kitty, ao longo de praticamente todo o livro, era uma pessoa que sempre acreditava existir algum segredo escondido por trás da máscara de qualquer pessoa. Ela sempre pensava em si mesma, no que havia feito, no que estava fazendo. Poderia, sem problema algum, ameaçar outras pessoas para conseguir o que queria, e isso me incomodou tanto, que existiram momentos em que eu queria entrar na história para poder dar umas boas bofetadas nela. Sendo assim, o que mais me encantou são os personagens secundários, os listados, com o passar do tempo passaram a ser os personagens principais, enquanto a Kitty era apenas a secundária.
E por falar em personagens secundários! Que histórias encantadoras, maravilhosas, belas e cheias de mensagens positivas que podemos encontrar em cada um deles. A graça desse livro reside nas pequenas histórias desses personagens, ela está lá, escondidinha, guardada entre as diversas camadas de cada personagem, e aos poucos nos é revelada. Aos poucos descobrimos a verdade que existe em cada um de nós, e descobrimos que nossa história vale a pena, que nossa história merece ser ouvida. O ponto alto (e na minha opinião o mais belo) deste livro, reside no fato de que todos nós podemos ensinar uns aos outros, podemos dar conselhos de vida, podemos contar histórias que irão inspirar outras pessoas, todos nós somos importantes de nossa própria forma!
A edição da Novo Conceito também está impecável! Os erros de revisão são praticamente inexistentes nesse volume, e os poucos errinhos que passaram despercebidos não atrapalham em nada a leitura. A formatação e edição está bem simples, o que encanta muito essa humilde leitora, aqui o foco é a história, que é linda em sua própria forma. Os detalhes estão presentes no início de cada capítulo, são simples, sim, mas nos encantam e deixam maravilhados com o carinho e cuidado demonstrado pela editora neste livro. Para aqueles leitores que, assim como eu, gostam de livros bem editados, com pequenos detalhes e decoros que fazem a diferença, este livro está perfeito.
Por fim, devo dizer que me apaixonei, me encantei por essa história, e me encantei ainda mais pela escrita da autora. Esse livro nos ensina que cada pessoa viva e pulsante neste mundo possuí uma
história, e que cada história é importante, tem força, beleza e é cheia de coisas maravilhosas, tudo o que nós precisamos é querer ouvir, abrir nossos corações e ouvir as histórias uns dos outros.

Cada um de nós tem uma história para contar. É isso que nos une, é esse vínculo que temos em comum.

  • One Hundred Names
  • Autor: Cecelia Ahern
  • Tradução: Amanda Moura
  • Ano: 2015
  • Editora: Novo Conceito
  • Páginas: 380
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