Sloan Monroe ainda vive à sombra da dor da perda de seu noivo, dois anos após sua morte. Tudo muda quando um cachorro, perdido, travesso e insistente, literalmente pula em seu carro. Depois de semanas deixando mensagens no número informado na coleira, Sloan decide adotá-lo. Afinal, com ele ao seu lado, ela enfim começou a sair da depressão. Até o dia em que o dono do Rango entra em contato.

O dono do cachorro é Jason, um músico em ascensão que está do outro lado do país, em turnê. O contato entre os dois começa por telefone, evolui para trocas de mensagens cheias de humor e cumplicidade. Sloan não tem como negar a conexão que nasceu entre eles. A questão é: com a carreira musical de Jason em ascensão, por quanto tempo eles poderiam ficar juntos? E será que Sloan suportará ter o coração partido outra vez?

É muito curioso quando gostamos muito de uma autora e ela entrega um livro mediano. Eu já li todos os livros da autora Abby Jimenez publicados no Brasil, e pretendo ler tudo mais que ela lançar. Mas aqui Abby Jimenez entrega seu livro mais fraco. Jimenez ainda escreve com uma naturalidade encantadora. A autora combina diálogos espirituosos e cenas comoventes, criando um ritmo narrativo que oscila entre o riso e o nó na garganta. A história é narrada em primeira pessoa, sob o ponto de vista de Sloan, o que aprofunda nossa empatia por ela, sentimos suas hesitações, suas recaídas, seu medo de amar de novo.

Quando Jason entra em cena, a narrativa ganha frescor: ele é carismático, engraçado e genuíno, mas também enfrenta os próprios dilemas entre a fama e a vida pessoal. Jimenez evita os clichês fáceis, mostrando como até o amor mais promissor precisa lidar com distância, inseguranças e escolhas difíceis. Mas é na entrega de Sloan a esse amor que a autora peca. Ela quis construir um romance intenso e cheio de entrega, mas acaba que Sloan vai perdendo sua personalidade por causa do namorado. Isso foi irritante e decepcionante. 

– De alguma forma eu sabia que a resposta era sim.
– Eu queria me aproximar dela e tocá-la e abraçá-la para sempre.

O luto é o ponto de partida e o centro emocional do livro. Abby Jimenez retrata a dor de Sloan com honestidade e respeito, sem pressa para “curá-la”. A autora não romantiza a perda, mas a mostra como uma presença constante, uma sombra que acompanha cada gesto da protagonista. Sloan vive entre a culpa e o medo de seguir em frente, e isso torna sua trajetória profundamente humana. A narrativa mostra que o luto não tem um fim exato; ele se transforma, encontra novos espaços dentro da vida, até que a saudade se acomoda e abre espaço para o inesperado.

O amor, aqui, não aparece como uma solução mágica, a relação entre Sloan e Jason nasce da amizade, da escuta e da empatia. O romance se torna um aprendizado mútuo: enquanto Sloan precisa acreditar que merece ser amada novamente, Jason aprende que amar alguém exige tempo, coragem e presença. O amor é tratado como um encontro de vulnerabilidades, não de perfeições. Os dois personagens têm comportamentos que me desagradaram, Sloan por se perder e Jason por ser egoísta em muitos momentos. Mas como eu disse, existem vulnerabilidades.

Os coadjuvantes também brilham, especialmente Kristen, a melhor amiga de Sloan (protagonista do livro anterior, Para Sempre Seu), cuja presença traz humor e acolhimento, funcionando como contraponto à dor de Sloan. O cachorro que invade o carro de Sloan, é o primeiro sinal de que a vida ainda pode surpreender, a vida acontece quando a gente menos espera. A música é o fio condutor da narrativa, mais do que trilha sonora, ela é uma linguagem emocional. Cada canção trocada entre os personagens reflete o estado de espírito de Sloan e Jason, funcionando como confissão e consolo. A autora usa as playlists como uma ponte entre duas almas que ainda não se conhecem pessoalmente, mas já se compreendem por meio do som. É através da música que o leitor sente o ritmo do romance: alternando entre o tom leve das risadas e o peso das pausas que a vida impõe.

Mais do que uma história de amor, Playlist Para Um Final Feliz é um livro sobre reaprender a viver. É sobre aceitar que o passado não desaparece, mas pode coexistir com novos começos. A música, aqui, não é apenas um tema, é metáfora: cada canção que Sloan e Jason compartilham simboliza um passo em direção à cura.

  • The happy ever after playlist
  • Autor: Abby Jimenez
  • Tradução: Alessandra Esteche
  • Ano: 2024
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 352
  • Amazon

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