Ari e Josh são dois nova-iorquinos que não poderiam ser mais diferentes. Ari é comediante, afiada, dona de um repertório inteiro de piadas autodepreciativas e absolutamente descrente no amor. Já Josh é o oposto: um chef de cozinha metódico, sonhador e que ainda acredita em alma gêmea. A única coisa que eles têm em comum? Estão dormindo com a mesma mulher.

Depois desse encontro nada amistoso, os dois seguem suas vidas jurando nunca mais se ver — mas o destino, como sempre, adora uma ironia. Eles acabam se cruzando diversas vezes ao longo dos anos, e o que era para ser uma rivalidade cheia de alfinetadas se transforma numa amizade improvável, divertida e, aos poucos, em algo mais profundo.
Eu gosto dessa premissa, porém o livro não foi tudo que eu esperava. A imprevisibilidade do amor é um tema muito legal em livros românticos, contudo em um determinado momento esse tópico perde a graça aqui. Ari e Josh são bem diferentes um do outro, e a vida deles, por mais que eles se encontrem, vai tomando rumos em que numa situação “normal” eles talvez não sentissem nada um pelo outro.
“Ou é o começo de uma história de amor ou um momento que ela vai narrar para os terapeutas nos anos seguintes.”
A relação entre eles tem altos e baixos, e isso deixa a narrativa mais verossímil. Nada aqui é apressado, e eles tem cada um seu desenvolvimento pessoal bem trabalhado pela autora. Mas o que me pegou foi que eu achei eles chatos e muitos momentos infantis. Acredito que isso tenha a ver com a ideia de inimigos e antipatia que se cria no primeiro momento do livro. Parece que eles querem sustentar essa hostilidade.
Depois, quando eles se tornam amigos, há um sentimento de dependência entre eles que me pareceu estranho. Há uma boa tentativa da autora em mostrar personagens complexos, cheio de camadas e em relacionar isso, às ideias pré-definidas que temos do amor e de um relacionamento. Aqui a ideia é partir da amizade para o amor, mostrando que o respeito é a base para qualquer relação.
Mas não é somente a relação entre eles que ganha foco na narrativa. A autora trabalhava nuances de cada personagem a partir de relacionamentos amorosos deles com outras pessoas. Essas relações têm impacto tanto na vida pessoal deles quanto na relação que eles constroem um com o outro. Acho esse um ponto positivo no livro, pois somos feitos, felizmente e infelizmente, de todos os nossos relacionamentos anteriores.
Kate Goldbeck escreveu esse livro inspirada pelo filme “Harry e Sally”, trabalhando questões atuais. Essa comédia romântica é uma boa leitura para quem gosta de livros que tentam retratar o amor e suas complexidades.

- You, again
- Autor: Kate Goldbeck
- Tradução: Carolina Rodrigues
- Ano: 2024
- Editora: Arqueiro
- Páginas: 384
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