Resenha: A Coragem de Ser Imperfeito

Título Original: Daring Greatly
Autora: Brené Brown
Ano: 2016
Editora: Arqueiro
Páginas: 206
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Não posso dizer que sou a pessoa mais aventureira quando o assunto são os mais diversos gêneros literários. Porém gosto de pensar que não tenho preconceitos - tirando, talvez uma certa ojeriza para uma moda da literatura atual, mas prefiro deixar o assunto em aberto – sempre encontro um ou outro exemplar que me encanta e deixa curiosa nos mais diversos gêneros, e é por conta desses exemplares que me aventuro por terras antes inexploradas. Foi com muita curiosidade e encantamento, além é claro, das indicações da minha rainha Elizabeth Gilbert, que decidi conhecer a obra de Brené Brown.

A autora, até então desconhecida de minha parte, é formada em Assistência Social. Porém, sua graduação chegou de forma tardia, sendo iniciada quando a mesma já se encontrava na casa dos trinta anos, mostrando para o leitor que a conhece bem, ou aquele que a está descobrindo agora, que uma mente sedenta por conhecimento não encontra barreiras na idade. Apesar de sua graduação tardia, o que mais chamou minha atenção não foi o fato de que após sua inserção no mundo acadêmico nada mais a parou, tendo completado tanto mestrado quanto doutorado, ou então, o fato de que a autora passou treze anos pesquisando, teorizando e estudando a temática encontrada em seus livros. O que mais chamou minha atenção ao ler pela primeira vez uma obra sua, foi a forma maravilhosa com que a autora passeia pelo mundo acadêmico e aquele que costumo chamar de “mundo normal”.

“Se em muitos ambientes ser uma pessoa pedante é um insulto, na torre de marfim do mundo acadêmico somos instruídos a vestir o formalismo como se fosse uma armadura.”

Não se deixe enganar pela pegada autoajuda da obra. A Coragem de Ser Imperfeito é muito maior do que o gênero literário, apesar de ser também em determinada medida, um livro autoajuda. Como mencionei no parágrafo anterior, Brené Brown passou treze anos estudando o tema que permeia seus livros. Passou esses anos empregando uma metodologia acadêmica para a coletânea de dados, bem como para a abordagem de suas informações e pesquisas. A autora conversou com pessoas comuns, conversou com pais e professores, alunos, homens e mulheres que passavam, passaram com toda a certeza ainda passam por experiências relacionadas a vergonha e a vulnerabilidade. Mas ela foi mais fundo do que isso, além de entender, teorizar, organizar os dados que colheu, ela observa a sociedade e mostra que, mais uma vez, tudo está intimamente conectado.


Ao nos mostrar o que é a vulnerabilidade, ela nos mostra também toda a carga positiva que podemos receber ao entrar com a cara e a coragem na arena da vida. Ao encorajar atos e ações, ao mostrar que somos imperfeitos e mostrar que não existe problema algum em se tornar, se mostrar vulnerável, ela também analisa como a sociedade, mesmo que indiretamente, julga e entende as tão assustadoras vulnerabilidade e vergonha. Muito mais do que trazer regras para uma vida melhor, conselhos para encontrar o amor, a paz interior e a coragem para ser imperfeito, a autora observa a sociedade e nos mostra que somos como somos por algo muito maior do que as tristezas da vida e os desencontros amorosos. As patologias encontradas na sociedade, reproduzidas no ambiente familiar, de trabalho e até nos relacionamentos amorosos, acaba nos distanciando de tudo o que deveria estar sempre em nosso campo de visão. Conselhos irão aparecer com toda a certeza, afinal, como disse, este também é um livro autoajuda, porém é através da observação, da análise do problema como um todo, dos exemplos e histórias de pessoas como nós, e de como a sociedade se manifesta que, guiados pelas palavras da autora, seremos capazes de encontrar nosso próprio caminho para uma vida plena.

Gosto de pensar em A Coragem de Ser Imperfeito como uma conversa amigável vestida de palestra acadêmica. Com maestria e graça, Brené Brown nos apresenta um livro de autoajuda acadêmico, ou se preferir, um acadêmico de autoajuda. Ela nos apresenta fatos, dados, análises e histórias de pessoas como eu e você. Muito mais do que a busca por conselhos e regras a serem seguidas, a obra é uma conversa agradável, uma exposição de elementos tão impregnados em nosso cotidiano que muitas vezes nos cegam para os pontos cruciais de resolução dos problemas. Muito mais do que nos mandar seguir desta ou daquela forma, nesta ou naquela direção, o livro nos acompanha na jornada imperfeita e confusa que é seguir nessa vida difícil e adorável que todos vivemos.

“A ironia é que a pesquisa revela que julgamos as pessoas nas áreas em que nós mesmas somos vulneráveis à vergonha, atingindo sobretudo quem está fazendo as coisas pior do que nós. ”

16 comentários

  1. Oi!
    Nunca li autoajuda nem me interessava, mas gostei muito da sua resenha, e veio em hora certa, estou realmente precisada desse livro para arrancar várias neuras em minha cabeça que começam com uma besteira e logo depois transformo em uma bola de neve, achei o livro incrível e pelo o que você disse contém muita pesquisa e informações necessárias, parabéns. Eu apoio você trazer mais resenhas assim.
    Beijos.

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    1. Oi Ana, tudo bem contigo ???
      Fiquei super, super feliz por saber que gostou da resenha e se interessou pelo livro !!! Auto ajuda não é um gênero muito querido né ?! Além de não ser muito comentado, mas as vezes encontramos algumas obras bem interessantes no gênero, e acredito que Coragem de Ser Imperfeito é uma delas !!!
      Estou aqui torcendo para que consiga conferir o livro, e que goste dele tanto quanto gostei !!!

      Beijinhos

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  2. Izabel!
    Como você gosto de me arriscar em estilos literário que me tiram da zona de conforto.
    Um livro bem embasado, através de experiências pessoais e de pesquisas feitas com muitos pessoas, pode até ser um livro de autoajuda, porém, na minha opinião, mais do que isso, é um livro que traz a experiência e pode nos engrandecer de uma forma que nem podemos imaginar.
    Muito boa sua escolha do livro.
    “Para saber uma verdade qualquer a meu respeito, é preciso que eu passe pelo outro.” (Jean-Paul Sartre)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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    1. Olá Rudynalva, tudo bem contigo ???
      Você disse tudo !!! Penso da mesma forma, muito além do gênero auto ajuda, se a obra possuí embasamento e pesquisa, se apresenta pensamentos válidos e experiências, o livro só tem a contribuir para com o leitor !!! Pena que poucas pessoas percebem esses detalhes né ?!

      Beijinhos

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  3. Oi Izabel,

    Não conhecia a autora e fiquei magicamente tentada a ler o livro apenas ao ler a sua resenha e claro também por causa de Elizabeth Gilbert!
    Parabéns pela resenha!

    Beijos Mila
    Daily of Books

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    1. Olá Camila, tudo bem ???
      Sou mega suspeita quando o assunto é a querida Elizabeth Gilbert. Sou apaixonada por essa mulher e tudo o que ela indicar já se torna querido para mim, rsrsrs.
      Fiquei feliz por saber que se interessou na proposta do livro, espero que tenha a oportunidade de conferir essa obra !!! ;)

      Beijinhos

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  4. Esse gênero realmente não me interessa muito. Como você, não sou de me aventurar por ai, prefiro ficar no mundo que eu sei que vou gostar kkkkk
    Mas esses livros, mesmo não sendo leituras pra mim, traz um ensinamento importante para as pessoas, faz a gente refletir como vivemos e o que podemos melhorar, por isso acho uma boa dica.
    Abraços

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    1. Oi Bruna, tudo bem ???
      Te entendo flor !!! Mas as vezes é bom sairmos um pouco da zona de conforto, as vezes essas tentativas nos proporcionam ótimas surpresas !!! Porém no final tudo depende do leitor e do que procuramos naquele momento !!!

      Beijinhos

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  5. Oi Izabel!
    Não conhecia esse livro, e fiquei super interessada em ler, ainda mais sendo um pouco de autoajuda, pois as vezes, em alguns momentos necessitamos disso.
    Ótima resenha!
    Beijos

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    1. Olá Rafaela, tudo bem contigo ???
      Fiquei super feliz por saber que se interessou pelo livro. Espero que tenha a oportunidade de conferir a obra !!! ;)

      Beijinhos

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  6. Oi Izabel,
    Eu sou daquelas pessoas que sempre diz: "Leio qualquer gênero, exceto alto-ajuda". Mas não é, necessariamente, por preconceito ao gênero literário, mas sim pela forma como os autores colocam suas ideias, é tudo tão teórico e superficial. Mas gostei da proposta de A coragem de ser Imperfeito, a autora abordou um tema sem rotular um tipo especifico de leitor. Não é um livro para o gordo, ou o encalhado, ou depressivo, ou um livro para nos ensinarmos s sermos perfeitos, mas sim para nos mostrar que não tem problema sermos imperfeitos!!

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    1. Olá Gislaine, tudo bem ???
      Eu sempre pensei de uma forma bem parecida com a sua, quando pensava nos livros auto ajuda. A maioria me parecia muito teórico, muito "faça isso, não faça aquilo", por isso me encantei tanto com Coragem de Ser Imperfeito. Ele vai para um lado diferente e nos surpreende com tudo o que o torna o que é !!!
      E o que você comentou sobre o livro é totalmente verdadeiro. Ao contrário de muitos, esse não rotula ninguém, não está destinado a um tipo de pessoa ou situação específica. Mais um ponto para a autora, rsrrsrs. XD

      Beijinhos

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  7. Oi Izabel, dá pra ver que as pesquisas da autora foram bem utilizadas no livro. Não curto muito livros com essa pegada de autoajuda sabe, mas, assim mesmo como você disse, procuro não ter preconceito com quase todos os gêneros, salvo uns que não dá (rsrs). Quem sabe ainda acabo lendo.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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    1. Oi Priscila, tudo bem ???
      Fiquei feliz por saber que pensa como eu. Nos dias de hoje a gente vê tanto preconceito com gêneros literários, Tanto mimimi, gente apontando o dedo, mas ninguém percebe que livros são para todo mundo, o que o leitor precisa fazer é encontrar o seu gênero preferido !!! ^-^
      Espero que algum dia tenha a oportunidade de conferir essa obra, garanto que ela tem muito a compartilhar !!!

      Beijinhos

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  8. Ótima resenha, amiga!! Eu que não pensava em lê-lo, confesso que vou fazê-lo. Há alguns livros de auto-ajuda de onde conseguimos tirar algo, principalmente se temos a vivência do outro e não só apenas velhos conselhos e receitas.

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    1. Oi Adriana, tudo bem ???
      Fiquei muito feliz por saber que gostou da resenha, mas mais ainda por saber que se interessou pelo livro !!! Espero que consiga realizar a leitura !!! ;)

      Beijinhos

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