Jennifer Wright organizou um livro fascinante sobre mulheres assassinas, expandindo a temática já conhecida por nós em Lady Killers, de Tori Telfer. Damas Mortais, é uma obra que apresenta 40 perfis de criminosas ao longo da história.

Ao longo da leitura é possível analisar os impulsos dessas mulheres, aquelas que mataram por necessidade, sobrevivência, vingança ou até mesmo por crueldade. Como mulher, até dá aquela vontade de passar pano para algumas dessas assassinas, mas não há como negar as mentes por trás dos atos terríveis dessas que tiveram sangue frio para dar cabo aos seus inimigos, maridos, familiares e filhos.

Crédito: Darkside Books,

Mesmo que não seja tão aprofundados a apresentação dos casos, há um ponto de ligação entre várias dessas mulheres. A maioria delas recorriam ao envenenamento como modus operandi por ser um método discreto, acessível e difícil de detectar em décadas passadas. Especialmente quando essas mulheres tinham pouco poder físico ou social dentro da sociedade. Sem o avanço da medicina até então, era muito fácil passar despercebida quando era possível agir dentro de casa, sem levantar suspeitas e por seus crimes serem confundidos por doenças naturais da época.

Um exemplo claro, eram os diversos casos que aconteceram na Era Vitoriana, quando mulheres eram vistas como frágeis e cuidadoras. Quem poderia suspeitar?

Diante desse cenário, destaco aqui algumas das mulheres mencionadas. A autora explora a trajetória de cada uma, destacando seus métodos, motivações e o impacto de seus crimes na sociedade. Um dos casos mais intrigantes do livro é o de Catherine Monvoisin, a “Mãe dos Venenos”, que esteve envolvida no famoso “Caso dos Venenos” na corte de Luís XIV. Essa história revela como o medo do envenenamento desencadeou uma verdadeira caçada a supostos conspiradores.

Catherine Monvoisin

Outra figura mencionada em Damas Mortais é Christiana Edmunds. Ela foi uma envenenadora que atuou em Brighton, na década de 1870. Edmunds comprava confeitos em uma loja local, misturava-os com estricnina e os devolvia para serem vendidos ao público desavisado. Inicialmente condenada à morte, sua pena foi posteriormente alterada para prisão perpétua.

Fazendo um contraponto aqui, Elizabeth Báthory já é um caso mais conhecido. Com o codinome “Condessa Sangrenta”, foi acusada de torturar e assassinar centenas de jovens mulheres no século XVI. Sua história se tornou uma das mais famosas lendas sobre crueldade e sadismo. Ela é frequentemente associada ao mito de Drácula devido à sua reputação de crueldade e sua suposta obsessão por sangue. Embora não haja uma ligação direta entre ela e Vlad III, o Empalador (a figura histórica que inspirou o Conde Drácula de Bram Stoker), algumas lendas sugerem que Báthory se banhava no sangue de suas vítimas para preservar sua juventude.

Giulia Tofana também é mencionada na seleção. Ela foi uma envenenadora do século XVII que criou a famosa Água Tofana, um veneno mortal usado por mulheres que queriam se livrar de maridos abusivos. A Darkside Books lançou recentemente um livro jornalístico que fala sobre a vida e descoberta de Tofana.

Crédito: Darkside Books

São mais de 40 menções então poderia ficar horas conversando sobre todas elas aqui, mas além de narrar os eventos chocantes que marcaram a vida e jornada dessas mulheres, Wright levanta reflexões sobre o modo como a história documentou (ou negligenciou) as assassinas, mostrando como construções sociais moldaram suas reputações. Para os leitores que se fascinaram por Lady Killers, Damas Mortais é uma leitura essencial, aprofundando ainda mais o universo dessas figuras enigmáticas.

Ao final da leitura é possível constatar como o envenenamento tem sido um método de assassinato utilizado ao longo dos séculos. Embora essa associação seja, em parte, um estereótipo, há diversos casos históricos que reforçam essa narrativa. A história dos envenenamentos revela não apenas crimes, mas também aspectos culturais e sociais que influenciaram a forma como essas mulheres foram e ainda são retratadas ao longo do tempo, pois não há como negar os inúmeros casos atuais que acontecem a nossa volta, com a diferença que atualmente, poucas delas passam ilesas.

Com uma narrativa envolvente e uma abordagem crítica, Damas Mortais consegue prender o leitor do início ao fim. Se você gosta de histórias reais repletas de suspense e análises históricas sobre crimes, Damas Mortais merece um lugar na sua estante.

  • She Kills Me
  • Autor: Jennifer Wright
  • Tradução: Dandara Palankof
  • Ano: 2023
  • Editora: Darkside Books
  • Páginas: 240
  • Amazon

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