Criado por: Baran bo Odar e Jantje Friese
Com: Oliver
Masucci, Karoline Eichhorn, Jördis Triebel, Louis Hofmann, Maja Schöne
Gênero: Drama;
Ficção Científica; Suspense
Duração: 10
episódios – 55 minutos
O ano é
2019, o local é Winden, uma pequena e pacata cidade da Alemanha. Trata-se
exatamente do gênero de cidade em que eventos sombrios, situações bizarras ou
grandes traumas raramente ocorrem a seus moradores. O destaque de
Winden está nas atividades ininterruptas de sua usina nuclear, instalada 66 anos
antes. O último desaparecimento ocorreu 33 anos atrás, quando o irmão de
Ulrich, atualmente, membro do corpo de polícia, some sem deixar rastros e nunca
mais é encontrado.
O tempo
avança com sua crueldade insolente, o caso é arquivado, nunca mais se encontram
qualquer vestígio ou pista do destino do garoto desaparecido, porém, o presente
reserva suas próprias surpresas, e pouco a pouco os pontos temporais, a princípio
desconectados, começam a se interligar e fazer sentido quando outro
desaparecimento acontece, esse, ligado a um adolescente normal que, no caminho
que fazia de sua casa até a escola, some como se nunca tivesse existido.
Estamos
em 2019, Jonas perdeu seu pai recentemente; sua mãe parece ter superado a morte
do marido com uma rapidez irracional; o adolescente que seguia seu caminho
entre a escola e sua casa sumiu sem deixar rastros; Ulrich nunca foi capaz de superar o
desaparecimento do irmão; os amigos de Jonas tentam agir normalmente e
inseri-lo novamente às atividades escolares, porém, pouco a pouco, com o ritmo
certeiro de um relógio, a pacata cidade de Winden terá outro evento para marcar
sua história.
Durante
uma noite de exploração pelas famosas e enigmáticas cavernas da cidade, Jonas e
seu grupo de amigos se assustam com eventos sem explicação e, em meio ao
caos que se instala por toda a cidade, o filho caçula de Ulrich, Mikkel, desaparece nas sombras da noite. Agora a polícia possuí dois garotos desaparecidos e nenhum suspeito, uma porção
de teorias e nenhuma pista e, em meio a cavernas e buscas, usinas nucleares e adolescentes
confusos, iremos descobrir que essa história guarda em si muito mais do que um
intrincado drama familiar.
Dark é
outra aposta da Netflix que conquistou os espectadores e, ao contrário dos
comentários desavisados e equivocados que li em algumas críticas, não possuí nada a ver com
Stranger Things. Com dez episódios, a primeira
temporada conquista pelo mistério que, com maestria e habilidade, será
resolvido apenas nos episódios finais e, como não poderia deixar de ser, nos deixa com um
baita mind blowing e muitas perguntas para o futuro e rumos dessa história.
Com
cuidado e conexões sutis, o drama pesado e denso dos primeiros episódios nos
direciona para mistérios que estão interligados, para 33 ou 66
anos no passado. O seriado nos leva para aulas de física sem nos entregar informações
mastigadas, apresenta conceitos e, aos pouco, se transforma em uma ficção
científica de peso que, pelo cuidado que demonstrou aos detalhes, conceitos e informações, bem como a construção de cada personagem e evento a se interligar a trama, é digna de uma das melhores ficções científicas do século XXI.
Com
personagens cujas ações são metódicas, incompetentes, inconsequentes,
misteriosas, duras, cruéis, belas e repletas de significado para os próximos
episódios, Dark requer atenção. Cada momento presente pode estar conectado a um
evento do passado. As teorias surgem a todo momento – e são descartadas na
mesma medida – na mente do espectador, fazendo com que se torne uma espécie de conquista quando
percebemos que parte de nossas teorias estavam corretas. 
Ao mesmo tempo,
torna-se desafiante abordar a série sem soltar preciosas informações e detalhes
que devem ser descobertos aos poucos, pois o segredo do seriado está na
construção de uma narrativa em que cada rosto mostrado, evento do passado,
situação do presente, personagens e personalidades possuem conexão com a trama
principal e tempo para serem desenvolvidos o que, quando da chegada dos últimos capítulos, deixará o espectador de
queixo caído, muitas dúvidas e perguntas, e a certeza de que precisa o quanto
antes da segunda temporada.
Dark
apresenta adolescentes que atravessam cavernas e bosques para chegar a escola,
porém, ao contrário da Stranger Things, aqui não encontramos eventos
sobrenaturais, mas sim uma história digna do gênero de ficção científica. Aqui
encontramos eventos que se conectam e personagens cujas ações afetam tanto
passado como futuro. O seriado exige concentração e a criação de muitas e
muitas teorias, mas também nos brinda com uma narrativa multilinear misteriosa,
apaixonante, única como nunca antes vista. Dark tem uma narrativa mais complexa, seus conceitos são densos, nossas teorias caem
por terra a cada novo episódio e faz parte do jogo descobrir o que virá a
seguir.


rela
ciona
dos