Título Original: Snotgirl Vol. 1: Green Hair Don’t Care
Autores: Bryan Lee O’malley, Leslie Gung, Mickey Quinn

Tradução: Érico Assis
Ano: 2018
Editora: Quadrinhos na Cia.
Páginas: 136
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Green Hair Don’t Care é o primeiro volume de uma série de Bryan Lee O’malley, criador de Scott Pilgrim, e da desenhista Leslie Hung.
Aqui conheceremos Lottie Person, uma conhecidíssima blogueira de moda. Com a vida perfeita, pelo menos aparentemente, ela é linda, popular e bem-sucedida. Porém, a grande verdade é que Lottie possui uma grave alergia, seu nariz resolve escorrer sempre nos momentos mais inapropriados. Além disso, suas melhores amigas não parecem entendê-la, seu ex-namorado a trocou por uma garota sem graça e como se tudo isso não bastasse, a que tudo indica, Lottie parece ter cometido um homicídio.
Apesar de todos seus problemas, Lottie consegue cativar o leitor, seja por suas características negativas, quanto as positivas. A personagem aparenta ser, às vezes, alguém odiável, mesquinha e arrogante, porém quanto mais a conhecemos, mais percebemos o quanto ela é solitária e mal compreendida. Que se afeta pelos conflitos e questões existenciais que surgem no início da vida adulta. Talvez essa primeira HQ mostre um pouco de Lottie tentando se encontrar, tentando achar seu lugar ao sol, mesmo com diversos tropeços pelo caminho.
Toda as problemáticas do quadrinho se desenvolvem de uma forma bastante rápida e sempre há um grande acontecimento que dá um novo gás a história. Sendo assim, é uma trama bem instigante, divertida e regada a mistério, mesmo tendo como background a superficialidade.

A desenhista Leslie Hung faz um ótimo trabalho em destacar os modelitos e visual descolado e influencer de Lottie, aliás, eu me apaixonei pelo traço da artista. Quem dá cores e vida a obra é Mickey Quinn. A HQ deve agradar ao público mais jovem e feminino, mas lógico que isso não é nenhuma regra. Garota-Ranho também conversa bem com o mundo online, com direito a uma linguagem inteiramente dedicada as conversas em smartphones, onde tudo parece precisar ser abreviado.
Toda a composição da HQ, enredo, temática, personagem e linguagem é um prato cheio para que o público alvo se identifique com Garota-Ranho, com toda dose de loucura que Lottie possui. Sem dúvidas é uma leitura bastante divertida, que eu quero continuar acompanhando. Acho que Bryan Lee O’malley obteve o êxito quando conseguiu transitar tão bem pelas temáticas encontradas na HQ. Ele destaca em seu roteiro um tom mais irônico ao dia-a-dia de uma blogueira. É interessante ver nos quadrinhos esta crítica a exposição de uma vida perfeita nas redes sociais quando a realidade é bem diferente.

 

 

Em tempos que a maioria dos quadrinhos são dominados por histórias de super-heróis, contar com opções de histórias como as de Bryan Lee O’malley é essencial para que cada vez mais leitores sejam cativados para este universo. Eu adentrei assim e isso só serviu como uma porta para que novas histórias chegassem em minhas mãos. Se você ficou curioso em descobrir como seria a Lottie ilustrada pelo próprio O’malley, ao final da edição há diversas capas alternativas para HQ, algumas assinadas por ele.
Enfim, se você curte o que mencionei, uma personagem carismática e cheia de problemas. Tenho certeza que Garota-Ranho irá te cativar. A HQ termina com um grande acontecimento, o que me deixa ansiosa para o próximo volume, ainda sem data de lançamento aqui no Brasil. É torcer para que a editora não demore muito.

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