Título Original: O Amante da Princesa
Autora: Larissa Siriani
Ano: 2018
Editora: Verus
Páginas: 224
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Maria Amélia de Bragança é uma princesa, e tal título lhe inibe de encontrar o amor por si própria, afinal, ela tem uma responsabilidade e um nome a zelar. Apesar disso ela reluta fortemente quando a mãe escolhe um pretendente sem que ela tenha ao menos uma chance de vê-lo. Como ela irá se casar com um homem que não ama? Essa parece ser uma questão problemática demais para resolver e quando o tal noivo chega em sua casa para uma breve estadia ela percebe que existem questões bem maiores do que essa para lidar, se apaixonar pelo charmoso e envolvente melhor amigo do prometido por exemplo.
Klaus Brachmann recebeu um convite irrecusável do melhor amigo Maximiliano que irá viajar para uma terra longe e desconhecida a fim de conhecer a noiva, acompanhá-lo nessa jornada e quem sabe se divertir com algumas damas de companhia durante a estadia no Palácio das Janelas Verdes. Ele só não esperava que ao colocar os olhos na princesa Maria Amélia, qualquer outra mulher perdesse mesmo seus maiores atrativos. O olhar inocente e altivo lhe atraiu de imediato, mas ela era a noiva do melhor amigo, portanto proibida para ele, um homem comum demais para a nobreza. Quando Maximiliano precisa viajar às pressas, deixa Maria Amélia aos cuidados de Klaus e essa parece ser a oportunidade perfeita para que eles possam se conhecer um pouco melhor. Difícil será não se apaixonar por essa mulher, que já domina seus pensamentos desde o primeiro instante.
Que fique claro que eu nunca fui muito boa em história na escola, e que quando se trata de personalidades que fizeram parte do nosso passado, esse conhecimento se torna quase nulo. O livro de Larissa Siriani faz o favor de resgatar um pouco dessa essência e através de uma escrita fluida ela revive uma de nossas memórias, sem perder é claro, a liberdade literária que permite a doce e engenhosa ficção. 

“Sem aviso, abaixa-se e beija minha mão. Sinto seus lábios na pele, apesar da luva. Seu hálito reverbera e queima minhas veias, um fogo diferente de qualquer coisa que já senti. Ele me cega e me tira o ar e, quando solta minha mão, levo um instante para me recuperar por completo.”


Maria Amélia de Bragança, a personagem, é inspirada em uma pessoa real, mas já vou adiantando que as semelhanças permanecem apenas no nome. Nesse enredo que mescla com maestria um romance trágico e arrebatador, acompanhamos os altos e baixos da vida de uma jovem que carrega em si mais responsabilidades do que gostaria e que se deixa envolver perdidamente pelo sentimento mais subestimado da época: o amor. 
Viajamos pelo Palácio das Janelas Verdes em uma bruma de sensualidade, e o lado da nossa protagonista vivenciamos as emoções de um amor proibido e a descoberta do prazer. Ingênua e delicada, a personalidade Maria Amélia remete à alguém jovem e cheia de anseios. Todos esses anseios se traduziram num encantador jogo de conquista quando o famigerado Klaus Brachmann chega na residência acompanhado de ninguém menos do que o indesejado noivo de Maria. Os olhares libidinosos do charmoso hóspede repelem e a afastam em igual proporção e os dias ao lado desse homem se tornam mais interessantes a cada novo capítulo. A leitura se torna ainda mais rápida e urgente quando se acompanha a química existente entre esse improvável casal e os momentos a dois são tão quentes quanto se espera do gênero, mas não perdem a elegância exigida pelas descrições comuns à época. 
Klaus, ou Herr Brachmann como prefere ser chamado não é o tipo de mocinho que me atrai. Ele não tem um passado dramático que precisa ser curado, ou uma personalidade instigante o bastante para inspirar suspiros das leitoras. Confesso que nos primeiros capítulos narrados por ele fiquei até um pouco incomodada com sua fixação no busto de Amélia, e após a terceira menção ao tal atributo da protagonista, eu só conseguia visualizar um peito com olhos. O que me incomodou não foi o linguajar, afinal já estou bem acostumada com esse tipo de coisa, mas sim a falta de criatividade dele ou da autora, em enxergar as outras belezas da jovem. Claro que com o envolvimento de ambas as partes, sentimentos mais reais e tocantes são externados e dá até pra ignorar que a paixão começou por causa de um par de peitos bem apertados em um espartilho. 

“Levanto-me devagar, as mãos tocando os lábios, sentindo o beijo que não demos. De algum modo, foi melhor não tê-la beijado. Não era a hora, não ainda. Embebedo-me no perfume dela pela sala, no calor que sua pele deixou na minha, e rio sozinho de meus sentimentos. O Klaus do passado nunca teria se contentado com tão pouco. Mas esse homem, receio, não existe mais.”

O tal noivo, arquiduque Maximiliano, deveria ser um co-protagonista na trama, mas foi apenas um secundário medíocre e mal aproveitado. Sua existência no enredo foi marcada pela total falta de respeito com Maria Amélia. Ao perceber o amigo interessado na futura esposa, Maximiliano, que também vive seu próprio romance inapropriado, “permite” que este a seduza e brinque com ela a seu bel prazer, desde que mantenha tudo em segredo e que a deixe livre quando chegar a hora certa. Eu fiquei revoltada com a natureza do acordo, que tratou como meretriz uma jovem nobre e inocente. Com qualquer outra mulher seria igualmente desrespeitoso, mas o apelo da nobreza que já faz parte da história não mereceu o rumo desses acontecimentos. 
A título de curiosidade, Maximiliano também é inspirado em uma personalidade real e viveu uma paixão tão rica e avassaladora quanto a ficcional; mas arrisco dizer que poderia ser considerada mais bela e inspiradora que a aqui apresentada. E não posso finalizar a resenha se mencionar os demais personagens que complementam o enredo, como as damas de companhia e até mesmo a mãe de Maria Amélia, que agem o tempo todo como antagonistas e tiram parte da leveza que o livro traz no início. Entre altos e baixos a leitura foi agradável e proporcionou um bom entretenimento, não é daqueles que ficarão na memória pra sempre, mas certamente te envolverá o bastante para fazê-lo se emocionar com o desfecho.

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