Há alguns dias atrás eu tive a chance de conseguir uma folga nas atividades que o cotidiano impõe em nossa vida e arranjei, depois de alguns meses de distanciamento, um tempo para finalmente ir ao cinema. Estavam passando dois filmes que me interessaram, e por sorte, ou talvez karma, eu consegui assistir os dois! Mas eu não vim aqui para falar sobre isso não é? Eu vim aqui para  resenhar um desses filmes para vocês, um filme que me interessou desde o começo, que rendeu alguns momentos de entretenimento mas também rendeu uma certa decepção, com o filme e com a nossa amada indústria cinematográfica. Mas não se preocupem porque eu vou explicar tudo direitinho para vocês!

O filme Drácula: A História Nunca Contada, conta a história de Vlad (Luke Evans) e de como ele se transformou no famoso monstro que conhecemos por Drácula. Quando criança, Vlad fora capturado pelos turcos. Os turcos capturavam as crianças que sobravam dos impérios massacrados e das cidades adquiridas após o término de suas guerras, era como uma tradição. Estas crianças eram torturadas, elas deveriam aprender a seguir ordens, não sentir dor, deveriam aprender a matar pois quando crescessem seriam soldados do exército Turco e Vlad era filho de um homem importante de uma dessas cidades massacradas pelos turcos. Ele sofreu muito quando criança, mas conforme foi crescendo, sua importância e fama também crescem, graças ao seu ótimo desempenho. Já jovem se torna amigo do príncipe do império, Mehmed (Dominic Cooper) se tornando um ótimo guerreiro, cruel, conhecido e temido como o Empalador.

Envergonhado de seus atos, Vlad se afasta do império turco e consegue instalar um próspero governo na Transilvânia, um reino de paz que perdurava por dez anos. Vlad era um governante que prezava a justiça, o bem estar de seu povo e acima de tudo a paz, ele não queria, de modo algum ver seu povo e sua família sofrendo por guerras.

Nosso, até então, humano, amável e bondoso Vlad havia criado uma espécie de acordo com o império turco, possuindo a vantagem de ter crescido com o atual governante Mehmed, ele garante a paz em seu reino através da oferenda de prata. Porém, conforme esse insaciável império se expande e consome todos os reinos e cidades a sua volta, a sede de poder consome Mehmed, e no dia do recebimento da oferenda, seus guerreiros pedem algo mais, eles ordenam que mil garotos sejam entregues ao exército turco.Essas crianças serviriam de guerreiros no campo de batalha. A Rainha tem um ataque, e por sinal, essa é uma das coisas que ela mais faz nesse filme, ela tem ataques, chiliques, chora e por ai vai, rsrsrsrs. Vlad não concorda com o pedido, por isso se dirige ao acampamento  turco em busca de outra forma para resolver o assunto. As negociações não dão certo e ele se vê obrigado a entregar, juntamente com os mil meninos, o seu próprio filho, a rainha dá outro piti.

No dia em que Vlad deveria entregar seu filho, um pequeno imprevisto acontece. Eu não vou contar o que acontece, hehehe, mas vocês podem ter certeza de que é isso que mudará a história, é esse acontecimento que nos direcionará para a história de um monstro, de um homem em busca por ajuda, em busca de uma solução para enfrentar o império turco.

É nesse exato  momento, de desespero e busca por uma solução, que Vlad se dirige a uma montanha localizada nos limites de seu reino. Nesta montanha mora um vampiro (Charles Dance), Tywin Lannister de Game of Thrones. Vlad pede auxílio ao vampiro, pede sua força, sua velocidade, mas o sábio vampiro lhe oferece muito mais, oferece todas as suas habilidades. Este ser das trevas transforma Vlad, através de sua transformação ele terá o prazo de 3 dias para suportar a sede de sangue e salvar seu império. Caso o rei sucumbisse a tentação, se tornaria vampiro para toda a eternidade.

O filme é interessante, é legal, é um ótimo entretenimento, mas eu confesso que esperava mais. Eu não vi nenhum trailer deste filme antes de assisti-lo, queria ter uma surpresa, queria descobrir do que se tratava, até já tinha ouvido falar sobre o lançamento e tive diversas oportunidades de assistir ao trailer, mas optei por ignorar, descobrir sozinha.

O filme vai te prender, vai te fazer se conectar a história e torcer pelo mocinho, pelo monstro que tem um motivo e aspira pela bondade, mas uma parte de mim esperava por um vampiro, da forma como se via nos livros antigos, gostaria de ver um monstro, e não foi isso que recebi em troca. Recebi amor, de um pai por seu filho, o amor de um rei por sua rainha, o amor de um rei por seu povo em busca de paz.

Não tenho nada contra filmes assim, eu os adoro, mas sinto falta dos vampiros retratados como seres mortos, monstros que se alimentam de sangue humano e não possuíam essa enorme carga moral, um pouco de como o vampiro de Charles Dance é retratado. Sinto falta dos seres que não se importam com o que acontece a sua volta, estão amaldiçoados, matam, sentem remorso…talvez? Sabem do horror que se tornaram mas não demonstram o sofrimento, o pesar demonstrado por Vlad.

Charles foi um espetáculo à parte neste filme, sua maquiagem, sua atuação, sua voz. Esse cara é perfeito, sem falar de charmoso, e aquela cena final, com seu terno e seu porte refinado, tá bom parei! Como não cair de amores, como não se surpreender com sua colaboração ao filme?
E para fechar essa resenha, que já tá ficando longa, eu deixo a minha humilde opinião, não apenas sobre o filme em si, mas sobre outros filmes já lançados, que possuem uma temática parecida. O maior problema que eu vi neste filme é que ele segue um caminho muito explorado pelos filmes atuais e isso decepciona, segue uma receita de bolo, segue o padrão, o que faz sucesso. Achei que eles poderiam ter explorado muito mais a história, explorado muito mais o próprio Drácula, explorado o próprio Charles Dance, tentar inovar! Também senti falta de algumas explicações, faltaram
alguns detalhes, mas no final ele não deixa de ser um bom filme.

  • Dracula Untold
  • Lançamento: 2014
  • Com: Luke Evans; Sarah Gadon; Dominic Cooper
  • Gênero: Ação, Fantasia, Época.
  • Direção: Gary Shore

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