Resenha: Maldita

07 fev, 2015 Por Izabel Wagner

Antes de começar essa resenha, eu preciso dizer duas coisinhas que estão presas na minha garganta a um certo tempo, desde o dia em que eu terminei Maldita, só para ser mais exata. O que eu quero dizer é: “minha cabeça explodiu” e “Madison Spencer, onde você estava todo esse tempo em que eu precisava de uma personagem principal que fugisse dos padrões?”
Caso você ainda não tenha lido a resenha de Condenada e quer entender um pouco mais sobre essa continuação é só clicar nesse link e você será direcionado para a resenha do primeiro livro da série elaborada pelo maravilhoso Chuck Palahniuk!
Como estamos falando de um livro que é a continuação de Condenada, e que mexeu com meus miolos, eu pensei em dividir essa resenha em três partes. Primeiro eu vou fazer um resuminho do que acontece no início desse livro, para vocês entenderem a história e compreenderem como os dois livros estão interligados. Em segundo eu farei alguns comentários sobre o livro, e se preparem para alguns comentários, nem eu sei onde isso tudo vai dar. Para finalizar eu vou tentar deixar aqui algumas previsões, o que eu acho que nos espera no último livro, no capítulo final da saga de Madison.

O bem e o mal sempre existiram. Sempre existirão. São apenas nossas histórias sobre eles que mudam.

Vocês conseguem se lembrar de nossa heroína? Aquela menina gordinha; de treze anos; que morreu; foi parar no Inferno e de quebra descobriu que o Diabo tinha um plano? Isso tudo nos foi apresentado no primeiro livro, e é o que permite que toda a história do segundo livro exista. Nossa querida Madison, assim como todo morto, pode aproveitar o dia do Halloween para visitar o mundo dos vivos, a maioria dos mortos aproveitam esse dia para juntar doces, uma moeda de troca muito importante no Inferno. Porém, todavia, entretanto, Madison como a graça que é, foi fisgada por algo mais, uma oportunidade que ela não poderia perder e infelizmente acabou perdendo a viagem de volta para o Inferno.

Todo morto sabe que o portal de acesso ao mundo dos vivos só se abre durante o pôr do sol do dia de Halloween e se fecha a meia noite, nossa querida personagem principal também sabia disso, mas devido a alguns imprevistos com o senhor Diabo, ela foi forçada a ficar na terra. E quem diria… A terra nada mais é do que o Purgatório para as almas que não foram capazes de voltar para o Inferno. Esse tempo todo nós servimos de condenação para almas que se atrasaram ou foram bobas demais para não voltar para o mundo dos mortos.

Os fantasmas possuem pouquíssima utilidade no mundo dos vivos, como todos já podem imaginar. Por isso nossa pequena Madison inicia um blog, olha só isso, um blog minha gente (vocês nunca saberão se quem escreve essas palavras é alguém do outro mundo perdido por ai, RÁ). Todo o livro é formulado de maneira a apresentar posts, não só de Madison, mas de Leonard também, se lembram dele, o amigo nerd que ela fez no Inferno?

Esse é o motivo pelo qual os mortos não falam com futuros mortos. Os pré-mortos sempre desconstroem cada mensagem. Eu só estava aloprando, e minha mãe fundou uma teologia inteira baseada numa piada.

Graças a chatice do mundo dos vivos nós somos bombardeados por informações. Os capítulos são intercalados, neles nós observamos o presente, com tudo o que Madison vê, escuta ou sente; também observamos o passado, com todas as memórias e lembranças de momentos passados com seus avós, pais e o pequeno Tigrado; além disso, vez ou outra nós recebemos algumas informações confusas de Leonard, essas informações formam uma espécie de profecia, o que te deixa super confuso e extremamente curioso, esperando impacientemente o que te espera na próxima página!
Agora que vocês já sabem o comecinho da história eu vou abrir a minha mente e liberar todas as minhas opiniões e sentimentos com relação ao livro. E porque não começar com a seguinte frase: que livro foi esse minha gente?! Eu não esperava por isso, nunca na minha vida que eu iria imaginar o que me esperava nesse livro. Na minha cabeça loucamente fora do ar, eu acreditava que essa continuação iria seguir o mesmo padrão do primeiro, o que de certa forma segue, mas de uma maneira diferente. Aqui nós não possuímos descrições sobre como é o Purgatório, afinal de contas, ele está localizado na Terra; para balancear a falta de descrições sobre os ambiente nós possuímos muitas, mas muitas informações sobre o passado de Madison, e descobrimos que tudo o que aconteceu no passado estava intimamente ligado ao presente.

Oh, ilustre Tweeter, a estrada para a perdição é feita de misericórdias provisórias de curto prazo.

Tudo não passou de um grande plano, dois grandes planos, talvez até mesmo três grandes planos, a verdade é que eu não sei quantos planos existem nesse emaranhado de informações. Tudo o que eu sei é que nada é o que parece nessa história, como o simples fato de que o Diabo teve contato com a Madison muito antes de sua morte; aquela patricinha da Babette tentar ser amiga de Madison; ou os garotos Leonard, Acher e Patternson formarem um grupo que tenta, alguma coisa, a séculos. E o que comentar sobre os pais de Madison? O que eu sei é que a cada nova informação, lembrança e detalhes revelados, mas eu odeio aqueles dois malucos…

De acordo com o anjo Festus, Deus escolhe um mensageiro a cada poucos séculos para entregar um plano de jogo atualizado para os justos que vivem. Moisés, Jesus ou Maomé, essa pessoa dissemina a nova geração do Mundo de Deus 2.0. Noé, Buda ou Joana D’Arc, o mensageiro atualiza nosso software moral, tira os bugs de nossa ética, atualiza nossos valores para encontrarem nossas necessidades espirituais modernas.

Após todos os pensamentos e sentimentos que afloraram durante a leitura desse livro maravilhoso, é um pouco complicado e talvez inseguro fazer previsões, considerando esses aspectos, eu vou tentar imaginar o que nos espera no final desta história. Se eu destacar que o segundo livro, de certa forma fugiu um pouco do padrão apresentado pelo primeiro, é possível esperar muitas reviravoltas para o próximo livro, porém além disso eu espero que Chuck nos agracie com diversas descrições do Céu, já que segundo o autor o terceiro e último livro se passará lá. Além disso, eu acredito que podemos esperar algumas críticas e quem sabe até mesmo algumas piadas sobre religião, sobre o certo e errado, uma coisa que aconteceu nesse livro, de maneira sutil. Tudo o que espero é que Madison seja a heroína que eu já sei que ela é!

Enquanto toda a criação afunda ao meu redor, apenas meu ronronante gato, aconchegado em meus braços, apenas Tigrado confia que eu sei aonde estou indo.

  • Doomed
  • Autor: Chuck Palahniuk
  • Tradução: Tatiana Leão
  • Ano: 2014
  • Editora: Leya
  • Páginas: 382
  • Amazon

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