Eu confesso que não sou uma grande fã de documentários. Não pelo fato de que não goste do gênero como um todo, mas por nunca me sentir realmente instigada e curiosa com relação aos temas abordados. Em diversos casos, como o do famoso e polêmico Blackfish, eu acabo ficando com um pé atrás mesmo antes de pensar em assistir, pois não suporto o sofrimento demonstrado em vídeo e nem aguento a tristeza em ter a certeza de que nossa realidade é realmente cruel e maldosa como a demonstrada através de um filme.Porém, como toda regra possuí uma exceção, quando soube que Artifact estava disponível no Netflix (ai ai Netflix, como eu te amo) decidi que já era a hora de dar outra chance para o gênero, e o resultado dessa experiência vocês encontram bem aqui, nas minhas frases animadas e elogios sem medidas para um dos documentários mais interessantes que tive a chance de assistir e que de quebra, é sobre uma das minhas bandas preferidas!
Artifact nos mostra a perspectiva e realidade dos artistas durante todo o período conturbado em que a banda 30 Seconds To Mars foi processada por sua gravadora, a EMI, por uma amigável quantia de 30 milhões de dólares (esse valor pode não ser mera coincidência). Como estamos falando de ninguém mais, ninguém menos do que Jared Leto, é mais do que claro que a banda não ficaria sentada enquanto era atacada por sua gravadora, e muito menos, enquanto devia um valor que nem mesmo em sonhos poderia pagar.

A partir dessa introdução, e da apresentação de matérias de jornais espalhados por vários cantos, iremos acompanhar todas as tentativas de diálogo que não foram atendidas, todos os momentos de tensão entre artistas e gravadora, a opinião sincera do advogado da banda, de artistas que passaram por situações parecidas, de ex funcionários da EMI. E para completar o pacote, como bônus especial, iremos acompanhar todo o processo de criação de um dos melhores álbuns do 30 Seconds to Mars lançados até hoje, o maravilhoso (essa é a opinião de uma fã assumida) This is War.

Todos os aspectos demonstrados nesse documentário, todo o trabalho realizado pela banda, as diversas cenas de encantar olhos mais sensíveis, todo, todo o documentário é simplesmente maravilhoso. Para aqueles que, assim como eu são apaixonados pela trajetória da banda, pelas músicas, pelas mensagens e engajamento do trio, pelos  videoclipes insanos, e por muitos e muitos outros detalhes, esse é um documentário obrigatório. Mas mesmo que você não seja grande fã da banda, conheça apenas algumas músicas, ou só tenha ouvido falar de Jared Leto por causa de sua carreira como ator, mesmo que você nunca tenha ouvido falar em 30 Seconds to Mars, ainda sim é um documentário totalmente válido. Se você gosta de música, se você gosta mesmo de música, esse é um filme que recomendo com todo o coração.
O filme faz muito mais do que abordar o caso específico da banda 30 Seconds to Mars. Apesar de focar em um caso específico, aqui receberemos acesso a tudo aquilo que acontece nos bastidores. Graças a situação da banda, nós seremos capazes de observar o que aconteceu com outras bandas, com outros artistas, estando eles no início ou não de sua carreira.

O documentário nos demonstra um panorama geral da industria musical. Ele não perde a chance de te apresentar como as coisas funcionam, como são elaborados os contratos, como a gravadora cobra por seus serviços e acaba deixando bandas e artistas com dividas, ou como, quando um artista se recusa a fazer o que a gravadora quer, acaba ficando de “molho”, sem ter a chance de lançar material novo. E como é de gravadoras que estamos falando, o filme também nos oferece um histórico bem interessante da vida dessas gigantes do mundo da música. Graças ao filme nós podemos conhecer como, desde seu nascimento, as gravadoras apostaram ou não em artistas, como elas influenciaram o mercado, como se adaptaram ou não aos avanços da sociedade, e no meio disso, conhecemos em primeira mão o caso específico da EMI.
Além de toda a política, e história ligada as gravadoras, nós recebemos acesso VIP para o processo de criação da banda 30 Seconds to Mars. Por meio de cenas gravadas durante o período em que os artistas estavam sendo processados, tentavam entrar em acordo com os interesses de um peixe muito maior do que eles, e iniciavam as reuniões, discussões e gravações de seu novo álbum, nós conseguimos entender como uma situação difícil e extremamente delicada é capaz de servir de inspiração, e combustível para a criação de novas músicas. Em meio a um momento duro na história da banda, é que surge um de seus melhores trabalhos. E aproveito aqui o espaço para dizer que, até hoje, esse é um dos poucos álbuns que eu amo do início ao fim, sem tirar nem por, que consegue abalar a nossa alma e nos fazer sentir a música.

Artifact é um documentário interessantíssimo! Montado e dirigido com maestria por Bartholomew Cubbins, o filme consegue unir e interligar de uma maneira maravilhosa, diversas músicas do álbum This is War. Todas as cenas ganham uma aura nova, um sentimento e uma grandiosidade inquestionáveis ao se conectarem com o trabalho realizado pelo trio. Muito mais do que transmitir apenas informação e uma situação difícil vivida por artistas ao longo de diversos momentos, o filme nos apresenta emoção, sentimento, história e significado. Artifact é um filme para os fãs, com toda a certeza, mas muito mais do que isso, ele é um filme destinado a todos os amantes da música, a todos aqueles que buscam conhecer mais detalhes sobre esse universo tão criativo, mas que também sabe ser ordinário e mesquinho. Para todos aqueles que algum dia se perguntaram como funciona a indústria musical, esse filme é para vocês!

  • Artifact
  • Lançamento: 2012
  • Com: Jared Leto; Shannon Leto; Tomo Milicevic
  • Gênero: Documentário
  • Direção: Jared Leto

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