Uma Janela Sombria, por Rachel Gillig

02 jan, 2026 Por Flavia Pedroso

Uma Janela Sombria é o primeiro volume da duologia chamada O Rei Pastor, da autora Rachel Gillig, publicada aqui no Brasil pela editora Alt. 

Esse é aquele tipo de livro que te prende logo nas primeiras páginas, principalmente se você gosta de fantasia sombria, mistério e um romance que vai crescendo devagar, mas te faz torcer o tempo todo. A história se passa em um reino chamado Blunder, um lugar envolto por uma névoa mágica que corrompe quem entra em contato com ela. É nesse cenário meio assustador e fascinante que conhecemos Elspeth Spindle, uma jovem que carrega um segredo: quando era criança, ela foi infectada por essa névoa e acabou ganhando um “monstro” dentro da própria mente, chamado Pesadelo. Desde então, ela vive se escondendo, tentando parecer “normal” em um mundo que teme e persegue qualquer sinal de magia.

“A magia é o paradoxo mais antigo. Quanto mais poder ela te dá, mais fraco você se torna. Cuidado. Seja astuto. Seja bom.”

As coisas mudam quando Elspeth conhece Ravyn Yew, capitão da guarda, sobrinho do rei e também cheio de segredos. Elspeth então se junta a ele e mais outras pessoas para uma missão perigosa, onde eles vão tentar reunir as doze “Cartas da Providência”, artefatos mágicos que podem ser a chave para salvar o reino. A partir daí, a história começa a misturar ação, segredos, e aquela tensão entre os personagens que a gente adora ver se desenrolando.

Uma das coisas que mais gostei em Uma Janela Sombria foi a ambientação. A autora escreve de um jeito bem visual, que faz você, praticamente, sentir o frio, a névoa e o peso do silêncio nas florestas de Blunder. Tudo é muito atmosférico, é o tipo de livro que te envolve e te faz querer ler devagar, saboreando os detalhes. O sistema mágico das cartas também é super original, e cada uma delas tem um simbolismo próprio, o que dá uma sensação de que o universo foi realmente bem pensado.

O romance entre Elspeth e Ravyn é bem no estilo slow burn — aquele que vai se construindo aos pouquinhos, com olhares, confiança e pequenas interações que fazem a gente pensar “agora vai!”. Eu achei que isso combinou muito com o tom da história, porque tudo ali é sobre paciência, medo e descoberta.

Agora, confesso: o ritmo pode parecer um pouco lento em alguns momentos. É o tipo de narrativa que exige imersão, então se você está procurando algo rápido ou cheio de reviravoltas, talvez estranhe o começo. Mas pra mim, essa lentidão fez parte da experiência, Uma Janela Sombria é mais sobre atmosfera e emoção do que sobre ação o tempo todo.

O que mais me marcou durante a leitura, foi o conflito interno da protagonista. Elspeth vive lutando contra o “monstro” dentro dela, e ao mesmo tempo tentando entender se ele realmente é algo ruim ou apenas uma parte dela mesma que precisa aceitar. Isso traz uma reflexão muito interessante sobre identidade e autoconhecimento, algo que vai além da fantasia.

No fim, Uma Janela Sombria é uma leitura linda, densa e um pouco melancólica. Não é só sobre magia e monstros, mas sobre enfrentar os próprios medos e entender que até as nossas sombras têm algo a ensinar. Recomendo pra quem ama fantasia com um toque gótico, personagens complexos e uma escrita poética que te deixa pensando mesmo após fechar a última página.

Se você curte histórias com aquele ar misterioso e uma protagonista cheia de camadas, esse livro definitivamente vale a leitura, principalmente se você não se importa de mergulhar de cabeça em um universo cheio de segredos (e um pouquinho de escuridão também). Além disso, ele termina de uma forma que só faz você ter mais vontade de saber como a história vai se desenrolar em Duas Coroas Retorcidas.

  • One Dark Window
  • Autor: Rachel Gillig
  • Tradução: Sofia Soter
  • Ano: 2024
  • Editora: Alt
  • Páginas: 424
  • Amazon

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