Vinte anos após o lançamento de O Diário de Bridget Jones, finalmente tive a oportunidade de conferir o primeiro livro da série e me apaixonar por essa personagem cheia de problemas, dramática, carismática e muito, mas muito engraçada. O amor bateu tão forte que a história da personagem foi capaz de derreter esse coração de gelo que sempre encontra problemas nas histórias fofas, fica com raiva dos personagens em histórias românticas e principalmente, odeia indecisões acentuadas e dramatismo exagerado. Mas nesse caso a fórmula deu certo, e, após me encantar pelo primeiro livro, não poderia perder a chance de conferir o segundo.
Acompanhando os acontecimentos do primeiro livro, No Limite da Razão nos agracia com uma pontada de esperança e algumas irritações logo no início da narrativa. Bridget Jones, após todos os acontecimentos do livro anterior, finalmente conseguiu se entender com Mark Darcy, e agora, finalmente, para a alegria de todos, estão juntos e felizes. Como um casal adorável de livros fofos deveria ser. Porém, não demorou para que as coisas começassem a desandar e o livro me mostrasse tudo aquilo que sempre me irrita nesse estilo de obra.

Sem sombra de dúvida, está tudo bem. Eu amo Mark Darcy. Às vezes ele é meio assustador, mas no fundo é muito bom e carinhoso. Isso é ótimo. Eu acho.

Conforme avançamos na narrativa, e a esperança passa a falhar, surge no horizonte a irritante, egoísta e mimada Rebecca. A personagem já havia me incomodado no primeiro livro, porém, aqui ela recebe um palco maior, digno de toda a sua vontade de crescer em status e riqueza. Com um piscar de olhos a personagem passa para o ataque e move montanhas e rios, cria estratégias e fórmulas, faz de tudo para que o relacionamento do nosso querido casal dê errado e adivinhem, no final, ela fique com o adorável, rico, educado e maravilhoso Mark Darcy.Porém, não foi Rebecca quem mais irritou essa rabugenta leitora, foi a própria personagem principal que dá nome ao livro. No momento em que iniciei a leitura, esperava, ansiava por um pequeno amadurecimento, gostaria de ver a personagem percebendo as coisas de uma maneira um pouco mais adulta e um pouco menos manipulável. É sua neura, seus dramas, suas amigas cheias de opiniões para dar, sua falta de profissionalismo, o ódio ao sexo oposto disfarçado de feminismo e tantas outras coisas que levam a personagem ao fundo do poço, e consequentemente, corrompem seu relacionamento com Darcy.

Apesar de um início difícil, é necessário passar por ele, através dele, enfrentar tudo de cabeça erguida, passar pelas páginas de irritação e frustração, pelos momentos em que sentimos vontade de entrar na história e dar aquela chacoalhada na personagem. Pois é com o fundo do poço que a personagem cresce.
Quando já estava perdendo a esperança, no momento em que a certeza me assombrava e o feitiço liberado no livro anterior mostrava-se enfraquecido, quando, lentamente voltava a ser aquela leitora ranzinza, a história começa a mudar e mostrar que aquele amadurecimento que tanto desejei no início da história, está começando a surgir. Mas será necessário ao leitor muita paciência, boa vontade e esperança para ver que, perto do final, a personagem realmente evolui e amadurece.

Pulamos meio metro para trás, sobressaltadas. Era o Mr. Darcy. A mesma voz podre de chique, profunda e imperturbável que tinha proposto casamento a Elizabeth Bennet na BBC.

Enquanto o amadurecimento não chega, iremos voltar ao bom humor e toda a graça que somente Bridget Jones é capaz de trazer. Tudo aquilo que gostei no primeiro livro, as piadas, os momentos engraçados, a indecisão e dramatismo acentuados da personagem que geram cenas maravilhosas e bem-humoradas está presente neste livro, porém, é necessário passar pelo início complicado para chegar até ele. Ao contrário de O Diário de Bridget Jones, em que do início ao fim iremos encontrar um livro que mantém o padrão, bom humor, cenas dignas de uma comédia romântica e toda a representação da “imagem” feminina, nossas neuras e dramas reais e irreais, neste livro, percebemos três momentos específicos que podem agradar ou desiludir o leitor. Devemos passar pelo início difícil, pelo miolo que nos lembra toda a graça e bom humor da personagem, e então chegar ao momento em que ela cresce e amadurece.
Não me arriscaria em classificar Bridget Jones: No Limite da Razão como um livro melhor do que o primeiro, porém, da mesma forma, não sou capaz de dizer que ele é um livro ruim ou uma decepção. Essa obra, apesar de não ter me encantado tanto quanto o início da série, conseguiu mostrar que conheço o meu lado leitora o suficiente para reconhecer estratégias e fórmulas que não me agradam, para perceber quando seria interessante um personagem evoluir, mas também mostrou que, quando insistimos em uma obra, quando acreditamos que a mesma ainda possuí algo para nos mostrar, podemos encontrar elementos que nunca seríamos capazes de encontrar caso desistíssemos da leitura. Para os fãs da personagem, a obra é totalmente válida e com certeza merece ser lida. Mas não posso negar que com as decepções e acontecimentos desse livro, tenho um medo profundo do que pode acontecer a seguir. Assim, como diriam meus companheiros de Castle Black: “My watch is ended”.

Afaguei seu cabelo e beijei sua cabeça. Depois disse o que eu sentia, do fundo do coração. E o milagre, quando terminei, foi que ele me disse que sentia exatamente o mesmo.

Confira a crítica da última adaptação da série, O Bebê de Bridget Jones.

  • Bridget Jones: The Edge of Reason
  • Autor: Helen Fielding
  • Tradução: Alda Porto
  • Ano: 2016
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 395
  • Amazon

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9 Comentários

  • Maria Alves
    11 dezembro, 2016

    Ainda não li nenhum livro da personagem, não despertou meu interesse, tem livros que não tenho paciência de ir até o fim, quando ficam chato acabo desistindo, mas pelo menos é uma leitura divertida, já passei por isso de querer dar uns tabefes nos personagens kk.

    • Ryoko Bel
      10 janeiro, 2017

      Oi Maria, tudo bem contigo ???
      Pena que não se interessou pela história da Bridget Jones … Mas te entendo, quando os livros não fazem nosso estilo, não conseguem nos instigar, não adianta forçar a barra. O lado bom é que existe livro para todos os gostos né ?! ^-^

      Beijinhos

  • Bruna Lago
    09 dezembro, 2016

    Sabe que as vezes sou assim como você ? Há pouco tempo li um romance de época que a personagem era muito chatinha, sem dúvida temos vontade de entrar e dar uns tapas na cara pra acordar kkkkkk te entende perfeitamente. Nunca li nada da série, não me chama muita a atenção pra falar a verdade. Muito boa sua crítica, muitos não falam o que realmente acharam.
    Abraços

    • Ryoko Bel
      10 janeiro, 2017

      Olá Bruna, tudo bem contigo ???
      Muito obrigada. Fico feliz por saber que gostou da minha resenha !!!
      Eu penso que, se a chatice dos personagens for até certo ponto, se ela vier em episódios específicos, não existe problema nenhum. Porém, nesse livro a Bridget juntou todo o seu pior para o começo da história, isso me irritou bastante. O lado bom é que não durou muito !!! XD

      Beijinhos

  • Nívea Pereira
    07 dezembro, 2016

    Já tinha escutado algumas pessoas falarem desse livro mas nunca me interessei em ler, mas pretendo.

    http://estanteclassica.blogspot.com.br/

    • Ryoko Bel
      10 janeiro, 2017

      Olá Nívea, tudo bem contigo ???
      Fiquei feliz por saber que se interessou pela obra. Espero que tenha a oportunidade de ler o livro !!! 😉

      Beijinhos

  • RUDYNALVA
    07 dezembro, 2016

    Izabel!
    Pelo que vejo Bridget Jones continua sendo uma personagem única e hilária. Acredito que a autora preferiu deixar o leitor em suspense no começo do livro, para depois poder apreciá-lo de forma plena e até com o amadurecimento da Bridget. Apesar de todas suas ressalvas, ainda quero ler…
    “Desejo a você e a sua família um Natal de Luz! Abençoado e repleto de alegrias. Boas Festas!”
    (Priscilla Rodighiero)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de DEZEMBRO ESPECIAL livros + BRINDES e 4 ganhadores, participem!

    • Ryoko Bel
      10 janeiro, 2017

      Oie, oie, oie !!!
      A Bridget continua uma personagem maravilhosa, isso mesmo com minhas ressalvas, rsrsrs, é como você disse, a autora usou um pouco de suspense e até abusou da nossa paciência (pelo menos da minha, hahaha) para mostrar o que tinha guardado na manga !!!
      Espero que consiga conferir o livro !!!

      Beijinhos