Dominika Egorova era jovem, bela e tinha um sonho, ser a primeira dançarina do Balé Bolshoi, mas uma concorrente pisa no seu pé e seu tornozelo rui. Nunca mais ela seria a mesma, jamais dançaria novamente, ela estava manca para sempre. Como se as coisas não pudessem piorar, seu pai morre neste mesmo período, desnorteada, ela acaba aceitando o convite de seu tio, uma importante figura no serviço secreto russo. Agora ela estudaria para se tornar uma informante do governo.
Dominika passa por diversos estágios, até ficar algum tempo na Escola de Pardais, onde ela, outras mulheres e homens aprendem técnicas para seduzirem inimigos em troca de importantes informações. Esperta demais desde pequena, ela tem um poder que a ajuda na dança, Dominika consegue ver cores em cada nota tocada, sabe onde pisar exatamente conforme cada cor aparece e isso a ajuda também no serviço secreto. Ela sabe, pelo tom que cada pessoa fala, se esta pessoa está mentindo, sendo doces demais, sendo irônicos e até mesmo se querem engana-la ou ajuda-la, ela consegue enxergar cores em todas as palavras.
É assim que ela cresce no serviço secreto para a raiva de muitos espiões, até que é enviada para a sua mais importante tarefa, conquistar o americano Nathaniel Nash, um agente da CIA, com o intuito de descobrir quem é o informante dos americanos dentro do governo russo.
O que ela não conseguiu prever, era que ele descobriria rapidamente quem era ela e que também gostaria de tirar informações importantes dela. Os dois travarão um duelo cheio de artimanhas, armas e armadilhas para poder tirar do outro, aquilo que quer, mas será que conseguirão resistir à tentação do calor que emana dos corpos deles? Sim, eles se apaixonam e toda a tática antiterrorista vai por água abaixo.

O que lhe ensinariam naquela escola pertencia apenas ao âmbito físico. Não importava o que a obrigassem a fazer, ninguém conseguiria atingi-la no espírito.

 

Primeiramente lançado no Brasil em 2014, pela Editora Arqueiro, com o título de Roleta Russa.  Devido ao filme que foi lançado este ano, Operação Red Sparrow recebeu além de uma nova capa, um novo nome, o mesmo do filme. Eu particularmente prefiro o segundo nome, pois além de proporcionar uma identificação mais fácil para o público, o anterior era bobo e não tinha nenhuma ligação com o livro.
Operação Red Sparrow é o livro com melhor descrição de espionagem que eu já li, o que o torna muito realista, misterioso e único. Os termos técnicos são muitos, os codinomes variados e as estratégias infinitas. Talvez isso seja devido ao trabalho do autor Jason Matthews que é um ex-integrante da Diretoria de Operações da Cia, com cerca de 33 anos de carreira. Fazia parte do trabalho de Jason, coletar informações de inteligências, principalmente em países hostis. Toda esta experiência que teve na vida real, contribuiu para que o autor trabalhasse nos mínimos detalhes suas tramas de ficção.
Porém, o que pode ser um atrativo para alguns, para leitores que buscam tramas mais próximas da realidade, pode ser também um problema para outros, que preferem uma narrativa mais objetiva. No caso de Operação Red Sparrow, com desenvolvimento pesado, a leitura acaba sendo muito cansativa. São mais de 400 páginas com uma fonte pequena, diagramação singela, poucos diálogos, mas muitos pensamentos sobre estratégia e sobre qual deve ser a próxima atitude de cada um dos lados dessa batalha.
Os personagens são muito bem descritos e a personalidade deles fica bem evidente durante todo livro, além disso, a forma como cada personagem se comporta condiz muito com a realidade, a figura de Dominika é extremamente desprezada, o preconceito do Kremlin com a figura de uma mulher ganhando importância na KGB é muito real e presente na obra. São esses pequenos detalhes que fazem livros serem memoráveis para mim, pequenos cuidados que trazem mais credibilidade à obra.
O livro abusa das cenas de sedução e sexo, mas o escritor não descreve detalhadamente o ato em si, preocupando-se apenas em passar o que aquela cena está representando para cada personagem, como a cabeça de cada um deles está funcionando e como aquilo irá afeta-los no futuro.
Uma das coisas que me incomodou um pouco durante minha leitura, foi o fato de não ter ação como tiroteios, lutas e pessoas morrendo, o que em um livro de ação seria comum, porém ele fica muito mais focado na estratégia, nos estudos táticos e no psicológico dos personagens, apenas no final do livro essa ação é presente, e também de maneira maravilhosamente bem descrita e com muita coerência.
O desfecho é ótimo, este sim, cheio de ação, surpreendente, emocionante e bem estruturado. Operação Red Sparrow é um livro muito bom, muito bem construído, cheio de informações importantes e com todos elementos que se espera de uma boa guerra de espiões, porém isso torna ele um livro para um tipo específico de leitor, que tem calma e busca este tipo de leitura, que gosta de ler muita coisa sobre a mesma cena ou o mesmo momento do livro. Eu particularmente prefiro livros que tenham uma dinâmica mais veloz, que mostre mais coisas em menos páginas. Foi um pouco difícil me manter focado no livro em alguns momentos, mas tirando isso, ele é perfeito, como disse, é apenas uma preferência minha, mas nada que tire o brilho da obra.

Conheça a crítica da adaptação

Operação Red Sparrow é um livro tão bom, que virou filme. Ainda não tive a oportunidade de assistir, mas fiquei bem curioso depois de ler, quase sempre o livro é muito melhor que o filme, mas acredito que esse livro é perfeito para o cinema e o filme deve ter ficado sensacional. Você pode conferir a crítica que fizemos da adaptação logo abaixo. Se você é um leitor com mais paciência, gosta de livros longos, enrolados, bem detalhados, com ação, romance, drama e muita espionagem, não pode deixar de ler Operação Red Sparrow, um ótimo livro, com uma trama envolvente e muito bem escrito e elaborado.

  • Red Sparrow #1
  • Autor: Jason Matthews
  • Tradução: Marcelo Mendes
  • Ano: 2018
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 452
  • Amazon

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