Estou tendo meus primeiros contatos com as obras protagonizadas por Sherlock Holmes e confesso que as qualidades peculiares do detetive, que vão de uma observação aguçada a um intelecto incisivo, acabaram despertando ainda mais minha curiosidade. Por este motivo, comecei a consumir o máximo de informações sobre o personagem, até que me deparei com Perspicácia lançado aqui no Brasil em 2013. O livro mais didático e que promete analisar mais profundamente o intelecto do personagem e concluir se além da ficção, as façanhas de Sherlock são, não possíveis na vida real.
Quem o conhece, admira Holmes por sua incrível capacidade de eliminar os erros e vieses cognitivos que são tão comuns nas nossas vidas diárias e, no entanto, reconhecemos que não há nada no seu pensamento que esteja fora de alcance para nós. Na verdade, suas qualidades não são consideradas sobre-humanas, mas sim qualidades humanas elevadas ao máximo que podem chegar.

Foto por Thomas Hawk
Em Perspicácia: Aprenda a Pensar Como Sherlock Holmes, a psicóloga, competidora profissional de poker e autora Maria Konnikova argumenta que a proeza de Holmes não repousa tanto em seus poderes mentais, mas sim em sua abordagem mental. De maneira mais específica, ela demonstra como o investigador conseguiu tornar seu pensamento metódico e sistemático, essencialmente levando o pensamento e o método científico ao seu trabalho de investigação.
Durante o livro, Konnikova mostra como essa abordagem vai muito além dos casos mais famosos do detetive, mas sim como pode nos ajudar a encontrar a verdade em qualquer área da vida e como esse método para racionar pode ajudar a resolver quase qualquer problema.
Uma divisão em quatro partes
A autora divide o método de Holmes em quatro partes relacionadas (conhecimento básico, observação, imaginação e dedução) e depois ensina como o famoso detetive da ficção usa a soma de todas para solucionar seus casos.
O primeiro passo do investigador é manter uma extensa e bem organizada base de conhecimentos para ajudá-lo a resolver novos casos. Além disso, ele sempre está vigilante para garantir que esteja assimilando informações novas e importantes que possam ajudá-lo no futuro. Depois, Holmes utiliza sua capacidade observação cuidadosa, consciente e imparcial para recolher o que é importante sobre os vários personagens e circunstâncias de cada caso para em seguida usar as evidências que reuniu em conjunto da sua imaginação para formular vários cenários que poderiam explicar o mistério. Finalmente, o detetive usa seus poderes de raciocínio para eliminar os cenários impossíveis até que sobre apenas uma solução correta.
Rápido e Devagar: Watsoniano e Holmesiano
Embora essa abordagem pareça direta, como tudo na vida, é mais fácil dizer do que fazer. De fato, nossas mentes não só podem como muitas vezes dão errado em qualquer um dos passos. Assim como foi popularizado pelo autor e psicólogo Daniel Kahneman, Konnikova ensina que nossas mentes contam com dois modos distintos de pensamento, quais sejam, o “rápido” (watsoniano) e o “devagar” (holmesiano).
O watsoniano é o modo padrão do cérebro e costuma operar de maneira rápida, automática e oferece soluções simples que ajudam a economizar nossa capacidade de processamento mental. Apesar dessas qualidades essenciais para a vida diária, ele também é muito propenso a erros. O holmesiano, nosso segundo modo de pensamento, é muito mais lento e deliberado. Ele tem o potencial de ser infinitas vezes mais preciso do que o nosso modo padrão, mas demanda esforço mental que consome recursos cerebrais.
Ainda assim, Konnikova afirma que ativar o segundo modo vale o esforço. Além disso, assim como ocorre com os músculos do corpo, quanto mais empregamos esse modo de pensar, mais habitual e fácil ele se torna.
Segundo Perspicária, como aplicar e desenvolver esse método na vida real?
A cada passo do método de Holmes, a autora aponta os erros de pensamento para os quais nosso sistema watsoniano costuma nos atrair. Ao longo da obra são citados inúmeros experimentos psicológicos interessantes e o que podemos aprender com eles. Um fato curioso que percebi durante a leitura, Maria Konnikova começou a carreira como psicóloga especialista.
Konnikova apresenta diversas formas interessantes de utilizar o pensamento na vida cotidiana de uma forma mais engajada para pensar melhor, errar menos e ser mais racional de uma forma geral. Na minha opinião a autora peca um pouco na narrativa utilizada, mas por se tratar de uma leitura mais “teórica”, não é nada que decepcione. Também me incomodei nas partes em que a autora insere a religião de Arthur Conan Doyle no meio. Mas desconsiderando isso, tudo o que citei acima faz com que a obra seja muito bem recomendada para qualquer pessoa que esteja interessada nesses aspectos interessantes da nossa mente.



14 Comentários
Bacana a comparação com Holmes, pois ele nos surpreende com os truques da mente e é bom usar isso a nosso favor a atividades corriqueiras!!
Oi, Joi
Ainda não li nada dos livros do Sherlok Holmes, mas em compensação as séries e filmes assisto tudo.
Não conhecia o trabalho dessa psicologa preciso ler esse livro, vou anotar aqui na minha lista. Fiquei muito interessada nessa forma como ela colocou as 2 formas de pensar como watsoniano e holmesiano. E ainda de uma profissional no poker, nem truco eu sei jogar, kkk.
Preciso muito aprender a pensar mais nas estratégias, além de observar é claro.
Beijos
Fico tentando imaginar se, com toda a perspicácia e inteligência de Sherlock Holmes, poderíamos realmente seguir essa receitinha e pensar como ele. Li alguns dos livros dele e conheço um pouco da sua sagacidade. Difícil de encontrar em qualquer outro personagem de livros de crime e mistério que conhecemos.
Ainda não li nada do Holmes, só o conheço porque já assisti e o adoro, que figura e super inteligente e esperto, seria magnifico se conseguirmos ter esse raciocínio como o dele, não sabia desse livro, deve ser bem interessante e gera questionamentos, será se realmente conseguíamos pensar como ele, ou só ele tem esse dom.
Ainda não li nada do Holmes, só o conheço porque já assisti e o adoro, que figura e super inteligente e esperto, seria magnifico se conseguirmos ter esse raciocínio como o dele, não sabia desse livro, deve ser bem interessante e gera questionamentos, será se realmente conseguíamos pensar como ele, ou só ele tem esse dom.
Ainda não li nada do Holmes, só o conheço porque já assisti e o adoro, que figura e super inteligente e esperto, seria magnifico se conseguirmos ter esse raciocínio como o dele, não sabia desse livro, deve ser bem interessante e gera questionamentos, será se realmente conseguíamos pensar como ele, ou só ele tem esse dom.
Ainda não li nada do Holmes, só o conheço porque já assisti e o adoro, que figura e super inteligente e esperto, seria magnifico se conseguirmos ter esse raciocínio como o dele, não sabia desse livro, deve ser bem interessante e gera questionamentos, será se realmente conseguíamos pensar como ele, ou só ele tem esse dom.
Ainda não li nada do Holmes, só o conheço porque já assisti e o adoro, que figura e super inteligente e esperto, seria magnifico se conseguirmos ter esse raciocínio como o dele, não sabia desse livro, deve ser bem interessante e gera questionamentos, será se realmente conseguíamos pensar como ele, ou só ele tem esse dom.
Pra quem gosta de ler sobre Sherlok Holmes esse livro é uma dica e tanto… o que sei somente vem dos filmes, e ainda sim ja gosto muito.
Olá! Eita que esse livro muito me interessa, na faculdade de Administração tive uma matéria (Jogos Empresariais), na qual o professor destacou a importância de tomar decisões baseados no método de Sherlock Holmes, claro que essa não é uma tarefa fácil, pois estamos condicionados a pensarmos do modo watsoniano, mas acredito que conhecer melhor o método holmesiano é o primeiro passo para tentarmos mudar esse padrão.
A que ponto chegamos?rsrsrsrs Muito gostoso isso de ler que Sherlock virou objeto de estudo por conta de sua mente astuta!
Apesar que oh,penso que isso tudo seja somente dele e por mais estudos que sejam feitos, nós, meros mortais, nunca chegaremos perto de tanta sabedoria e jogadas de Mestre que só ele teve e tem!
Não é muito meu gênero na literatura, mas gostaria muito de entender um pouco mais sobre o estudo e quem sabe(nem em sonho, minha lerdeza não permite) chegar na sujeira do dedinho do pé deste grande Homem!
Beijo
Angela Cunha Gabriel(O Vazio na Flor)
Joi!
Fascinante sua postagem.
Não conhecia a autora Maria Konnikova e gostei muito de ver como ela disseca a forma de análise de Holmes e acredito que seja bem por aí mesmo, ter o poder do conhecimento em várias áreas, analisar as distorsões aparentes e através disso, observar o compartamento e fazer suas análises cognitivas.
Acredito que o método usado pelo filme Mentalista é bem nesse gênero e gosto.
cheirinhos
Rudy
Oi Joi, tudo bem?
Nossa, psicóloga e autora analisando as obras de Holmes… que audácia rss
Acho muito legal essa análise! Embora eu ainda não tenha lido nada da autora ou do autor Sherlok Holmes.
Olá Joi, tudo bem?
Menina eu preciso ler esse livro. Nunca li nada de Sherlok Holmes, mas pude conhecê-lo pelo seriado e admirar sua inteligência metódica. Será que eu consigo ser assim também? Vou tentar.
Beijos