Férias deveriam ser sinônimo de diversão, festas e muita pegação. Para Eden Munro esse tipo de coisa nunca fez sentido. Afastada das amigas ela se sente à margem de qualquer programação animada típica do verão. Para completar esse desastre chamado vida social, ela precisa lidar com a desconhecida e desagradável nova família do pai. Eden nem queria visitá-lo na Califórnia para início de conversa, mas talvez uma mudança de ares seja tudo o que ela mais precisa nesse momento. Porém, apesar da pouca expectativa com essa viagem, o que Eden nem imagina é que conhecerá o amor da forma mais surpreendente e dolorosa que alguém poderia imaginar.

Com tantos jovens solteiros e descomplicados na ensolarada Califórnia, ela foi se apaixonar justamente por Tyler Bruce. Tyler é conhecido não apenas pela irreverência, mas pelas relações duvidosas de amizade. Ele anda com as pessoas erradas, está sempre em alguma parte obscura da cidade, dirige como se não conhecesse nenhuma regra de trânsito, namora a garota mais popularmente insuportável da cidade… e não bastasse tudo isso no pacote, ele ainda é o meio-irmão de Eden. Quando a garota é recepcionada na casa do pai nem imagina que dividirá o mesmo espaço com o furacão Tyler. Ele é uma força da natureza e está descontrolado. Ele a irrita e a intriga na mesma proporção e está cada vez mais difícil lidar com a crescente atração entre eles. Mas não tem jeito de isso acontecer. Eden sabe que qualquer coisa entre eles acabará em lágrimas, mas a cada dia que passa ela está mais do que disposta a pagar o preço.

O que me atrais nesse tipo de livro logo de cara, é o típico romance adolescente proibido. Só de imaginar aquele constante frio na barriga, o medo do desconhecido, os prazeres secretos… Me rendo rapidamente à esse tipo de leitura. E um livro de 300 páginas parece que vira apenas um conto. Eu literalmente devoro, como todo bom leitor costuma fazer. Acontece que na obra de Estelle Maskame, encontrei um enredo genérico, cheios de clichês maçantes e um drama tão forçado quanto aqueles filmes originais Netflix protagonizados por Noah Centíneo. Talvez o único item que se salvou nessa história, tenha sido o fato de a autora nos poupar do tão famigerado romance instantâneo. Quando Eden vê Tyler pela primeira vez, ela fica apenas intrigada, como qualquer uma de nós ficaria ao ver um macho com atitudes exageradas no meio de uma festa familiar. E ela estava certíssima. Não teve aquele falso ódio gratuito, ao estilo, detesto esse garoto mas ele deixa minhas pernas trêmulas e blá blá blá.

Eu poderia dizer que apreciei o fato de o romance ter ocorrido de maneira natural e gradativa, mas confesso que ainda estou esperando o tal romance, e gente, eu terminei de ler esse livro já tem uns 30 dias. Vamos lá ao que de fato me incomodou… Eden age como uma típica adolescente. O que é bom! Gosto de autores que sabem caracterizar um personagem conforme a idade exige. Acontece que Eden é uma garota chata e sem carisma. Parece que ela sofreu certo bullying na infância por causa do próprio corpo, então ela é neurótica com comida e vive se exercitando. Ela é desinteressante e entediada. Guarda uma mágoa enorme do pai por ter abandonado ela e a mãe, então a relação que ela mantém com a família dele nas férias é permeada por atitudes e grosserias desnecessárias.

Toda vez que ela encontra Tyler, rola uma situação desagradável onde ele age como um típico boy lixo, e claro que é aí que ela começa a se interessar por ele. Como se fosse uma psicóloga patética querendo cuidar do coração ferido e arredio do cara. E esse tipo de coisa me irrita profundamente. A menina passa o livro todo querendo consertar um cara que está nitidamente cagando pra tudo, inclusive pra ele mesmo, e ela fica naquele pseudo relacionamento tóxico, saído diretamente de Chernobyl. Não me levem a mal. Eu adoro uma história dramática e cheia de superações, mas estamos falando de adolescentes, em idade escolar, envolvidos com drogas, bebidas e todo tipo de coisa ilegal que você consiga imaginar.

Talvez o livro se aproxime mais da realidade do que eu gostaria, mas não foi o tipo de coisas que eu vivi ou tenha visto meus amigos fazendo e a identificação fica impossível. A história tem uma vibe pesada que se aprofunda mais e mais com o virar das páginas. E não estou falando de uma intensidade artística, mas do tom melancólico presente nos diálogos e linhas. Os jovens estão sempre em festa, sempre com os corpos no sol, mas em essência só há futilidades. Todos parecem sempre desesperados e em busca de algo, a começar pelos protagonistas. Onde estão os momentos felizes? Onde está o amor ardente e proibido, ou pelo menos a menção dele? Sabe quando o casal se beija pela primeira vez no livro, e você vibra como se estivesse lá? Eu só queria ter sentido isso quando comecei a ler um livro com uma sinopse tão cheia de promessas. Porém os momentos a dois não convencem, não emocionam.

Tyler não é um bad boy, ele é simplesmente uma pessoa péssima, cheia de ódio de si e do mundo, que acha que todos a obrigação de aceitar. Ele tem um passado que justifique? Ah, tem sim, em partes, mas talvez não para o nível de imaturidade que ele apresenta. Todas as relações que o personagem mantém são abusivas. Com a mãe, que destrata e decepciona com frequência, com o padrasto que desrespeita a todo instante, com a namorada a quem trai a todo momento, e com Eden, que usa e abusa sem sentimento algum. Eu simplesmente não consigo aceitar o que aconteceu nesse livro. Eu quero ler um romance, e ter uma esperança num amanhã melhor, nas histórias felizes, no carinho do relacionamento a dois. Mas que balde de água fria! Nem uma químicazinha para fazer o casal ser mais aceitável.

Por que eu gosto do Tyler, para início de conversa? Realmente não consigo pensar numa resposta aceitável. Está tudo errado. Estou gostando do meu irmão postiço, e a ideia de que alguém pode descobrir me apavora. Seria um escândalo. Seríamos julgados e criticados, banidos da sociedade. Mas não é só isso que me deixa chocada. É o fato de Tyler ter milhões de defeitos, milhões de coisas que eu deveria odiar, mas que simplesmente não consigo.

Os personagens secundários aparecem bastante, e contribuem significativamente para desenvolvimento da trama. Em especial a madrasta de Eden e mãe de Tyler. A princípio a conhecemos pelos olhos da narradora, que não é nenhum pouco otimista. Porém em gradativa evolução posso dizer que é a personagem mais sensata e humana de toda a história. E uma mulher que antes parecia apenas fútil, se torna uma mãe dedicada, esposa compreensiva e exemplo de superação. É ridículo que Eden só tenha começado a se aproximar dela após vê-la como uma possível sogra. “Nossa, olha ali a mãe do amor da minha vida”. E que mania é essa que toda rival do sexo feminino precisa ser uma vaca sem coração da pior espécie. Vamos melhorar isso autores. Precisamos de mais personagens femininas maduras, que saibam lidar bem com términos e caras babacas ao invés de ficarem planejando golpes malignos de vingança. Cadê a auto estima desse povo?

Quanto à escrita da autora, não há muitas críticas. Acredito que em um outro enredo ela se sairia muio bem. Detalhado sem exageros. Bons diálogos, e descrições apenas suficientes para situar bem os personagens nos locais e passagens de cenas. O cliffhanger no desfecho, proposital para nos fazer ler os demais livros da trilogia foi bem colocado. No entanto, minha avaliação final desse livro não é das melhores. A culpa nem é das expectativas, eu nem as tinha. Mas eu acho que já li tanto do mesmo, que tinha esperanças de encontrar nessa leitura, algum diferencial que me fizesse favoritar mais uma autora de young adult/new adult. Eu gostaria de vir aqui e dizer que esse livro é uma mistura perfeita desses dois gêneros, e afirmar pra vocês que essa história é uma espécie de Malhação BR 2.0 e até é, mas a gente pelo menos sabe como criar uma cena de beijo. Eu espero de verdade que as adolescentes que lerem esse livro, não idealizem esse tipo de relação que encontrei aqui. Fiquei realmente preocupada. Mas isso é eu. Quase na casa dos 30, sem paciência para homens escrotos e mulheres sonsas demais para perceber o bueiro que estão entrando.

  • Did I Mention I Love You?
  • Autor: Estelle Maskame
  • Tradução: Alves Calado
  • Ano: 2019
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 336
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