Eu detesto as paixões instantâneas, repentinas, mas foi exatamente assim que me senti ao ler o primeiro texto de Matheus Rocha. Me entreguei, me rendi. Ele é assim. Faz mágica com as palavras. Se torna um médico da alma. Um amigo compreensivo em um momento de desespero. Um alento em meio a crise. Essa leitura foi exatamente o que eu precisava quando ainda nem sabia disso. Renovou minha esperança no amanhã, trouxe paz e me permitiu ser livre e sem amarras mesmo que por alguns minutos. Existe em muitos de nós uma necessidade de se ver pertencente ao grupo, e o que fazer quando quem você é de verdade não parece agradar? Eu levei tantos anos para entender que está tudo bem ser eu mesma, com esse corpo, com minhas paranoias e manias, com minhas piadas bobas e sorriso fácil. Matheus Rocha é tão eu e tão você que fica impossível ler esse livro e não se identificar ao menos um pouco. E é simplesmente libertador enxergar que não estamos sós em nossos medos, inseguranças e mágoas.

Em Não me julgue pela capa vemos um lado ainda mais sincero e doloroso de Matheus Rocha. Eles se desnudou nessa obra. Escreveu os textos em momentos de fragilidade e até mesmo sofrimento. Vemos em suas palavras um auto retrato de conhecimento, crescimento e amadurecimento emocional. Por meio de um relato singelo e poderoso encontramos nesse autor/personagem uma infinidade de desafios e vitórias, que se tornam o combustível eficaz para a esperança. Matheus convive diariamente com a ansiedade. Ela faz parte da vida dele, queira ou não, e ele nos conta como faz para aliviar os sintomas e compartilha momentos preciosos de sua luta para vencer esse mal que o deixa tão impotente às vezes. E mesmo que você não veja a si mesmo como alguém ansioso, essa obra ainda é um presente que deve ser lido com atenção e amor.

Quando você vê alguém que é honesto consigo, com seus sentimentos, que é transparente, você reconhece essa pessoa mesmo de longe. Porque algo nela diz muito, mesmo sem falar nada. É a segurança de saber que está tudo bem não ser querido por todo mundo, desde que se deite, à noite, a cabeça no travesseiro, e se tenha a certeza absoluta de que não deu passos para longe de si a fim de chegar perto de ninguém.

Nem todos sabem lidar tão bem com a rejeição, ou com a timidez, ou com o medo do desconhecido, ou com fracasso. Pode ser que em algum momento da sua vida você já tenha se sentido frustrado, ou incapaz, ou insuficiente. A competição bate na nossa porta com força, a comparação faz parte do nosso convívio e a necessidade de vencer sempre podem ser fatores cruciais quando pensamos em nossa saúde mental e emocional. Matheus traz em seu lançamento uma reflexão de extrema importância. Não se cobre tanto, está tudo bem não ser bom todos os dias, está tudo bem chorar um pouco quando sentir vontade, está tudo bem cair algumas vezes. Somos humanos, embora sejamos cobrados para agir como máquinas. Encontre um bom amigo, uma cafeteria agradável, coma uma fatia generosa de bolo de chocolate, coloque a conversa em dia e recarregue as energias.

Seja o melhor que você puder ser, mas não utilize a régua dos outros para medir seus limites. Se afaste daqueles que te fazem mal mesmo sem querer. Estar sozinho pode ser uma ótima oportunidade para se conhecer e aproveitar a própria companhia. Descubra o que faz você feliz, nem sempre será aquilo que os outros definem. Não tenha medo de recomeçar, nem de mudar os planos. Busque ajuda se precisar, não existe força maior do que admitir para si mesmo que a jornada está muito difícil. Seja corajoso o suficiente para falar sobre seus medos, para simplesmente falar. Essas são apenas algumas das lições valiosas que tirei dessa leitura incrível que pode ser considerada uma das melhores do ano pra mim. Em um dos textos Matheus narra um período difícil que passou durante a produção desse livro, ele precisou lidar com a pressão externa para entregar os textos no prazo e conta que a pressão maior estava em si mesmo, na própria cobrança, na necessidade urgente de conseguir fazer tudo a que se propôs. Ele também fala que quase tirou esse desabafo do material que seria publicado e eu só quero agradecer por ele não ter tirado.

É irônico como um texto que ele julgou não ser bom o bastante por seus próprios motivos, tenha tido o poder de me arrancar lágrimas de compreensão. Eu fiquei lendo e pensando: “Meu Deus, é exatamente assim que eu me sinto. Não acredito que as outras pessoas se sentem da mesma forma. ” É óbvio que eu não sou uma única estrelinha brilhante na galáxia, mas quando você olha para si mesmo em seu pior momento, e compara com o melhor do outro nas redes sociais, é como ser o cocô do cavalo do bandido. Você questiona seu valor, seu potencial, “o que estou fazendo com a minha vida?”. E ler um texto como esse mostra que nada é tão preto no branco. Você olha pro outro, o compreende e aceita, então consegue fazer o mesmo consigo. Você encoraja o outro, deseja que ele seja forte e supere cada momento difícil, e então aprende a olhar pra si mesmo com o mesmo carinho e motivação. Eu amei esse livro, que valeu por 10 sessões de terapia e inclusive me incentivou a procurar uma e estou tão mais feliz. Em paz. Tranquila. Ainda existem dias difíceis e eu os abraço como oportunidades.

Todo mundo tem valor e todo mundo vale muito. Isso inclui eu e você também. Não adianta olhar com amor e bons olhos as pessoas que a gente ama, mas só apontar defeitos, críticas negativas e apelidos pejorativos para a pessoa do espelho. A gente tem que se dar amor com a mesma voracidade que se desdobra para agradar quem a gente quer um bem enorme, pois, no fim das contas, a única pessoa que vai nos acompanhar por toda a vida (…) somos nós mesmos.

E isso era uma resenha, mas parece que virou um divã e tudo bem. Eu só gostaria que você soubesse que esse livro tem esse poder transformador de nos tocar, de mudar uma vida ou ao menos uma pequena parte dela. Eu agradeço ao Matheus Rocha por compartilhar sua vida conosco, e à Editora Planeta por acreditar nesse autor, e por fazer parte desse time incrível que é Estante Diagonal, onde tive a oportunidade der ler algo tão incrível e importante. Já sei que ao menos 3 amigos meus serão presentados com esse livro, que deveria ser lido por todos. E não por eu achar que eles “precisem” dessa ajuda, mas por amar eles tanto que compartilhar essa preciosidade é praticamente uma obrigação.

Eu gostaria muito que você também pudesse ler esse livro. Se puder faça isso o mais breve possível. Tenho certeza que ele lhe fará ter bons momentos de reflexão e que poderá ser um bálsamo no dia-a-dia tão corrido. Se permita ser preenchido por essas palavras tão amorosas e depois conta pra gente o que achou.

  • Não julgue um livro pela capa
  • Autor: Matheus Rocha
  • Ano: 2019
  • Editora: Outro Planeta
  • Páginas: 256
  • Amazon

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