Já dizia o ditado popular que o melhor do Brasil é o brasileiro e que, como aparentamos não conhecer limites, zombamos a plenos pulmões até da nossa própria história. Aquela que você estudou com certo malgrado na escola, se remexendo na cadeira e trocando bilhetinhos com o colega enquanto o professor te explicava algo importante. Lembra? Começou lá antigamente com uma caravela e um “terra à vista” que ecoou pelos sete mares, mas não é assim que este livro funciona.

Quando você acredita que já leu de tudo, eis que um jornalista curitibano apresenta com o jeitinho brasileiro e uma larga dose de humor ácido, a história do Brasil como você nunca viu antes. Te garanto, depois de ler esse livro você nunca mais irá olhar para o nosso passado com medo de se entediar.

Ricardo Mioto nos remete à uma conversa de bar entre dois amigos com seu linguajar despojado que busca relaxar e ilustrar o leitor de alguns fatos verídicos, porém cômicos, que podem ser constatados com breves pesquisas. O jornalista não perdoa ninguém, desde o Brasil Colônia, passando pelo Império, as conturbadas fases de quase comunismo e regime militar até as crises da República.

Em Breve História Bem-Humorada do Brasil: A Jornada Extraordinária de um País Atrasado do Século XVI para se Tornar um País Atrasado do Século XXI, como o próprio título e subtítulo induzem, o autor debocha de nossa história com o intuito de tornar mais leve os erros e tropeços de nossos antepassados.

Apresentando uma escrita simples e irregular com algumas peculiaridades que vez ou outra tornam a leitura divertida e instrutiva, Mioto entrega ainda algumas origens de ditados e costumes populares que até os dias atuais continuam a ser usados. Por exemplo, havia um beco nas ruas de São Paulo que possuía o nome de Beco da Merda e o motivo se dá pelo simples fato de naquela época não haver esgotos ou saneamento básico, sobrando apenas um lugar para os baldes de excrementos, ou seja, janela à fora e sai debaixo.

É a cara do Brasil. Deveríamos trocar o “Ordem e Progresso” da bandeira por “Cachaça e Briga no Bananal”!

O livro traz passagens bastante curiosas sobre hábitos e certos costumes que se perpetuam até hoje, sempre utilizando do humor para aplainar certos eventos históricos. A Declaração da Independência, a República do Café com Leite, a execução de Tiradentes, o populismo de Getúlio, os 50 anos em 5 da era JK são algumas datas importantes que, como o restante do livro, ganharam leves zombarias do autor.

Mas, como o mesmo nos alerta já de início, essas páginas estão longe de serem uma obra acadêmica ainda que várias reflexões filosóficas e morais possam ser extraídas com a ajuda do autor que elucida, nos momentos de seriedade do livro, nossas falhas como nação e sociedade.

Contudo sua tentativa de atrair o leitor por meio da sátira foi um tiro pela culatra para mim, tornando a leitura enfadonha e sensacionalista. Afinal, pode não ter sido tudo um “mar de rosas” na história do Brasil, mas rir da mesma não conserta ou melhora em nada nossos defeitos, pelo contrário faz-nos sempre dar a volta em um ciclo sem fim de imaturidade e descrença com nosso próprio povo e tudo que podemos conquistar.

Ao longo de toda a sua trajetória, o Brasil fracassou em manter um ritmo consistente de desenvolvimento. Evoluímos de soluço em soluço, com cada vitória sendo devidamente atropelada por uma derrota posterior. […] O jogo do desenvolvimento é apenas o jogo da educação básica.

A obra, apesar de não acadêmica, parece ter sido pensada para dois tipos de público; um deles é, como eu, aficionado por história e/ou romances históricos enquanto o outro é estreante nesse meio não-ficcional. Enquanto para mim a construção do livro não agrega valor algum, apenas breves momentos espalhados durante a leitura de tímidas risadas, para outros, inclusive você, poderá agradar perfeitamente.

Afinal, Mioto mostra ser sabedor dos eventos que nos trouxeram como país e povo até o momento presente, mas talvez, e só talvez, algumas de suas iniciativas espirituosas tenham excedido o peso, tornando certas partes pitorescas.

  • Breve História Bem-Humorada do Brasil
  • Autor: Ricardo Mioto
  • Ano: 2019
  • Editora: Record
  • Páginas: 238
  • Amazon

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