Nada a Perder contará a história de Derek Ouelette, um ex-atleta de hóquei que já foi uma promessa do esporte. Hoje ele já nem se lembra desta época. No fundo do poço, Derek hoje é um cara solitário, que vive numa cidadezinha isolada no norte do Canadá e que usa a bebida como válvula de escape para esquecer um passado que ainda não conhecemos. As coisas mudam quando a vida lhe surpreende e Derek é forçado a fazer escolhas e não mais viver dentro da sua comodidade.

Jeff Lemire tem me surpreendido a cada leitura e sem dúvidas, de todos os títulos que já tive o prazer de ler sob sua autoria, Nada a Perder foi o tipo de leitura que me reservou alguns murros na cara. Esta é uma história que falará essencialmente sobre recomeços e segundas chances. É sobre aprender algo ao longo de todo o caminho.

Este é o tipo de história comum, que provavelmente poderia ser a história de alguém próximo e por isso que é possível se identificar tanto com Derek e com este quadrinho. A violência é um fator muito presente na história, o próprio Derek é uma pessoa muito agressiva (ao longo da leitura entenderemos o motivo), mas o enredo também abordará temas como violência doméstica e sentimentos como abandono e traumas, ou seja, pode ser uma leitura que cause algum tipo de gatilho.

Através da leitura acompanharemos o efeito desses temas na vida dos afetados e a forma como isso pode reger a vida dessas pessoas, direta e indiretamente, e também das gerações futuras.

A arte é predominantemente fria, azul, branca e preta. As cores só aparecem quando vemos o passado e entendemos que ainda existia cores na vida desses personagens nesta época. O presente é frio e solitário, não só para Derek, mas como para sua irmã Bethy, também vítima de um ciclo de abuso. O sangue também ganhará seu tom, para ressaltar todos os momentos de violência.

Nada a Perder é um acerto de contas com o passado. A trajetória de Derek é uma evolução linda que vai da decadência a redenção. É uma história que te conquistará aos pouquinhos, em meio a arte fria e precisa de Jeff Lemire e que de repente, até te arrancará algumas lágrimas.

Uma curiosidade do quadrinho é o nome original da obra, que se chama “roughneck”, que seria algo como arruaceiro ou desordeiro, a imagem que temos de Derek no começo do quadrinho. Neste contexto, adorei a tradução escolhida pela Nemo, que acaba sendo mais atrativo para o leitor brasileiro.

  • Roughneck
  • Autor: Jeff Lemire
  • Tradução: Jim Anotsu
  • Ano: 2018
  • Editora: Nemo
  • Páginas: 272
  • Amazon

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11 Comentários

  • Ana Paula Moreira
    01 julho, 2020

    Tem muito tempo que não leio quadrinhos, algo que amo. E esse quadrinho parece ser emocionante, eu gostei bastante e também curti o pouco da arte apresentada. A quantidade de páginas esta bem legal para ler tranquilamente.

  • ELIZETE SILVA
    30 junho, 2020

    Olá! Mais uma HQ para a lista de leitura, gostei bastante do enredo que aborda assuntos bem pesados, mas que infelizmente, fazem parte do nosso dia-a-dia.

  • Ycaro Santana
    30 junho, 2020

    Estou anotando várias dicas de quadrinhos nos últimos meses, porque os poucos que li, adorei! Nada a perder com certeza entrou pra lista. O que logo me chamou a atenção foram as cores frias usadas para colorir o traço do desenho, e sabendo da relação com cores e passado do personagem foi uma ideia sensacional. Histórias sobre recomeços quase sempre são emocionantes, ansioso para a leitura.

  • Maria Alves
    27 junho, 2020

    Gostei mais do título traduzido, fica bem melhor. Parece muito triste essa história e reflexiva, muitas tragédias que mexem com as nossas emoções, principalmente porque se compara com a vida real. Gostei desse tom de azul na arte, da um pouco mais de vida nas ilustrações.

  • Aline Teixeira
    24 junho, 2020

    Olá Joi!
    Realmente O Arruaceiro não soa nada atrativo para os leitores rsrs. Adorei a brincadeira com as cores para retratar o estado de espírito do protagonista. É bom ver que os quadrinhos estão ganhando um novo patamar e abordando temas tão relevantes, não apenas aventuras, heróis, etc. Gostei bastante da premissa de ver Derek se arrepender dos erros do passado, fiquei curiosa para saber como ele desenvolveu essa personalidade.
    Beijos

  • Eliane De Jesus
    20 junho, 2020

    parece ser uma estoria bem impactante mas não impossivel de ser vista na vida real .A violencia está presente em muitos lares infelizmente e pode trazer consequencias terriveis
    um enredo que trama de segundas chances é sempre um aprendizado .

  • Luis Carlos
    19 junho, 2020

    Nunca tinha ouvido falar dessa HQ, mas já vi que ela é maravilhosa! Amei as ilustrações, principalmente por conter esses tons mais obscuro, fazendo alusão à história do personagem. Adoro livros que falam sobre recomeço, e nesse estilo em quadrinhos ficou ainda melhor!

  • rudynalvacorreiasoares
    17 junho, 2020

    Joi!
    Jeff Lemire tem se destacada cada vez mais nesse mundo das HQs.
    O plot sobre recomeços e segundas chances, realmente nos pegam de surpresa e nos fazer refletir e mudar algumas de nossas premissas na vida.
    Bom deixar o alerta que pode trazer algum tipo de gatilho para pessoas mais sensíveis.
    Gostei de ver que as ilustrações mostram e mudam de acordo com com as fases de vida da personagem.
    cheirinhos
    Rudy

  • Alison Teixeira
    15 junho, 2020

    Olá Joi!
    Confesso que a resenha me deixou com bastante vontade de ler mais Graphic Novel e HQ’s, que infelizmente ainda não são veículos de leitura frequentes pra mim.
    A história de Derek chama atenção por ser bruta e delicada ao mesmo tempo. Temos uma ampla perspectiva das desilusões do protagonista à medida que o autor vai incorporando elementos que permitem ao personagem seguir em frente e recomeçar.
    E a estética das gravuras combina completamente com os temas complexos que são abordados, tornando a experiência de leitura intensa e impactante. Com certeza a obra deve render uma ótima reflexão.
    Beijos.

  • Amanda Almeida
    15 junho, 2020

    Confesso que não tenho costume de ler quadrinhos, só lia mesmo quando era pequena, mas achei bem legal o que o autor quis passar com o livro. Achei os traços das ilustrações bem bonitinhos, ainda mais com o toque de azul (não tinha feito essa relação com a solidão, mas achei interessante). Esse título é realmente mais atrativo que o original, só de ler já imaginei que seria cheio de reflexões e “murros na cara” hahah.

    Beijos,
    Amanda Almeida

  • Angela Gabriel
    15 junho, 2020

    O cantinho que a gente mais encontra dicas de Graphic’s, Hq’s, quadrinhos..rs ou seja, tudo sobre esse gênero que tem dominado os desejos dos leitores!
    Eu já tinha dado uma olhada nessa Graphic, até pelo jogo de cores entre passado e presente e os toques de vermelho nas cenas mais violentas.
    Espero poder ter a obra em mãos em breve!!
    Beijo