As circunstâncias que delimitaram o nascimento de Helena deixaram sua existência marcada para sempre no mundo. Nascida de um crime terrível, Helena é filha de uma jovem que foi sequestrada aos dezesseis anos de idade e mantida em cativeiro durante quatorze anos. Tudo o que Helena conheceu durante a maior parte da sua vida eram os segredos dos pântanos da Península Superior do Michigan e como sobreviver na natureza. 

Atualmente, casada e mãe de duas menininhas, Helena ainda tenta se adaptar a esse mundo tão diferente do qual ela cresceu e manter mais distante possível sua antiga vida. Entretanto, sua rotina pacata é interrompida numa tarde quando pelo rádio do carro ela fica sabendo que Jacob Holbrook, seu pai, conseguiu fugir da prisão e uma caçada por ele se inicia. Helena precisa se preparar para essa caçada e deseja que essa seja a última vez. 

Foi uma vida boa, até não ser mais.

A Filha do Rei do Pântano escrito por Karen Dionne é um thriller psicológico, publicado em 2019 pela Verus Editora, que envolve sequestro de menores, estupro e assassinato, o que fica de alerta de gatilho. Todavia, diferentemente de outros livros que apresentam o sequestro como pano de fundo da história, a narrativa do livro não está voltada para o ponto de vista da vítima ou do sequestrador, mas sim, da filha dos dois que desenvolveu um relação bem diferenciada com esses personagens.  

O meu contato com esse livro foi através do clube de assinatura TAG Livros e quando eu li a sinopse fiquei totalmente interessada pelo fato do livro apresentar uma perspectiva não usual. E devo confessar que me surpreendi muito e cheguei até me sentir perturbada pela relação entre pai e filha. Mesmo entendendo os motivos e a situação que permeia a relação, eu me senti muito incomodada com o ponto de vista da Helena quando criança. Diversas vezes me senti impotente, querendo alterar todo aquele ambiente e sem poder alguma para isso. 

Além desse ponto de vista tão inusitado, o livro também aborda diversas questões bem importantes sobre como nossa identidade e personalidade é tão influenciada e determinada pelas pessoas e o ambiente em que vivemos. O livro reforça também, a capacidade e o poder que a sociedade possui de transformar as pessoas em celebridades ou em inexistentes ao mesmo tempo. 

Acredito que só pelo que eu falei você já deve ter percebido o quanto a escrita da autora não nos deixa passar por despercebidos. Karen Dionne tem uma escrita muito fluída e totalmente envolvente. Desde a primeira página eu já me senti tão fisgada que tanto nos momentos que remetiam ao passado de Helena quanto no seu presente, eu ficava ansiosa para saber o que aconteceria em sequência, sempre esperando por algo melhor. 

Não se pode sentir falta do que nunca se conheceu.

Outro ponto que preciso ressaltar é que a autora fez uma mistura muito interessante entre a história do livro e trechos da fábula, também intitulada A Filha do Rei do Pântano de Hans Christian Andersen, que é um escritor, principalmente, de contos infantis. A autora mesclou muito bem trechos dessa fábula em alguns inícios de capítulos, que conversavam com os acontecimentos que viriam a ser relatados e isso me chamou tanto a atenção, que ao pesquisar sobre, descobri no site da TAG que o livro possui diversos aspectos inspirados nesse conto. 


A Filha do Rei do Pântano é um de suspense psicológico extremamente envolvente, que cumpre fielmente com seu propósito. Caso você tenha interesse em ler outros livros de Karen Dionne, apesar de não traduzidos no Brasil, a autora conta com outras obras famosas como Freezing point, Home e The Wicked Sister, sendo que o último foi lançado esse ano. E se você “gosta” de livros de suspense com sequestro, leia também Dias Perfeitos de Raphael Montes ou O Colecionador de John Fowles.

Confira a resenha de O Colecionador

Se você já leu A Filha do Rei do Pântano também, conta aqui embaixo o que achou. Se você ainda não leu, me conta se achou interessante e me contem também o que acharam das indicações, eu amo um suspense mas sobre sequestro quero muito ler mais. 

  • The Marsh King's Daughter
  • Autor: Karen Dionne
  • Tradução: Cecília Camargo
  • Ano: 2018
  • Editora: Verus
  • Páginas: 300
  • Amazon

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14 Comentários

  • […] Confira a resenha de A Filha do Rei do Pântano […]

  • George Ricarte
    31 outubro, 2020

    Não conhecia a obra, me interessei bastante! Gosto muito de thriller psicológico.

  • vitoria ferreira
    30 outubro, 2020

    A cada post estou cada vez mais maravilhada com as emoções que um livro de suspense/thriller pode passar, não conhecia esse livro e definitivamente vai para a minha listinha de desejos.

  • Luana Martins
    29 outubro, 2020

    Olá, Izabela
    Faz um tempinho que desejo esse livro, mas como minha lista de desejos é longa. Ainda não comprei esse, a capa da edição da Tag é mais linda que a comercial.
    Em relação ao livro li várias resenhas, mas a maioria foi de comentários negativos.
    O livro tem uma premissa atraente, sua resenha me animou para poder ler. Não sabia a respeito do conto de Andersen.
    Beijos

  • ELIZETE SILVA
    29 outubro, 2020

    Olá! Helena me parece uma personagem bem complexa, não sabia dessa mescla com a fábula, do Hans Christian Andersen, achei essa edição da Tag mais bonita, confesso que não curto muito a capa da Verus.

  • Bibiz Dca
    27 outubro, 2020

    Comprei e ainda não li. Vou colocar na listinha de proximas leituras

  • Gabriela Lima
    19 outubro, 2020

    Eu lembro quando ele saiu pela TAG, pois eu tinha amado a capa. Quem diria que é um thriller psicológico.
    A premissa me interessou e agora que saiu pela Verus quem sabe eu não crie coragem para lê-lo hahah

  • Amanda Barreiro
    19 outubro, 2020

    Olá! Eu não sou tão fã de thrillers, não costumo acompanhar o gênero. Achei a premissa desse meio macabra, me lembrou um pouco O Quarto de Jack, um filme que me deixou péssima, porque tem essa pegada de sequestro, abuso etc. Parece um ótimo livro, mas não sei se eu leria. Abraços.

  • rudynalvacorreiasoares
    17 outubro, 2020

    Iza bela!
    Não tive oportunidade de ler esse livro ainda, mas gosto muito de triller psicológico e fiquei bem interessada, ainda mais para saber sobre essa relação de pai e filha, porque geralmente em casos do tipo, a relação é bem deturpada.
    Deve ser um super livro.
    cheirinhos
    Rudy

  • Angela Gabriel
    17 outubro, 2020

    Estes dias eu li uma resenha muito positiva sobre esse livro e isso de certa forma, me surpreendeu. Pois se minha pouca memória não estiver mais falha que o habitual, teve leitor que até abandonou essa obra ;/
    E eu me arrependo amargamente de nunca ter sentido vontade ler.
    Agora, já preciso para ontem, pois Helena não só teve um passado repleto de dor, mas carrega toda essa dor e muitos fantasmas junto de sua vida!!!!
    Espero ler o quanto antes!
    Beijo

  • Angela Gabriel
    17 outubro, 2020

    Estes dias eu li uma resenha muito positiva sobre esse livro e isso de certa forma, me surpreendeu. Pois se minha pouca memória não estiver mais falha que o habitual, teve leitor que até abandonou essa obra ;/
    E eu me arrependo amargamente de nunca ter sentido vontade ler.
    Agora, já preciso para ontem, pois Helena não só teve um passado repleto de dor, mas carrega toda essa dor e muitos fantasmas junto de sua vida!!!!
    Espero ler o quanto antes!
    Beijo

  • Bruna Lago
    16 outubro, 2020

    Nossa, que passado cruel! Imagina ele voltar para assombrar você, ne?!Gosto muito desses livros psicológicos, ainda que sejam temas bem pesados, na maioria das vezes. Que bom que você trouxe o aviso, alguns iniciam a leitura sem saber do que se trata.
    Foi muito interessante mesmo trazer a história da filha, acho que nunca li nada assim .Que bom saber que ele foi tão bom!!

  • Ingrid Sodré
    16 outubro, 2020

    Oi, Isabela!

    Quem vê essa capa “fofinha”, não sabe o que espera, né? Hahaha. Eu não conhecia o livro, mas é o tipo de leitura que me interessa. Achei super legal que a perspectiva é da filha, é ruim por um lado, porque como você disse, a gente fica impotente assim como a criança, que é a vítima, mas mesmo assim, acho que é um ponto de vista interessante da história. O livro é relativamente curto, então pelo que sua resenha me passou, é daqueles que a gente simplesmente devora. Gosto disso!

  • aryela_souza
    16 outubro, 2020

    Eu thriller/suspense psicológico e esse, como vários outros livros que vocês resenham por aqui, quero muito ler. Nao sabia dessa mescla com o conto do Hans, que geralmente não tem nada de bonitinhos esses contos ne, bem interessante.