Possivelmente esta vai ser umas das resenhas mais difíceis que já fiz. Você deve estar se perguntado: “O livro em questão é ruim?” A resposta é: Não! Hackeando Darwin é interessantíssimo, porém, diferente de outros livros que já resenhei aqui para o Estante. Como eu sou da área da saúde, já li diversos artigos científicos, escrevi vários deles, mas ainda assim, a escrita desta resenha tornou-se desafiadora. Desafiadora pois não tenho a capacidade da escrita transparente como o autor Jamie Metzl, e para um assunto complexo, esta capacidade é vital para que o leitor compreenda o que está lendo.
A Teoria do Evolucionismo foi desenvolvida principalmente pelo naturalista Charles Darwin, em meados dos anos 1850, e através dela, Darwin afirmou que a evolução das espécies ocorre através de seleção natural. De lá para cá, muita coisa mudou, e aí que entra o assunto abordado por Metzl: Muita coisa ainda vai mudar, e até que ponto a humanidade – nós – estamos dispostos a aceitar tais mudanças.

Diversos pesquisadores espalhados pelo mundo tem conhecimento sobre este assunto, e poderiam dar palestras e aulas detalhadíssimas sobre decodificação do genoma humano, fertilização in vitro, reprodução assistida e assuntos deste gênero, porém, poucos tem a capacidade de explanar o assunto, de forma que fique acessível a todos. Aí está o trunfo de Metzl. O autor tem a habilidade de transformar algo complexo e de difícil compreensão, em algo simples para leigos no assunto.
Somos apresentados ao mundo das bases nitrogenadas! Quem lembra da escola: Adenina, Guanina, Citosina e Timina? Tudo que define quem nós somos, é baseado na sequência única das nossas bases nitrogenadas. Com o internacional Projeto Genoma Humano, iniciado em 1990, a evolução ocorreu – e ocorre – a passos largos. Não só sabemos grande parte do nosso genoma, como também sabemos como modificá-lo. Esse é o principal questionamento do livro. Estamos preparados para tudo que isso significa?
Metzl afirma que a “tradicional” forma de concepção de bebês está com os dias contados. E afirma com os seguintes questionamentos: Se você puder evitar que o seu filho tenha uma doença horrível, você não optaria por isso? E se pudesse escolher o com maiores chances de ser mais alto? Com QI maior? Com olhos de determinada cor? Com aptidão para esportes? Se formos por este caminho, o que ficaria ao acaso? Mas se formos contra, é justo com o nosso futuro e hipotético filho, não escolher o melhor para ele?

Com foco em questões morais e impactantes mescladas com questões técnicas e o que nos aguarda no futuro da Engenharia Genética, Metzl deixará todos os leitores apreensivos, pois com a sua narrativa, somos arrancados do pensamento: “Isto é coisa do futuro, não preciso pensar sobre isso!” e somos inseridos no âmbito pessoal. Ele nos insere na situação real, essas escolhas deverão ser feitas por nós. E muito em breve!
Além do âmbito pessoal, podemos estar diante de um impasse na história da evolução da humanidade: até o presente momento, evoluímos de acordo com a teoria darwiniana, mas pelo que lemos até agora, poderemos nós humanos, mudarmos a nossa própria evolução? Melhorá-la e aprimorá-la cada vez mais, mas até quando? Teremos discernimento para estas escolhas?
Confesso que em diversos momentos concordei com o autor, para em seguida discordar. É um livro que parece ficção científica, mas não é. E isso foi bem impactante para mim, ler sobre como impactaria a minha vida, de forma individual, mas também para onde isto está levando a humanidade me deixou de “cabelos em pé”! Diversos são os questionamentos levantados por Metzl, e eu ficaria muito feliz em ouvir a opinião de vocês sobre estes assuntos!

- Hacking Darwin
- Autor: Jamie Metzl
- Tradução: Renan Cardozo
- Ano: 2020
- Editora: Faro Editorial
- Páginas: 304
- Amazon



8 Comentários
Também sou da área da saúde e, na faculdade do ano passado p/ cá, me redescobri no mundo da genética, acho tudo tão fascinante.
Ainda não conhecia esse livro, apesar de já ter ouvido falar de um que é bem mais complexo. Iria amar realizar a leitura desse livro, até porque ele me parece ter respostas para perguntas que nem nós mesmos sabíamos que estamos sempre questionando! Adicionar na wishlist p/ ontem!!
Uma bela dica, gostei da proposta desse livro, vou adicionar à minha lista!
Novo post com sugestões:
https://pitacosquixotescos.blogspot.com/2020/12/aos-amigos-leitores.html
Olá! Realmente parece ser um livro que vai nos deixar com muitos questionamentos, não sei se estamos preparados para esse nível de poder de escolha, afinal como disse Tio Bem “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” e as consequências dessas escolhas é o que me deixa mais apreensiva, ainda assim fiquei curiosa, já que esse é um livro que aborda um superimportante.
Oii,
Não conhecia o livro, mas achei superinteressante. E acho que algumas dessas mudanças podem sim acontecer!
Vou querer lê-lo para entender mais!!
Bjs
elvisgatao.blogspot.com.br
Já li um livro muuito parecido com esse, infelizmente não vou lembrar o nome, mas achei na biblioteca da minha escola, eu deveria ter uns 14 anos, e achei o tema muito interessante e também trazia esses assuntos, falava da descoberta das bases nitrogenadas, enfim… também sou da área da saúde e acho que esses temas sempre chamam nossa atenção em algum momento. Fiquei bem interessada e curiosa como o autor conseguiu falar de tanta coisa e tão bem.
Ótima resenha!
Lili!
Bem, apesar do livro ficção, não acho não, porque a cada ano, a evolução nessa área tem sido grande demais.
Olha, acredito que aconteça em breve os relatos do livro, entretanto, não concordo com certas partes, porque acredito no processo natural da vida e não devemos mexer com o que não se sabe ainda….
cheirinhos
Rudy
“Confesso que em diversos momentos concordei com o autor, para em seguida discordar.” Mas esse é o legal do se pensar né, poder discordar e nao concordar com tudo o que le, ouve, etc. O assunto realmente é interessantissimo, mas ate um pouco assustador, principalmente a parte que diz se a gente pudesse escolher a cor do olho, tipo de cabelo, etc, imagine isso… praticamente seria um robo, e se for pensar isso no mundo em que vivemos, meu deus. O assunto parece ser bastante de ficcao cientifica mesmo.