Este teste funciona como um termômetro crítico para identificar a falta de profundidade ou a ausência de papéis relevantes para mulheres em obras de ficção, sejam eles na literatura, cinema ou na TV, avaliando assim preconceitos e estereótipos femininos nas produções.

Para questionar essa realidade existem três principais requisitos em que a obra em questão precisa ser aprovada.

  • Ter pelo menos duas mulheres nomeadas, ou seja, personagens femininas com nome, não apenas figurantes.
  • Que interajam entre si, ou seja, elas devem conversar de forma direta em cena.
  • A conversa entre elas não pode girar em torno de personagens masculinos ou relacionamentos com homens.

Alison Bechdel é uma cartunista americana famosa por suas histórias autobiográficas. Em 2006 publicou o incrível Fun Home – Uma Tragicomédia em Família, publicada pela Todavia em 2018. O teste recebe o nome de Alison, devido a um questionamento de uma de suas personagens (inspirada em uma de suas amigas) no quadrinho de Dykes to Watch Out For, em uma tirinha chamada “A Regra”.

Essa analise ainda é importante de ser feita, nos dias de hoje, porque destaca algo que continua faltando em nossa cultura popular: não o número de mulheres que vemos na tela, mas a profundidade de suas histórias, e sua gama de interesses na trama apresentada.

Obras publicadas no Brasil pela autora Alison Bechdel

Diante isso é interessante analisar a presença feminina nas narrativas contemporâneas. Durante décadas, o cinema e a literatura direcionaram as mulheres o papel de coadjuvantes: discretas, contidas, moldadas pelo olhar masculino. Hoje, porém, já é possível enxergar uma disputa narrativa.

Se antes a heroína era a musa, a vítima ou a guerreira idealizada, agora surgem personagens que desafiam essas molduras. Filmes e séries contemporâneos começam a mostrar mulheres complexas: contraditórias, vulneráveis, mas também potentes. Não são apenas símbolos de resistência, mas sujeitos que erram, desejam e se reinventam. Essa mudança expõe a crítica ao modelo tradicional que sempre exigiu que a mulher fosse “exemplar” para ser aceita.

A presença das mulheres nas narrativas não precisa de grandes gestos visuais para se afirmar. Sua estética acompanha sua atitude: seja ela em cores neutras, figurinos simples e uma linguagem corporal precisa ou cores fortes e chamativas. Essas sutilezas nas representações também se reflete na cultura digital, como as encontradas em, ambientes visuais que privilegiam calma e imersão.

Na literatura, autoras têm ampliado o espaço da experiência feminina, explorando o silêncio, mas também o grito, a raiva e a recusa. A heroína literária do nosso tempo não é apenas introspectiva: ela é múltipla, capaz de ocupar tanto o silêncio quanto a palavra como armas narrativas.

O que se anuncia é uma feminilidade que não aceita ser reduzida à contenção. O público busca mulheres que falem, que se calem, que gritem, que escolham. O cinema, a literatura e a televisão fazem papel fundamental no papel da mulher, e essa reescrita não é suave: é crítica, é política, é urgente.

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