Publicado originalmente em 1945, A Fazenda dos Animais (anteriormente publicado pela Companhia das Letras como A Revolução dos Bichos),de George Orwell, se tornou um clássico por ser uma fábula satírica feita a União Soviética comunista. Ao colocar animais de uma fazenda como protagonistas, o autor mostra como a política stalinista teria traído os princípios da Revolução Russa de 1917.

Em uma noite após o Sr. Jones apagar todas as luzes da Granja do Solar, o velho porco Major organiza uma reunião com todos os bichos para falar sobre um sonho que teve na noite anterior. Antes disso, ele diz que os animais da Inglaterra não conhecem a felicidade, recebem apenas comida para sobreviverem, enquanto os homens, que não produzem ovos, leite e nem puxam o arado, vivem como reis. Assim, os animais, motivados pelo discurso de Major e cansados da exploração dos humanos, armam uma revolução com o objetivo de expulsar Jones e seus homens da granja e implantar o animalismo, um tipo de governo liderado pelos porcos, animais mais inteligentes da granja. Motivados pela canção Bichos da Inglaterra, eles seguem uma lista de mandamentos que vão mudando aos poucos, conforme o interesse dos porcos.


É a terceira vez que eu leio este livro, e todas as vezes acho ele muito incrível. Esta edição traz pela primeira vez o título original. Além disso, a nova tradução, de Paulo Henriques Britto, me agradou bastante. Eu fiz um comparativo com a edição anterior e não há nada de mudanças muito agressivas, mas fica claro o estilo de cada um. O importante que nada da história se perde, então não se preocupe e leia em qualquer uma. Esta edição de luxo conta também com mais de 100 páginas de fortuna crítica, uma série de ensaios que cobrem a recepção crítica do livro desde o seu lançamento até os dias de hoje. Um material muito rico que deixa a obra ainda mais grandiosa e explica muito bem seu contexto. Perfeito para quem quer se aprofundar mais sobre o livro. 

Não tem como falar dos personagens dessa história sem citar os porcos, tirando vantagem da sua inteligência e da burrice e ingenuidade dos demais animais, eles constroem um sistema de exploração pior que o do velho Jones, mas conseguem fazer com que todos acreditem que aquilo é o melhor para os bichos. É impressionante ver como esse processo todo se dá na obra, chega a ser revoltante. Muitos animais questionam o que está acontecendo na granja, mas uns são convencidos pelos outros que tudo está melhor assim. Além disso, em muitos momentos, os próprios porcos fazem intervenções pontuais com discursos bonitos e afirmações certeiras, que convencem na mesma hora.

Um dos pontos altos do livro são os mandamentos. Todos eles passam por processo de mudança durante os acontecimentos. É simplesmente surpreendente ver as alterações acontecendo, os animais desconfiados, e os porcos dissimulados agindo como se nada tivesse acontecido. Fica claro durante a leitura que tudo isso só foi possível, pois os porcos eram os únicos que dominavam a leitura. Isso nos leva a analisar que todas as atividades complexas da granja estavam sob domínio dos porcos, que não faziam nenhuma questão de deixar nada que não fosse braçal aos outros animais. Tudo isso é construído por Orwell com maestria, que tece um clássico do início ao fim. Sim, o final é simplesmente um dos melhores que já li! 

“Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.”

Publicado em plena Segunda Guerra Mundial, compreender o contexto em que a obra foi publicada é crucial para seu entendimento, então a leitura do prefácio é muito importante, pois nele o autor explica um pouco dos motivos que o levaram a escrever o livro. Acredito que isso deve ser feito antes da leitura da história em si, pois assim já embarcamos na Granja Solar sabendo quem é quem. A escrita de A Fazenda dos Animais está recheada de fundamentos socialistas e igualitários, Orwell abusa de uma linguagem metafórica com muitas referências para criticar o totalitarismo.

A Fazenda dos Animais  é uma história atemporal e que merece ser passada de geração em geração, uma obra que gerou muita censura e discussão na época e que hoje está eternizada. É uma leitura mais que recomendável, é uma leitura obrigatória.

  • Animal Farm
  • Autor: George Orwell
  • Tradução: Paulo Henriques Britto
  • Ano: 2020
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 276
  • Amazon

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