O sentimento que me acompanhou durante a leitura de A Cidade de Vapor foi de nostalgia e saudade. Principalmente por ter em mãos aquele que é o último livro do autor Carlos Ruiz Zafón, uma obra póstuma que reuni onze contos do autor, sendo três inéditos. É como receber um abraço, um carinho deixado pelo autor para seus leitores que tão precocemente o perderam. O livro é pequeno, porém gigante em seus textos, é impossível não reviver maravilhado as letras, e a forma tão única de contar uma história como Zafón fazia, criando seu próprio gênero, explorando os vários elementos que ele com maestria orquestrou na construção de seu universo.

Falando dos contos, logo de cara vamos retornar ao universo de névoa e sombras de uma Barcelona que ganha vida, que pulsa aos olhos do leitor, através das páginas, também iremos reencontrar personagens já queridos que para muitos se tornou um favorito, como por exemplo, David Martín, jovem e vivendo uma paixão. Autores malditos, atormentados. O drama que aperta o coração, que nos coloca a sentir, através de um personagem trambiqueiro, que usa sua filha adotiva em seus golpes. Drama este que o autor nunca teve problema em explorar, fazendo com que nos despedíssemos de personagens queridos com suas mortes dentro dos enredos. Não posso me esquecer de mencionar o conto que traz assassinos profissionais, o próprio franquismo e como isso arrepia e incomoda.

“(…) um homem deve caminhar enquanto ainda tem pernas, falar enquanto ainda tem voz e sonhar enquanto ainda conserva a inocência, porque, mais cedo ou mais tarde, não poderá mais ficar em pé, não terá mais fôlego e não perseguirá sonho algum além da noite eterna do esquecimento.”

Temos ainda um conto que flerta com o lado mais gótico da escrita do autor, a presença de uma figura sombria já conhecida pelo grande público. Assim como também encontramos aqui, um conto que narra o amor, as relações, a eternidade, o romance ganhando seu espaço. E ainda preciso mencionar duas belas homenagens, a duas grandes personalidades; Primeiro a Miguel de Cervantes – sim o autor de Dom Quixote, e foi lindo vê-lo como um dos autores atormentados, e como o autor se usou de sua própria biografia para incorporá-lo no texto. E a segunda homenagem que foi para o grande arquiteto Gaudi.

Outro momento muito especial da leitura, é quando o autor trás em seu conto Rosa de Fogo e O Príncipe do Parnasso, uma introdução, explana como se deu o surgimento, a intenção de se se criar O Cemitério de Livros Esquecidos, oferecendo “respostas” que a própria quadrilogia não havia entregado até então. O que me leva a fazer uma observação sobre esta leitura. Será muito mais proveitoso, saudoso e interessante para você leitor, ler A Cidade de Vapor, após a conclusão da quadrilogia O Cemitério dos Livros Esquecidos, os contos como um todo trazem personagens, diálogos e momentos que se entrelaçam, se conectam diretamente com os livros. Lembrando que esta é apenas uma sugestão minha.

“Que este lugar seja um segredo, um mistério cuja origem e fim ninguém conheça. E que viva nele para sempre o espírito do maior contador de histórias que já passou por esse mundo.”

Fica aqui essa indicação. A Cidade de Vapor, é regada a carinho, sentimentos e significado para todos aqueles que querem relembrar, revisitar as letras do autor e o poder de suas palavras, que prendem, encantam e sempre deixam um gostinho de quero mais e mais. O que nos conforta é saber que Zafón estará sempre eternizado por suas obras, passe o tempo que passar.

  • La Ciudad de Vapor
  • Autor: Carlos Ruiz Zafón
  • Tradução: Ari Roitman e Paulina Wacht
  • Ano: 2021
  • Editora: Suma
  • Páginas: 184
  • Amazon

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