Uma famosa socialite e seu marido são encontrados mortos na sua casa em Chelsea. Ao lado do corpo dos dois, mais um corpo e uma carta, que faz os investigadores terem certeza de que o que há ali é um caso de suicídio. Além dos corpos temos um bebê escondido em um dos quartos, uma garotinha de pouco menos de um ano, sozinha, mas viva, a única sobrevivente naquela casa. O casal morto tinha outros filhos também, que não estavam ali no dia da tragédia e são dados como desaparecidos, muito interessante isso, né?

Vinte e cinco anos se passam quando uma nova carta surge na vida de Libby Jones, com respostas para perguntas que ela teve durante sua vida inteira, sobre seu passado, sobre detalhes de uma época da qual ela não lembra nada.

A Família Perfeita é uma história com uma abordagem bem interessante, com uma ideia muito boa para seu enredo, o suicídio de uma família, aliado ao sumiço de seus filhos, com lembranças desses fatos 25 anos depois deles acontecerem. Histórias que intercalam presente com passado sempre formam enredos muito interessantes, mas para isso ela precisa ser coerente e não fantasiosa.

Na minha opinião, obra não tem nada de perfeito, achei seu desenvolvimento até legal, como quase sempre é quando o enredo é construído envolvendo épocas diferentes, mas a sua estrutura precisa trazer detalhes que façam sentido e eu achei que isso não aconteceu.

Lisa é uma escritora consagrada já, com milhares de livros vendidos pelo mundo, variando seu estilo entre o suspense psicológico e os romances, mas o que sempre está presente em suas obras são as tragédias familiares, que sempre norteiam seus enredos, criando a estrutura de suspense psicológico, ativando todos gatilhos possíveis e mexendo com a cabeça de quem lê. O livro está com um hype imenso, com notas altíssimas, e eu não consegui entender o porquê de tanto clamor por essa história, infelizmente.

Achei o livro com um desenvolvimento interessante, até o formato no qual a Intrínseca trouxe ele às nossas livrarias, não tão grande quanto os livros normais, com parágrafos pequenos e vários diálogos. Facilitando a leitura, aumentando o ritmo dela, auxiliando o leitor e proporcionando um prazer maior em lê-lo, tornando-o mais leve. Porém o livro parecia ter um caminho óbvio para mim, só havia um caminho possível para a história, e mesmo assim ela consegue ser cheia de coisas pouco críveis, mesmo que em meio às obviedades.

Fiquei me perguntando então “porque Diabos, esse livro está fazendo tanto sucesso?”, e a resposta é óbvia para mim também: sua estrutura é muito bem criada. Bem ao estilo clickbait, com detalhes que instigam a imaginação do leitor, mesmo que ele fique devendo em muitos aspectos. A forma como seu enredo se desenvolve é perfeita, o que remete ao fato já mencionado aqui sobre ele ser um livro fácil de ler, seu roteiro vai encaminhando uma cena de impacto após a outra, elevando a expectativa de quem lê e até deixando o leitor curioso para saber o que vem pela frente.

Outro ponto muito positivo do livro é seu cenário, a casa chique da família Lamb, onde acontecem os suicídios, é muito bem descrita, seus ambientes, sua estrutura, a maneira como as pessoas se relacionavam nela e todos os segredos e detalhes que seus moradores possuíam. Tudo isso instigam o leitor de uma maneira muito boa, tornando-a personagem de uma história onde os humanos quase se tornam secundários perto dela.

Mas é só também, esperava um livro muito diferente, a impressão que fiquei foi que a escritora quis apenas causar, chocar, abordando assuntos delicados e perigosos, sem saber como lidar com estes fatos dentro da sua história. Acontece muita maldade no livro e fiquei pensando se aquilo seria possível, se seria provável que aquelas coisas acontecessem na vida real, e depois de muita reflexão, acho que seria possível sim, mas muito muito improvável. E quando aliado a todas questões familiares que envolvem a obra, as coisas ficariam ainda mais difíceis de acreditar.

Infelizmente, quando a gente não compra a ideia central de um livro, as coisas ficam bem complicadas. A Família Perfeita de Lisa Jewell é uma história que muita gente achou ótima, que muitos leitores favoritaram, mas que pra mim foi só uma busca pelo diferente e pelo chocante, deixando de lado a coerência e o realismo, dois pontos que eu não abro mão nos livros que me agradam.

  • The Family Upstars
  • Autor: Lisa Jewell
  • Tradução: Thais Brito
  • Ano: 2022
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 400
  • Amazon

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