Rainha Charlotte surgiu com duas versões da mesma história: o livro A Rainha Charlotte, escrito por Julia Quinn em parceria com Shonda Rhimes, e na série da Netflix, Rainha Charlotte: Uma História Bridgerton. E depois um tempo, resolvi falar sobre as minhas impressões sobre ambos e diferenças que notei ao assistir e ler essa histórias através dessas duas mídias.

    Na ficção, a história se passa em 1761, quando Charlotte de Mecklenburg-Strelitz encontra pela primeira vez seu noivo, o rei George III. Nascida na Alemanha, Charlotte se mostra como uma mulher obstinada e muito inteligente, algo não muito esperado para uma Rainha, mas mesmo assim, no mesmo dia em que se conheceram, eles se casam.

    Ao assumir seu papel como Rainha, logo Charlotte se vê restrita aos segredos de George, segredo esse capaz de ameaçar os interesses da própria monarquia britânica, afinal, que povo gostaria de ter um “Rei Louco”?

    Paralelamente ao seu relacionamento com George, Charlotte precisa se adaptar aos conflitos políticos da Corte, ocupar seu espaço por direito, e aqui a autora trabalha questões raciais e as mudanças que a chegada da nova rainha proporcionou a sociedade com sua chegada.

    Já na história, a Rainha Charlotte realmente existiu, e seu reinado foi de 1761 a 1818, Além disso, conforme estudos, foi a primeira rainha com ascendência africana da Inglaterra. Ela se casou com George III aos 17 anos de idade, tornando se assim rainha da Grã Bretanha e Irlanda. George III provavelmente sofria de porfiria, uma doença genética que afeta o funcionamento do cérebro.

    Voltando para a ficção, em ambas as histórias, série e livro, a gente vai acompanha duas fases da Rainha Charlotte, o passado, em seu casamento e vida pós casada, e no presente, precisando lidar com a iminente falta de um herdeiro para o trono. Paralelamente a protagonista, a história recebe diversas narrativas como a de Lady Danbury e Lady Violet, matriarca da família Bridgerton.

    Publicado em 2023, o livro traz uma narrativa romântica e mais detalhada, uma história mais intimista onde mergulhamos nos pensamentos e sentimentos dos personagens, expandindo assim o nosso conhecimento referente ao universo Bridgerton. Enquanto na série de TV, também lançada em 2023 pela Netflix (ambos nasceram juntos, o livro foi escrito paralelamente à série), é visualmente mais rica, com figurinos deslumbrantes, coloridos, cenários, trilha sonora e atuações que dão mais vida a história.

    O livro foca mais no romance na construção do relacionamento de Charlotte e George, enquanto a série destaca mais a política, a sociedade como um todo, além de contextualizar mais os personagens através de flashbacks.

    Mesmo com essas diferenças, A Rainha Charlotte deve agradar a todos, os fãs de Julia Quinn e quem ama seu estilo clássico da escrita e na profundidade dos detalhes românticos. E para quem prefere seguir apenas a série, deve se sentir muito bem comtemplado pela série. Ela é diversa, traz muitas representações e um impacto visual que só as histórias Bridgerton fazem atualmente.

    Jorge III, Rainha Carlota e seus Seis Filhos Mais Velhos, por Johann Zoffany em 1770. Esquerda para direita: Guilherme, Jorge, Frederico, Eduardo, Jorge III, Carlota e Augusta Sofia com a rainha Carlota.

    De um jeito ou de outro, os dois formatos se completam, então não há como ficar órfão dessa história. Quem lê o livro entende melhor os sentimentos que permeiam os personagens e quem vê a série mergulha na estética desse universo e no drama da história. Essa é uma história linda, impactante, que trata sobre o amor, poder, preconceito racional e o papel da mulher na sociedade, pois Rainha Charlotte se prova uma mulher extremamente forte e determinada.

    E se serve como incentivo para você, na história real, esse amor entre George e Charlotte foi igualmente marcante, George sempre foi fiel a sua esposa e ao todo, tiveram 15 filhos. Uma história digna de um “felizes para sempre”.

    • Queen Charlotte: A Bridgerton Story
    • Autor: Julia Quinn, Shonda Rhimes
    • Tradução: Livia de Almeida
    • Ano: 2023
    • Editora: Arqueiro
    • Páginas: 352
    • Amazon

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