Dama da Meia-Noite, por Cassandra Clare

21 maio, 2026 Por Mariana Iazzetti

Estamos em 2026 e a alguns meses do lançamento do próximo livro das Crônicas dos Caçadores de Sombras – então cá estou eu, relendo a trilogia Os Artifícios das Trevas em homenagem à minha eterna adolescente interior.

Dama da Meia-Noite acompanha a história de Emma Carstairs e dos irmãos Blackthorn, jovens Caçadores de Sombras: humanos com sangue de anjo, que devem defender o mundo de forças demoníacas. Suas vidas são virada do avesso quando esse pequeno grupo de habitantes do Instituto de Los Angeles se vê mergulhado em uma trama de assassinatos, mentiras e magia sombria.

Acho que, se tratando de um universo que já está em construção há 20 anos, a primeira pergunta sempre deve ser: é possível começar a ler a saga dos Caçadores de Sombras por aqui? A minha resposta é não. Apesar da autora se dedicar a explicar o mundo e suas regras, os acontecimentos do final de Os Instrumentos Mortais são simplesmente importantes demais para serem ignorados. O que me leva à primeira crítica que tenho: o começo de Dama da Meia-Noite compromete muitas páginas a uma recapitulação que nem agrega na história em mãos, nem é suficiente para contextualizar quem não conhece as demais trilogias.

Minha segunda crítica se volta à composição da trama. Embora a base do livro seja uma grande investigação, a construção narrativa simplesmente carece de senso de urgência. Os desdobramentos são tão lentos e espaçados que não criam nenhuma aura de mistério.

Isso dito, o forte de Cassandra Clare sempre foi criar personagens icônicos e divertidos, com dinâmicas inesquecíveis. E nisso não há como negar, Dama da Meia-Noite entrega um elenco familiar grande mas repleto de suas especificidades. Dá vontade de conhecer o Instituto, ver como é a rotina dessas crianças desconjuntadas e que se amam tanto. Afinal, não podemos esquecer: embora o termo romantasia não existisse na época dos lançamentos, as Crônicas são talvez um dos maiores exemplos do subgênero.

E como tal, o amor avassalador e proibido é absolutamente central à trama. Para mim, a dinâmica entre Julian e Emma passa um pouco do ponto no drama, mas, relendo agora mais velha, consigo enxergar melhor o peso que recai sobre os dois personagens. Fora que melhores amigos se apaixonando para mim sempre será digno de ao menos alguns suspiros.

Para resumir em poucas palavras, Dama da Meia-Noite particularmente me diverte muito toda vez, mas passa longe de ser o livro mais marcante desse universo em termos de história em si. É preciso que o livro te fisgue pelo coração, ou então, nada funciona. Mesmo porque, tantas pontas são amarradas no final desse primeiro volume, que fica difícil engajar o suficiente para querer seguir nessa história só pelos seus acontecimentos. Então, se você se apaixonou por Instrumentos Mortais, não deixo de recomendar que avance na saga, mas é preciso ter em mente que há uma mudança de tom considerável.

  • Lady Midnight
  • Autor: Cassandra Clare
  • Tradução: Rita Sussekind
  • Ano: 2016
  • Editora: Galera Record
  • Páginas: 560
  • Amazon

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