Resenha: A Sereia

22 jan, 2017 Por Joi Cardoso

Título Original: The Siren
Autora: Kiera Cass
Ano: 2016
Editora: Seguinte
Páginas: 328
Compre: SubmarinoAmazon

♥ postado originalmente por mim no Livros e Chocolate Quente.

Depois do estrondoso sucesso que foi e é, a série A Seleção, a autora Kiera Cass recebeu a proposta de republicar sua primeira obra, A Sereia. A autora deu uma repaginada na história, arrumou algumas coisinhas que achou necessário até finalmente chegar no Brasil. A Sereia chegou no início de 2016 nas livrarias, com uma capa tão linda quanto os antecessores da autora e fotografada aqui no Brasil. A edição também leva uma cartinha toda especial e exclusiva para todos as/os fãs brasileiros.

Para ler A Sereia, eu sabia que deveria vestir minha “capinha teen”, e esta decisão jamais foi tão acertada para mim e o porquê eu vou explicar mais abaixo. A Sereia será uma história inspirada na mitologia grega, nos seres metade peixe metade mulher que conhecemos.
O navio de Kahlen, uma jovem de 19 anos, misteriosamente, sofre um acidente em alto mar. Neste acidente, ela, os tripulantes e toda sua família são sugados pelo oceano. Num grito de desespero, Kahlen suplica por sua vida e é ouvida. Quem responde é a Água, personagem mais do que presente nesta história. A Água fará uma proposta para Kahlen, ela poupará sua vida em troca de 100 anos de servidão. Ela aceita e acaba virando uma sereia, assim Kahlen conhece outras meninas que farão parte de sua vida a partir desse momento, e é desta forma que embarcamos nesta história mágica e encantadora.

Após 80 anos de servidão, Kahlen é uma irmã exemplar, a filha preferida da Água, porém, em seu íntimo, Kahlen nunca gostou do que precisava fazer periodicamente. A Água tinha fome e para sacia-la as jovens sereias eram obrigadas a cantar com suas vozes mortais, causando outros acidentes, da mesma maneira que a família de Kahlen acabou falecendo. Era um ciclo necessário para controlar a fúria da Água, mas doloroso demais.
Para suportar o peso de ter que tirar tantas vidas inocentes, Kahlen e suas irmãs tentam levar uma vida normal do jeito que podem quando não estão a serviço. A vida entre humanos era permitida, porém nunca, jamais, algum humano poderia escutar a voz de uma sereia. Além disso colocar em risco a vida das outras, o humano que as escutassem morreria.

Desta maneira, Kahlen e suas outras irmãs, Elizabeth, Miaka e Aisling viviam suas vidas, usufruindo da boa saúde que sempre teriam enquanto servissem a Água e aparentando normalidade para quem vivesse por perto. A vida é agitada, Kahlen e suas irmãs devem se mudar constantemente, pois além de serem irmãs “mudas” as pessoas não poderiam desconfiar que elas nunca envelheceriam. 
Em uma de suas estadias, Kahlen em uma de suas visitas a biblioteca de uma universidade é surpreendida por Akinli, um garoto gentil, e que a princípio, não se importa com o silêncio dela, e nem é atraído por seu encanto natural de sereia, o garoto parece interessado no que Kahlen tem a dizer e isso desperta seu interesse.
A Sereia é uma história fofa, daquelas que te farão dar suspirinhos e sorrir para aqueles velhos sonhos de menina. Eu adorei o modo que Kiera guiou esta história, sem muitas pretensões, mas tecendo e misturando a mitologia com os tempos atuais de uma forma muito própria. A narrativa da autora continua sendo o ponto alto de seus livros, sem que eu percebesse, eu já estava na metade do livro em questões de horas. A autora soube usar a curiosidade do leitor a seu favor.
O cenário que a autora criou é ao mesmo tempo simples, mas também único. Não existe nada de novo sobre a mitologia das sereias que já não ouvimos falar por aí, mas Kiera explora cantinhos que jamais foram explorados antes, como por exemplo, a relação das sereias com sereias, a relação delas com humanos e também com a própria Água e seu senso de dever.

Os personagens secundários no livro também são bem explorados e por vezes, receberam uma melhor atenção minha do que a própria protagonista. A autora soube evidenciar a personalidade de cada um, principalmente, da personagem com maior presença, a Água, com toda sua ambiguidade. Ela consegue ser a mãe protetora e amável, mas também o elemento forte e devastador como conhecemos.
A história acontece no tempo certo e para mim não deixou nada a desejar, preciso até confessar que me emocionei um pouco em A Sereia. Com certeza eu recomendo este livro, para todos os fãs da autora e também para quem deseja ler um romance leve, sensível e despretensioso. Para quem nunca leu nada sobre sereias, acredito que seja uma boa pedida. Com uma história tão singela, Kiera explora ensinamento como o amor de todas as formas e a amizade verdadeira, sem dúvidas um sucesso.

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