Título
Original:
Fight Club 2
Autor:
Chuck Palahniuk
Ano:
2016
Editora:
LeYa
Páginas:
280
Em janeiro do ano de 2015 uma Izabel totalmente fascinada sentou em frente ao
computador com apenas um propósito: escrever uma resenha digna de um dos
melhores livros que havia lido em muito tempo. O livro, lançado pela primeira
vez em 1996, se transformou em fenômeno cult, ganhou filme protagonizado por Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter e colocou Chuck
Palahniuk
no hall de autores preferidos dessa cabecinha confusa e perdida.

Mal sabia, enquanto escrevia aquelas palavras, que uma continuação começava a despontar
no horizonte. Continuação essa que esperei ansiosa, li em apenas um dia e não
trouxe qualquer sentimento à tona.

Clube
da Luta
 (resenha), termina de forma genial, brutal, maravilhosa. Com um final aberto –
confesso aqui meu fascínio por finais abertos – as possibilidades pairavam no
ar como pequenas partículas de poeira, destacadas pela luz do sol que insiste
em entrar por sua janela. O caminho escolhido por Chuck Palahniuk, porém, beira
o inesperado, sendo ao mesmo tempo, totalmente previsível quando o leitor
conhece um pouco da trajetória e mente do autor. Através do formato HQ, iremos
revisitar personagens queridos e únicos, reencontrar algumas das melhores
críticas que o autor já fez a nossa sociedade, nos preocupar com os rumos
escolhidos, mas acima de tudo, perceber que Tyler Durden vive! E não, isso não
é spoiler.
Passei
muito tempo lutando contra essa resenha, esmurrando seu rosto angelical,
machucando os nós de meus dedos nas palavras ordenadas aleatoriamente dentro de
uma história que não chega aos pés daquela que lhe deu origem. Em meio a revolta que surge, percebo meu maior erro! A primeira regra do clube da luta é que você não fala
sobre o clube da luta! Claro! Estava diante de mim o tempo todo!
Não
falando sobre o clube da luta recebo a liberdade que muitos não teriam, não
ousariam buscar. Não falando sobre o clube da luta, retiro meu foco da história aqui presente e sigo para caminhos não antes explorados, escondidos dos olhos que buscam apenas a continuação de uma grande narrativa.
Assim, vou além da história da HQ, história esta que está
mais para uma pequena visão do futuro chato e decepcionante dos personagens, uma grande conspiração mundial pobremente explorada e explicada, uma brincadeira com nossas caras e sacada do autor. Clube da Luta 2 não surpreende, não emociona, mas brinca
com o fato de que, após o estabelecimento de uma grande história, as possibilidades
são infinitas, e é dentro desse mundo de possibilidades que o autor pode se
perder ou criar algo brilhante novamente. Mais do que continuação, revisitamos
uma destas possibilidades e, mais do que revisitar uma destas possibilidades,
brincamos com o fato de que a sombra do que foi, as
expectativas dos fãs e a mente de quem escreve pode, no fim, fazer o que bem
entender.
Vejo
a HQ como uma grande ironia do autor, uma piada interna, um presente para
aqueles que se apaixonaram pelo narrador, gostaram da personalidade de Marla e
admiram a ousadia de Tyler Durden. Ainda encontramos as boas e velhas críticas
sociais, as ironias sobre os costumes absurdos, a falta de perspectiva e
reflexão de grande parte da população, as risadas fáceis e a violência à qual
estamos acostumados, porém, tudo aqui é rápido demais, frenético demais,
mastigado demais, caótico demais e mesmo acostumados pela sociedade, ainda nos debatemos quando tentam nos passar para trás ou nos fazer de bobos.
Clube
da Luta 2
é um presente para os fãs, para os leitores que descobriram a obra
original em 1996 ou apenas em 2016, mas se apaixonaram de qualquer maneira. É
uma HQ tão adorável quanto um soco na cara, tão irônica quanto a própria sociedade,
bem-humorada e violenta, uma obra com a cara de seu autor, Chuck Palahniuk. Acredito
que a experiência com a obra irá depender de cada leitor, da forma como cada um
compreenderá a arte do livro, das reflexões que decidir levar consigo após o
término da leitura. Não vá com sede ao copo, não fale sobre o clube da luta,
mas saiba que, quando encarada da forma correta, uma decepção pode se
transformar em algo mais. Sei que essa resenha não foi convencional, mas a
história também não é. Assim, termino com a frase que todos queriam ouvir:
Tyler Durden Vive!

Confira outras obra do autor:

rela
ciona
dos