Título Original: Hunter’s Run
Autores: George R.R. Martin, Daniel Abraham, Gardner Dozois
Ano: 2017
Editora: Leya
Páginas: 304
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Mais um livro de George R.R. Martin, desta vez em parceria
com outros dois escritores de ficção cientifica, premiados nos Estados Unidos,
mas que eu ainda não conhecia, Gardner Dozois e Daniel Abraham.  O primeiro inclusive já fez um livro em
parceria com Martin, O Príncipe de Westeros, que foi um sucesso de vendas por
aqui e que eu adorei.

A ideia do livro se iniciou em 1976 com um projeto de Dozois, sobre um homem que se veria em um lugar incomum e aterrorizante para ele. George Martin ficou sabendo da história se interessou muito pela narrativa, então, em 1981, criou todo o cenário que envolve a obra, mas desistiu e devolveu-a para Dozois, que somente em 2002 decidiu passar para Daniel Abraham finalizar livro, lançando oficialmente em 2008. Caçador em Fuga é um livro realmente escrito a 6 mãos e durante 30 anos.

                     
Caçador em Fuga é um livro sobre ficção futurista no espaço e que trata da história de Rámon Espejo, um sul-americano que vive no
planeta São Paulo, lugar já colonizado por humanos e que convivem servindo aos
extraterrestres e ajudando-os na exploração de novos planetas. Espejo logo se envolve em
uma enorme confusão em um bar, assassinando alguém muito importante da região,
passando assim a ser perseguido por toda polícia e autoridades do condado. Ele
se vê obrigado a ir para as florestas mais distantes do planeta, onde encontra
de tudo e acaba capturado por uma nave alienígena, ali ele é obrigado pelos membros da
raça a ir atrás de outro humano fugitivo. É nesse cenário que a aventura se desenrola.

“Ele tinha deixado de se ser um nada na terra para ser um nada na colônia.”



Muitas partes do livro apresentam indícios de uma obra dos anos 80, principalmente quando envolvem medos e incertezas da população daquela época no seu mote principal. Um exemplo disso é a escravização dos humanos pelos extraterrestres, que o mundo recém começava a se familiarizar e o medo do personagem principal de encontrar um misterioso ser em algum momento, o chupacabra, o que hoje em dia já parece mais lenda do que se tivesse atingido o público naquela época.

“Ali, no terreno fofo, viu pegadas frescas com quase dois palmos de largura. Uma pata de quatro dedos com marcas profundas de garras. De chupacabra. Em algum lugar, por ali, estava uma porra de um chupacabra.”

George Martin já mostrou em suas obras a capacidade que tem em
criar cenários fictícios, sejam eles na terra ou no espaço. São Paulo, onde a
história acontece, é totalmente criado por ele. Os escritores tiveram
muito cuidado em descreve-lo de forma minuciosa, passando ao leitor uma visão
explicita do que está presente na fauna e na flora do lugar. Aqui vale ressaltar que durante a maior parte do tempo de criação, de 76, quando Dozois inicia o processo, passando por 81 quando Martin começa a mexer nele, pouco se sabia sobre outros planetas. Não existia internet e a globalização da astronomia era muito menor que hoje em dia, deixando o projeto de criação muito mais duro e o resultado, pesando esses poréns, muito mais fantástico. 
Durante a leitura você nota algumas semelhanças com o que vê na TV em Game of
Thrones
, é impossível não associar uma coisa à outra. Para mim muito da
paisagem e das roupas descritas, principalmente as dos humanos, remetem diretamente a imagens da série, que talvez até passassem pela cabeça do autor enquanto criava São Paulo para este livro. 

“Por que conseguiria matar um homem cuja morte não lhe traria benefício algum, mas não conseguia acabar com o homem cuja morte lhe traria o mundo? Quando a própria vida dependia disso?”

Isso me causou um grande problema e vai o meu senão sobre o livro. Na minha opinião ele é muito mais visual do que o seu conceito descritivo, você até consegue imaginar o que os autores descrevem, porém seria muito melhor se você pudesse ver imagens para comprovar o que é dito. Sem contar que diversos detalhes apresentados no texto são extremamente irrelevantes e cansativos para o contexto e provavelmente mesmo em uma série de TV, muitos dos detalhes apresentados no livro passariam batido.


Martin tem um enorme potencial em produzir coisas para a TV e acho que Caçador em Fuga poderia ser um episódio de uma série ou até
mesmo um filme de sucesso, mas como livro, não me pegou completamente. Achei que faltou
enredo, o livro não apresenta nenhum grande mistério a ser solucionado e em
nenhum momento tem aquele ápice de tensão ou suspense, você apenas acompanha a
leitura do começo ao fim, sem se emocionar nem se aterrorizar. Em nenhum
momento estive preso pelo livro ou me senti parte dele. As poucas partes de terror se devem à descrição
ótima das cenas de ação e assassinatos. 
Eu gosto mais de livros de terror e suspense e talvez por isso
não tenha me identificado tanto com o enredo, mas a impressão que ele me deixa é
essa, seria um ótimo filme e muito bem estruturado para isso, porém de modo geral faltou emoção, faltou um algo a mais para me prender ao livro.

Não poderia deixar de falar sobre a edição do livro, a Leya fez uma capa simplesmente maravilhosa, a capa, contracapa e lombada do livro se unem em uma única imagem, transportando o leitor para dentro do cenário criado antes mesmo de abrir o livro. Quando você abre, encontra o mapa do planeta com os locais citados durante a leitura destacados, o que torna a experiência muito mais interessante e faz você entender exatamente o caminho que Espejo faz durante sua aventura. Nota mil para a editora, precisamos de mais trabalhos dessa qualidade por aqui.

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