Um Marido de Faz de Conta é o segundo livro da nova série da autora Julia Quinn. Muito antes da família Bridgertons que conhecemos, existiam os vizinhos dessa família, Os Rokesby.

Após o falecimento do pai, Cecilia Harcourt se viu com duas opções em mãos. Se casar com um primo do qual nunca nutriu qualquer sentimento ou se mudar para a casa de uma tia solteira. Após a falta de notícias do irmão, que está no meio da Guerra Revolucionária Americana, Cecilia resolve tomar as rédeas do seu próprio destino e partir para o outro lado do oceano para encontrar seu irmão Thomas. Chegando lá, ela acaba encontrando o único elo que poderia levar até seu irmão, Edward Rokesby, melhor amigo de Thomas do qual ela já conhecia através das cartas que trocavam.

O problema é que Edward já está há dias inconsciente e para conseguir cuidá-lo e também devido a posição de Edward, Cecilia acaba contando uma “pequena mentira” para os oficiais do exército. Ela era sua esposa. Porém, como manter a mentira depois que Edward acorda e a acaba a reconhecendo, mesmo sabendo que nunca foram apresentados antes?

Edward acorda sem se lembrar de nada, apagou da memória tudo que aconteceu antes da forte pancada na cabeça que levou e devido a isso, ele acaba acreditando em Cecilia. Afinal, a irmã do seu melhor amigo não mentiria sobre isso, mentiria?


Que saudades que estava dos livros da Julia Quinn! E como é bom descobrir que ela possui ainda vivo esta capacidade de surpreender com suas histórias, mesmo depois de tantos livros publicados. Eu sempre classifiquei os livros da autora como fofos, divertidos e sensíveis, alguns até surpreendiam por suas cenas mais sensuais, mas imagine descobrir que Um Marido de Faz de Conta explora um novo viés, a da amizade e do amor fraterno acima de qualquer coisa.

A todo novo capítulo da edição podemos encontrar trechos das cartas que Cecilia trocou com Thomas enquanto ele estava no outro continente. E isso é uma característica muito viva em Cecilia, que enviava mais cartas do que todo o batalhão de Thomas junto. Devido a isso, as cartas de Cecilia ao irmão acabaram chamando a atenção do amigo Edward, que devido ao vínculo, acabou fazendo parte das conversas. É por causa disso que, quando finalmente se encontram pessoalmente, Edward e Cecilia não são mais estranhos. Ficou muito fácil para Cecilia inventar a história que inventou e ainda mais fácil para Edward acreditar.

A autora acertou muito em criar uma trama que possui uma base relativamente simples, mas que conseguiu desenvolver seus personagens através do amor que possuem pelo seus deveres com a família e no caso de Edward, com seu melhor amigo. Cecilia é corajosa, uma leoa, que não mede esforços e nem dificuldades para encontrar seu querido irmão e nem mesmo de Edward, que acabou entrando em sua vida no meio deste processo.

Edward, por sua vez, é um homem honrado, dedicado e mesmo prejudicado por sua memória, não titubeia em pensar primeiramente no bem estar de sua esposa.

Eu realmente amei esta leitura e sei que que há muitas resenhas não tão contentes com o desenvolvimento do livro. Algumas dizem que as cenas românticas não dominam o enredo e que não há a atmosfera divertida costumeira nas obras de Julia Quinn, mas foi exatamente por isso que esta leitura me tocou tanto. Pois além do amor entre um homem e uma mulher que irá despertar diante as dificuldades que enfrentam, há milhares de outros fatores que nos moldam como pessoas.

Para os fãs do gênero, a trama lembra um pouco Ligeiramente Seduzidos da Mary Balogh, que trabalha sua trama num recorte histórico bastante importante da Europa, assim como a busca da moçinha pelo seu querido irmão. Acho que toda a atmosfera de guerra, apreensão e incertezas é muito presente em ambos os livros, assim como este sentimento de amor incondicional pela família e de união. Eu realmente me apaixonei por estes personagens e ainda mais pelo cuidado em que a autora teceu suas palavras e emocionou o leitor com uma história tão verdadeira, focando no que, mesmo se tratando de um romance, realmente importa.

A escolha de não narrar tantas cenas íntimas entre o casal protagonista não significou que não há química e que não há um amor florescendo, mas sim de que diante as adversidades da vida, é no meio do caminho da nossa construção como humanos que o amor cresce. É no respeito como pessoas, é na identificação como indivíduos que a paixão crava suas raízes mais fortes.

Recomendo muito a leitura e com certeza irei dar continuidade a esta nova série da autora, aliás, que capas mais lindas que a Arqueiro preparou para nós! O terceiro livro, Um Cavalheiro a Bordo irá contar a história do irmão mais novo de Edward do qual já me apaixonei. Mas se você sentir saudades dos Bridgertons, em Uma Dama Fora dos Padrões, primeiro livro da série, você terá a oportunidade de conhecer Billie Bridgerton, irmã mais velha de Edmund Bridgerton, pai dos personagens que aprendemos a amar tanto.

Julia Quinn, muito obrigada por reavivar a minha paixão pelos romances de época, sempre que eu acabo me afastando deles.

  • The Girl With The Make-believe Husband
  • Autor: Julia Quinn
  • Tradução: Thaís Paiva
  • Ano: 2019
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 304
  • Amazon

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