1917 – Crítica

06 fev, 2020 Por Lili Dalpizol

Sempre gostei de tudo relacionado as I e II Guerras Mundiais, e quando vi dois filmes sobre este tema na lista dos indicados na categoria de Melhor Filme, logo me interessei por ambos. Jojo Rabbit, inclusive, já tem resenha aqui no Estante. Enfim, a resenha de 1917 poderia ser bem pequena, algo do tipo: “Esse filme é maravilhoso e vai ganhar o Oscar 2020!”. Mas eu também poderia discorrer por três páginas sobre. Vou tentar ficar no meio termo.

A Primeira Guerra Mundial teve seu foco na Europa e o estopim para o início dos anos de luta foi o assassinato do Arquiduque Francisco Ferdinando, que era o herdeiro do império austro-húngaro (onde hoje ficam Áustria e Hungria). O arquiduque e a esposa foram assassinados na Bósnia em 28 de junho de 1914 por um ativista sérvio, e com isso, o império austro-húngaro declarou guerra contra a Sérvia.

Claro que não foi apenas este evento isolado que desencadeou uma guerra desta magnitude. Este foi um período onde diversas transformações políticas e econômicas ocorriam por toda Europa, e muitos países aproveitaram para resolver antigos desentendimentos. Os primeiros a tomarem partido foram os russos, que ficaram do lado dos sérvios, logo após isso, a Alemanha (que possuia problemas com França e Inglaterra) ficou do lado dos austro-húngaros. Com isso começaram a se formar os dois lados da guerra: Aliados – Inglaterra, França, Estados Unidos e Sérvia; Impérios Centrais: Alemanha, Império Austro-Húngaro, Império Turco-Otomano e Bulgária. Após a morte de cerca de 15 milhões de pessoas a guerra chegou ao fim em 1918, com a vitória dos Aliados.

É neste contexto que iniciamos 1917. Os cabos Blake (Dean-Charles Chapman) e Schofield (George MacKay) são jovens militares britânicos em solo francês e já estão exaustos, quando recebem uma missão impossível do general Erinmore (Colin Firth): devem atravessar um campo dominado por alemães e chegar até o local onde um batalhão de cerca de 1.600 militares britânicos irão cair em uma emboscada alemã já na próxima manhã. É uma jornada de vários quilômetros a serem percorridos a pé, para chegar antes do amanhecer e entregar a carta com todas as informações ao coronel Mackenzie (Benedict Cumberbatch). Qualquer soldado teria questionado, e na medida do possível negado tal missão, porém, o irmão mais velho de Blake, Joseph (Richard Madden) faz parte do batalhão de 1.600 homens que caminham para a morte certa, caso a mensagem não chegue a tempo.

O diretor do longa, Sam Mendes tem vasta experiência, alguns dos seus maiores sucessos são “007 – Contra Spectre”, “007 – Skyfall”, “Beleza Americana”, “Soldado Anônimo” além de diversas séries. Em 1917, Mendes teve por base uma história, ou fragmento de história, contada por seu avô Alfred Mendes e a partir disso desenvolveu toda a trama do filme. Mendes disse em entrevista que ampliou a história do avô, mas foi fiel em manter a sua essência. Este é o primeiro filme de Mendes que ele mesmo escreve o roteiro, e mesmo afirmando que todos os filmes que dirigiu tem um cunho pessoal, nenhum se iguala ao nível deste, principalmente por basear-se na história do avô que serviu no exército britânico na Primeira Guerra Mundial.

Quando Mendes idealizou este filme, ele queria deixar o telespectador o mais próximo possível do inferno vivido pelos soldados, e a melhor maneira para isso foi acompanhar os dois protagonistas em tempo real por uma tomada longa. O diretor contou com Roger Deakins como diretor de fotografia, em um brilhante árduo trabalho, vários planos longos foram montados juntos para dar a impressão de que é uma única cena. Porém, para que o efeito esperado desse certo, foi extremamente trabalhoso e longo.

Cada tomada tinha que ser preparada e pensada antes de montar o cenário, para que a câmera acompanhasse os protagonistas sem ser necessários cortes e montagens posteriores. Foram meses de ensaios antes da montagem dos cenários, quando finalmente ficaram prontos, foram outros intensos meses de ensaios, com ajustes, para finalmente iniciarem as filmagens. Para conseguir o efeito de que o espectador estava sempre junto dos personagens, nas filmagens foram necessárias guindastes, cabos de fixação, carros, motocicletas, além de câmeras especiais para pequenos espaços.

Tom Holland chegou a ser cotado para integrar o elenco, porém as negociações não foram adiante. Apesar de achar que Holland teria feito um ótimo trabalho, Chapman e MacKay foram incríveis. Fico imaginando o quanto eles devem ter se preparado físico e mentalmente, pois não foi uma gravação normal, as tomadas eram enormes não podendo haver nenhum erro, pois comprometeria grande parte do filme.

Todo o esforço dos diretores não foi em vão. O filme é uma obra de arte do início ao fim, somos realmente inseridos no contexto da guerra, um filme capaz de arrancar risadas e lágrimas dos telespectadores. É um filme de guerra completamente diferente do que estamos acostumados, nesse longa temos diversas cenas repletas de suspense, daqueles de prender o fôlego e segurar firme na poltrona – graças também ao espetacular trabalho de Thomas Newman na trilha sonora!

Como prova de tamanha façanha, 1917 já ganhou 7 prêmios, entre eles Globo de Ouro nas categorias Melhor Filme e Melhor Diretor. No Oscar 2020, o filme concorre nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Cabelo e Maquiagem, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som, Melhor Design de Produção e Melhor Efeitos Visuais. É uma lista de peso! Eu particularmente acho que 1917 tem grandes chances de ganhar na principal categoria, e realmente espero que isso ocorra, pois é um filme magnífico.

Quais são as suas apostas para este Oscar 2020? Deixa aqui nos comentários o seu palpite! Xoxo! Enjoy!

  • 1917
  • Lançamento: 2020
  • Com: George MacKay, Dean-Charles Chapman, Mark Strong
  • Gênero: Drama, Histórico, Guerra
  • Direção: Sam Mendes

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