Lady Killer é a uma colaboração de Jamie S. Rich com a ilustradora Joëlle Jones contada em 10 capítulos. Por aqui, a Darkside Books lançou primeiramente uma edição que reúne os 5 primeiros capítulos e nesta história conheceremos Josie Schuller, uma simpática dona de casa dos anos 50, mas também uma assassina de aluguel!

Sabe-se que mulheres nasceram com o dom de fazer inúmeras tarefas diariamente e com Josie não seria diferente, entre um assassinato a sangue frio e outro, ela se dedica a ser uma mãe amorosa e uma esposa dedicada. Porém, devido a um pequeno deslize que acaba comprometendo o perfeito equilíbrio da vida de Josie, o seu chefe passa a ameaçar aposentá-la de uma vez por todas.

Com um prefácio incluído exclusivamente na edição brasileira, assinada por Tori Telfer, autora do livro de não ficção, Lady Killers (não confunda, a HQ não tem nada a ver com o livro), podemos perceber que está será uma leitura cheia de críticas. Com um cenário destacado pelo “Sonho Americano”, entendemos que todos sonhavam em ser livres, menos as mulheres que tinham suas obrigações dentro de casa. Nossa protagonista é a personificação da esposa ideal dos anos 1950, só que esconde um segredo por trás da sua aparência imaculada.

Não há como iniciar sem falar do traço de Jones e cores de Laura Allred, a atmosfera retrô, as cenas violentas bastante gráficas e a presença de Josie são ilustradas com um destaque único. As artistas abusam das expressões e das cores vivas, o que fez com que eu me empolgasse ainda mais com a leitura. Como se não bastante, como estamos falando dos anos 50, também iremos invejar todas roupas de Josie, que vamos combinar né, são muito estilosas.

Você vai encontrar neste quadrinho muito sangue, violência, um humor ácido e diálogos inteligentes.  Através deles que Lady Killer, além de nos apresentar uma assassina inusitada, ironiza o que se pensava das mulheres da época, que deveriam cuidar da casa enquanto os maridos trabalhavam. É uma crítica, é claro, visto que se passa num recorte onde as mulheres recém iriam começar a lutar pelos seus direitos nos Estados Unidos.

A HQ destaca o modo como mulheres são subestimadas, e se pararmos para analisar, não é um cenário tão distante assim. As mulheres continuam tendo que que lidar com obstáculos no seu caminho, como um chefe cético, que prefere contratar um homem a ter que lidar com uma mulher que precisa trabalhar e ser mãe, como um marido, que tem ciúmes dos seus compromissos ou uma sogra, que não entende que os tempos são outros e que você não precisa seguir os mesmos passos que ela precisou seguir um dia. Tudo isso ainda existe, em proporções diferentes, mas enraizado em nossa sociedade. As mulheres continuam não sendo levadas a sério.

Nos extras da edição, Jones readapta algumas artes publicitárias conhecidas da época de modo mais sarcástico. Então teremos a personagem interagindo com alguns afazeres domésticos e com o que a tecnologia tinha a oferecer de melhor para facilitar a vida da mulher americana. Alguns exemplos é Josie interagindo com a “Bíblia da Limpeza” ou ela pousando em seu novo freezer, que é na verdade local onde ela esconde um corpo. É uma sacada muito legal e diverte o leitor depois de ter que aturar personagens homens tão insuportáveis.

Em breve a editora deve lançar o segundo volume da série e conclusão da história de Josie. Eu acredito que seja muito em breve, já que Joëlle Jones estará na CCXP deste ano no Brasil, então, tem tudo para eles aproveitem a vinda dela para cá. Então, quem está muito ansioso para mais de Josie e sua facas afiadas, assim como eu, já pode comemorar!

Recomendo muito a leitura. Lady Killer tem uma mistura de adorável com trash, que traz uma mensagem única em meio suas páginas sangrentas. Não subestime Josie Schuller, não subestime uma mulher.

  • Lady Killer
  • Autor: Joëlle Jones e Jamie S. Rich
  • Tradução: Raquel Moritz
  • Ano: 2019
  • Editora: Darkside Books
  • Páginas: 144
  • Amazon

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