Nina George já tem dois livros de sucesso publicados no Brasil pela Editora Record, A Livraria Mágica de Paris e O Maravilhoso Bistrô Francês. Eu estava com muita vontade de ler essas obras, mas meu primeiro contato com a autora veio através de O Livro dos Sonhos.
Depois de receber um bilhete do filho adolescente que nunca conheceu, Henri Skinner, ex-repórter de guerra, decide ir ao evento dedicado aos pais na escola do filho, Sam. No caminho ele é atropelado e levado a um hospital. Em estado grave e em coma, lutando para viver, Henri vai permanecer em um mundo de lembranças e sonhos, revivendo a sua vida e vislumbrando o que poderia ser de seu futuro. Sam, depois de descobrir que o pai está hospitalizado, começa a fazer, sem a permissão da mãe, Marie-France, visitas diárias ao pai.

Nessas visitas, ele vai conhecer duas pessoas que transformarão sua vida. Eddie Tomlin, ex-namorada de Henri, que estava a anos sem falar com o ex, mas foi chamada pelo hospital, pois seu número estava como contato de emergência dele. Rever seu antigo amor, ainda mais naquele estado, mexe com ela e com seus sentimentos, assim ela acaba se vendo forçada a rever seu amor por ele. Além disso, seu envolvimento com Sam, o filho que ela não sabia que Henri tinha, vai fortalecer ainda mais seus sentimentos.
Nesse mesmo hospital, uma menina de 12 anos, Madelyn Zaidler, também está em coma lutando para sobreviver depois de ser a única sobrevivente em um acidente de carro. Sam vai sentir uma ligação com a menina e vai começar a visitá-la também, pois ela não merece ficar sozinha. Essas quatro pessoas, bem diferentes umas das outras terão suas vidas cruzadas pelo destino de forma cruel, porém a magia da esperança pode transformar vidas.
Henri é tango. Proximidade, distância. Paixão, ternura. Confiança, estranheza. Ele não fica, mas sempre volta. Isso é o que eu sabia naquela época, e é isso que motiva minhas esperanças hoje.
A característica mais marcante do livro é sem dúvidas a construção dos personagens, todos eles são bem desenvolvidos e aprofundados. A autora trabalhou eles com calma, entregando as informações aos poucos e construindo a essência de cada um conforme a narrativa avançava, sendo assim, temos personagens fortes e reais. Sam é um menino adorável, amável e muito inteligente, é muito fácil se identificar com seus sentimentos em relação ao pai e a nova família envolvendo o novo marido da mãe. Ele passa por uma mudança significativa durante a história e claramente é muito mais maduro ao final do livro.
Eddie foi uma surpresa para mim, pois ela é muito bem retratada. Ela me fez pensar o tempo todo sobre o que estava acontecendo e me coloquei no lugar dela em várias situações. Há na sua figura a representação da mulher bem-sucedida, mas que ainda precisa encontrar o amor. Para mim ela é a melhor personagem! Através do mundo dos sonhos que conseguimos conhecer um pouco de Henri. Ele apresenta alguns comportamentos irritantes, porém compreensíveis para a situação. O modo como sua história vai sendo apresentada através dos sonhos é extremamente interessante.

A narrativa é apresentada conforme os dias de Henry no hospital passam. Além disso, os capítulos são focados ora em Eddie, ora em Sam, ora em Henri, no mundo dos sonhos. A escrita da autora é muito leve e envolvente, sendo assim bem difícil largar a leitura. Há muitas passagens emocionantes e reflexões sobre a vida, a morte e sobre as escolhas que fazemos. É bem possível que você derrame algumas lágrimas quando for ler o livro.
Após perder o pai, em abril de 2011, a autora Nina George passou por uma transformação. A morte do pai foi crucial para moldar a sua escrita. Perguntas envolvendo a morte ficaram durante muito tempo em sua cabeça e por isso ela resolveu colocar em três de seus romances, questões existenciais sobre a morte. Achei muito interessante o modo como a autora retratou esse “quase morte”, pois é como se ali a pessoa pudesse refletir sobre sua vida e voltar para seguir outro caminho.
O Livro dos Sonhos é um livro maduro e reflexivo. Com uma trama focada no sofrimento e na esperança envolvendo amor e família, a autora mostra como nossas escolhas têm poder.
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- Das Traumbuch
- Autor: Nina George
- Tradução: Petê Rissatti
- Ano: 2019
- Editora: Record
- Páginas: 378
- Amazon



11 Comentários
Oi!!! Essa capa é linda, mas só a resenha já quase me fez chorar – fraca – mas me parece ser uma obra incrível. Com certeza vai para os desejados, assim como o maravilhoso bistrô francês, que também visualizei ótimas críticas.
Gente que tema profyndo…
Ja me vejo chorando…
Anotado aqui para ser uma das minha próximas leituras
Olá!!
Fico bastante tocada com livros que possuem uma temática sensível e se relaciona com a experiência pessoal do autor, transparece uma certa veracidade que dá todo um toque intimista.
Nunca tinha visto nada da autora circulando pelas redes, achei bastante interessante!!
Ainda não li nenhum livro da autora, mas fiquei curiosa com esse. Gosto quando os personagens são aprofundados no livro, fiquei feliz ao saber que isso acontece nesse. Adorei o enredo do livro, livros com crianças como personagens sempre me cativam. Estou ansiosa para saber como Sam vai lidar com a situação após descobrir o estado do pai.
Olá Letícia!
Nossa, eu adorei conhecer essa autora através da resenha. Perdi um ente querido há poucos anos e ainda é difícil lidar com a situação, por isso o tema retratado pela autora em suas obras me chamou a atenção. Esse em especial é bem reflexivo, pois além de ter a esperança de Henri acordar, ainda há muita reflexão. Eddie me cativou logo na resenha pois não deve ser nada fácil ser jogada nessa situação e ainda ter o antigo sentimento renascido. Espero poder conferir a história em breve.
Beijos
Parece ser uma história muito emocionante, daqueles que mexe com nossos sentimentos, fiquei curiosa em saber como a vida dos quatro personagens vão se interligar. Quando envolve família é triste e tenso, pois tem seus problemas e ressentimentos. Nos deixa pensando sobre as escolhas da vida elas são sempre difíceis de tomar, nem sempre acertamos e ficamos imaginando como as coisas poderiam ter sido diferentes.
Gostei bastante dessa premissa, as diferentes perspectivas sobre questões tão delicadas quanto vida, morte, assuntos pendentes e emoções e sentimentos que estão além do nosso controle. Com certeza vai pra minha wishlist! Não tive contato ainda com as obras de Nina George, mas pelas resenhas que tenho visto, são histórias comoventes, onde assuntos difíceis são tratados com doçura e sensibilidade respeitáveis. Só preciso me preparar mentalmente, então, sendo manteiga derretida como sou… Chorarei litros provavelmente! Obrigada por mais uma maravilhosa indicação!
Olá Letícia!
Além de contar com uma belíssima capa, a obra com certeza chama atenção pela história sensível e sentimental que apresenta o leitor.
Cada personagem parece ter uma característica intrínseca que contribui para o engrandecimento da narrativa, e não parece ser muito difícil citar empatia por Sam, Madelyn e Eddie.
Gostei de saber que a autora utilizou acontecimentos pessoais como inspiração para compor a narrativa, e isso parece ter ajudado no seu processo de entendimento sobre a morte.
Beijos.
Letícia!
Livros como esses acredito que sejam daqueles edificantes que nos fazem ter entendimento de algo maior, mesmo que algumas atitudes do protagonistas sejam irritantes, mas devido a situação em que ele se encontra, é até razoável.
Um novo ano carregado de esperança e amor no coração!
cheirinhos
Rudy
Que lindo tudo isso!!!!! Eu ainda não conheço as letras da autora,mas pelo que li acima, ela traz a alma humana em sua intensidade. Um drama sempre me agrada e muito!!!! Ainda mais quando envolve família e solidariedade!!!!
Já fiquei curiosa com Eddie. Até as da mulher forte, há alguém que precisa de amor(fazer o que se sou romântica?)
Já vai para a lista de mais desejados!!!!!
Beijo
Olá! Minha nossa, essa foi a frase que eu pensei ao terminar essa resenha, ainda não li nenhum livro da autora, mas esse me chamou muito a atenção, acredito que a maneira como ela lidou com um tema tão delicado e complexo foi bastante bonita, se quase chorei ao ler a resenha, imagina quando eu ler o livro.