Publicado pela primeira vez no ano 1953, Fahrenheit 451 se transformou em verdadeiro clássico, consolidando o nome de Ray Bradbury entre os mestres dos gêneros da distopia e ficção científica. Muitos leitores se encantaram e assombraram com a realidade dependente da tecnologia, cientificamente distópica, desconexamente conectada, apresentada ao longo das páginas de Fahrenheit 451. Muitos leitores, como esta que vos escreve, carregam no coração e na mente as críticas, mensagens, reflexões e debates propostos pela narrativa de Fahrenheit 451. Muitos leitores, porém, ainda desconhecem os caminhos pelos quais percorreu Ray Bradbury até definir os direcionamentos, limites e elementos específicos daquele livro que, hoje, conhecemos por Fahrenheit 451.

Confira a resenha de Fahrenheit 451

É neste contexto que encontramos Prazer em Queimar, uma coletânea de treze contos que delineiam, não somente o percurso literário que culminou na publicação de Fahrenheit 451, mas que demonstram, também, o estilo narrativo, a criatividade, criticidade e escrita de um dos mestres da literatura de distopia e ficção científica do século XX.

Vi milhares de pessoas entrando na biblioteca esfomeadas e saindo dela bem alimentadas. Vi pessoas perdidas se encontrarem. Vi realistas sonharem e sonhadores acordarem nesse santuário de mármore onde o silêncio era o marcador de cada livro.

Prazer em Queimar insere o leitor em narrativas que complementam, ampliam e respondem questões acerca do universo caótico, problemático e assustador de Fahrenheit 451. Retornaremos ao passado da mesma maneira com que teremos a oportunidade de observar o futuro daquele mundo. Acompanharemos movimentos de resistência, fugitivos, assassinatos e personagens inconformados com os rumos trilhados por uma sociedade ignorante, ignorada e assombrada pelos ensinamentos e possibilidades de mudança contidos nos livros.

Observaremos o carinho de Ray Bradbury por outros escritores, bem como as homenagens que oferece a nomes como Edgar Allan Poe, William Shakespeare, Algernon Blackwood, Nathaniel Hawthorne e tantos outros. Refletiremos sobre como mantemos vivos todos os autores que conhecemos, todas as histórias que acompanhamos, todos os livros que lemos. Descobriremos detalhes, personagens e críticas, tendo a certeza de que o mundo de Fahrenheit 451 existia, pulsava e transbordava de Ray Bradbury muito antes de tornar-se o mundo de Fahrenheit 451.

Em Muito Depois da Meia-Noite e O Bombeiro acompanharemos os verdadeiros predecessores de Fahrenheit 451, observaremos os direcionamentos iniciais da história que viria a se transformar em clássico da literatura de ficção científica distópica do século XX, receberemos a oportunidade de comparar, de analisar quais elementos se modificaram, quais foram explorados, eliminados, aprofundados ou valorizados no livro publicado em 1953. Os dois contos, assim como todos os outros onze, demonstram características da narrativa, escrita e personalidade literária de Ray Bradbury. Eles ressaltam a origem de uma obra marcante, mas também, quando observados em relação as demais histórias contidas nesta coletânea, permitem ao leitor perceber quem é Ray Bradbury enquanto escritor, enquanto crítico da sociedade, enquanto defensor dos livros e, se quisermos, enquanto leitor.

Prazer em Queimar é uma indicação instigante e encantadora para todos os amantes do estilo narrativo e de escrita de Ray Bradbury. Trata-se de um livro que complementa e amplia o universo de um clássico, assim, transforma-se, também, em interessante leitura para todos aqueles que carregam Fahrenheit 451 no coração, para o resto de suas vidas. Por fim, Prazer em Queimar pode se apresentar como uma curiosa e maravilhosa porta de entrada para todos aqueles que ainda não tiveram contato com as histórias, mundos e personagens criados por Ray Bradbury.

De escritores vivendo em marte a fugitivos do futuro, de Guy Montag se recusando a queimar outros livros a Guy Montag se recusando a queimar outros livros, de bibliotecários que resistem a tirania ignorante a pequenas escutas que modificam o comportamento de casais, Prazer em Queimar é uma crítica pertinente à sociedade atual, mas também é a certeza de que, enquanto existirem escritores, livros e leitores, leitores, livros e escritores, poderemos semear mudanças. Um livro de cada vez.

  • A Pleasure to Burn
  • Autor: Ray Bradbury
  • Tradução: Antônio Xerxenesky e Bruno Cobalchini Mattos
  • Ano: 2020
  • Editora: Biblioteca Azul
  • Páginas: 416
  • Amazon

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