Minari – Crítica

18 abr, 2021 Por Joi Cardoso

O autobiográfico Minari: Em Busca de Felicidade, de Lee Isaac Chung, conta a história de uma família com ascendência sul-coreana, que vive nos Estados Unidos nos anos 80. Em busca do sonho americano, após algum tempo já estabelecidos na Califórnia, Jacob (Steven Yeun) decide se mudar para a zona rural do Arkansas. Desta forma, teremos em evidência, a perspectiva de David (Alan S. Kim), filho mais novo da família, que possui dificuldades ao se adaptar com a nova rotina e novo modo de vida. Além disso, ele também possui uma doença no coração.

Mônica (Ye-Ri Han), esposa de Jacob, faz o papel da razão nesta história e se preocupa com as dificuldades que a família poderá enfrentar, com uma fazenda no meio do nada e afastados de tudo. É assim que a avó (Yuh-Jung Youn) chega da Coreia do Sul para ajudar a filha nesta nova adaptação.

Vencedor do Globo de Ouro na categoria de melhor filme estrangeiro, Minari é narrado em coreano e inglês, retratando exatamente uma família imigrante vivendo nos Estados Unidos. O filme, que de início apresenta um roteiro simples, aos poucos convida o público a se envolver com esta família, com as relações que cada personagem vai criando sem que o mesmo apresente grandes curvas na narrativa. Minari possui uma linha temporal estável, tranquila, sem deixar que ao final, nos emocione com a riqueza de detalhes e com a honestidade desta história.

Aqui temos um pai que busca do melhor para sua família, disposto a arriscar tudo para um futuro melhor. Nesta ideia, a possibilidade de ter suas finanças comprometidas, seu casamento abalado e sua família desestabilizada são consequências não descartas, e é Monica que traz tudo isso à tona. A tensão entre o casal é palpável e não existe certo ou errado, existe só o desejo de fornecer o melhor para a família, diante de qualquer obstáculo. Fazendo um contraponto na narrativa, temos a chegada de Soonja, a avó de David. Em suas cenas, temos momentos mais leves e humorados, ver a relação de avó e neto evoluindo, pouco a pouco, reserva momentos que servem como um bálsamo para o público.

Soonja é tudo aquilo que David jamais imaginou para uma avó, nascido nos Estados Unidos, o menino possui a imagem de que uma avó é frágil, que assiste novelas e assa biscoitos. Mas Soonja na verdade é vivaz, ativa, fala palavrões e adora uma luta livre. Com certeza é a personagem mais disposta a se adaptar a nova cultura e pais. A interação dos dois personagens rende boas risadas e nos vemos animados para acompanhar ainda mais desta amizade. Eu lhes garanto que você ficará rendido ao pequeno Alan S. Kim e a atuação impecável de Yuh-Jung Youn.

Minari inicia fazendo uma relação entre David e sua condição cardíaca com a tônica da história: a família sul-coreana tentando criar raízes nos Estados Unidos. Temos a ideia da fazenda de Jacob tomando forma com sua plantação de legumes, mas se seguirmos a ideia que todo o filme conversa com as mensagens escondidas na tela, podemos tirar várias analogias sobre o funcionamento dessa família em solo estrangeiro, assim como a importância da saúde do coração de David na sua sobrevivência.

Acompanharemos esta família tentando fazer parte deste meio novo em que estão vivendo e iremos perceber um certo preconceito velado acontecendo entre os vizinhos. Então dá para se dizer que xenofobia e choque cultural também serão temas presentes ao longo da trama.

O filme também nos reserva cenas poderosas. Um exemplo mais claro disso são as várias cenas e diálogos protagonizados por Jacob e Monica. Mesmo que avassalador a compreensão do que está sendo dito entre o casal, é uma cena em específico que nos dá a resposta sobre o que deve vir primeiro: o tal sonho americano ou a família?

A ideia de que Minari seria um filme simples, caiu por terra quando percebi que mesmo dentro de sua clareza, a fotografia honesta (os planos aqui são muito bem utilizados para retratar a aproximação dos personagens), retratava, na verdade, a vida como ela é, cheia de dificuldades, mas que sempre nos proporciona momentos de felicidade como recordação. A certeza de que tudo vale a pena. E aqui me reservo ao direito de mencionar À Procura da Felicidade, de 2006, protagonizado por Will Smith, que possui uma das mensagens semelhante com a de Minari, falando sobre esperança e de que dias melhores sempre virão.

Em suma, Lee Isaac Chung compartilha um roteiro sutil, mas cheio de camadas, que estão escondidas ao tratar todas as relações contidas no filme, sejam estas relações familiares ou socioculturais. Este filme é uma homenagem do diretor e roteirista à sua família, que conduziu muito bem para as telas o sonho de uma família que deseja, assim como novas sementes, vingar em solo americano, explicando enfim, o título que recebe, o nome de uma erva asiática utilizada em diversos tipos de comida, que no longa são trazidas pela avó Soonja.

Minari foi indicado a seis categorias no Oscar 2021, entre elas Melhor Direção, Melhor Ator e Melhor Roteiro Original. Eu sinceramente não sei se leva alguns dos prêmios para casa, mas o longa já levou o Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro, o que é um ótimo termômetro para os apaixonados por cinema.

E vocês já assistiram o filme? Quais suas apostas?

  • Minari
  • Lançamento: 2021
  • Com: Steven Yeun, Ye-Ri Han, Alan S. Kim, Yuh-Jung Youn
  • Gênero: Drama
  • Direção: Lee Isaac Chung

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