Sou muito fã dos filmes “comerciais”, com muita cena de ação, e que agrada grande parte do público. Os filmes mais “intelectuais” comumente não me agradam tanto. Acabo achando cansativo,  mas agora entendi, que provavelmente eu não estava assistindo filmes que fossem o meu estilo, e acabei criando um preconceito para toda uma gama de filmes. Estava perdendo tanto por não  assisti-los, mas isso é algo fácil de mudar.

O Som do Silêncio conta a história de Ruben (Riz Ahmed), um baterista que junto com a namorada Lou (Olivia Cooke), rodam os Estados Unidos em seu trailer por conta da turnê que a banda de heavy metal (composta somente pelos dois) está realizando. Ruben, que já tem um histórico de abuso de drogas e depressão, vê seu mundo desabar quando em determinado dia, percebe que está perdendo a audição. O choque fica ainda maior, quando na consulta médica recebe um diagnóstico gravíssimo, lhe resta apenas cerca de 20% da sua audição, – e a tendência é piorar. Ele  precisa se resguardar de todo ruído intenso, conseguindo assim, preservar o pouco que ainda lhe resta. A negação e o choque lhe atingem em cheio, e no primeiro momento, não conta nada para Lou. Contrariando o que o médico lhe disse, parte para mais um show – tendo que abandonar no meio, pois não estava ouvindo nada.

Após contar a Lou o seu diagnóstico, ele sugere que ambos façam shows o suficiente para que juntem o valor necessário para fazer a cirurgia (cerca de U$ 40.000,00 a U$ 80.000,00) que irá permitir que ele volte a escutar. Lou, entendendo a gravidade da situação, nega-se a fazer mais shows, e convence Ruben a entrar para uma comunidade de surdos. Assim Lou parte para Paris para viver com o rico e excêntrico pai, Richard (Mathieu Amalric), deixando o namorado sozinho para enfrentar sua nova realidade. É na comunidade comandada por Joe (Paul Raci), Ruben é apresentado à um universo completamente diferente do seu.

Darius Marder
(diretor e co-escritor) conseguiu no seu filme de estreia um resultado brilhante. Em busca de nada menos que a perfeição, demorou anos até que conseguisse o filme que hoje podemos ver nas telas. Cada detalhe foi pensado para que a experiência fosse o mais fiel possível aos percalços que a comunidade surda enfrenta. A escolha dos atores e equipe de produção é repleta de profissionais com deficiências auditivas. Destaque para Paul Raci – que não é surdo – mas foi criado por pais surdos, é fluente em libras, e entregou um personagem emocionante e brilhante.

Riz Ahmed entregou o melhor Ruben que Marder poderia esperar. Para a perfeição desejada pelo diretor, Ahmed entrou de cabeça no projeto. Passou meses frequentando aulas de bateria, e também ficou fluente em libras – comunicava-se com o diretor somente através dos sinais. Além disso, usava protetores auriculares para que não ouvisse nada, a não ser ruídos e a sua própria voz, durante as gravações. Ahmed foi indicado na categoria Melhor Ator, e se houver justiça nesse mundo, ele vai ganhar! Brilhante é uma palavra simplória demais para descrever o que esse jovem muçulmano consegue transmitir com a sua atuação. De um metaleiro rebelde e aventureiro, a um mundo sem sua música e sem sua namorada. Passando por uma transição  extremamente brutal, não tem como não se emocionar, e sentir exatamente o que ele está sentindo. Ahmed visivelmente se entregou de corpo e alma nesse filme, e merece o prêmio.

Um parágrafo dedicado especialmente para a segunda melhor coisa deste filme (só fica atrás da atuação do protagonista): o design de som. A equipe de mixagem deste filme, merece todos os prêmios do mundo (e vai ganhar o Oscar nesta categoria, certamente). Iniciamos o filme com um metal pesado, explodindo em nossos ouvidos – apresenta um cenário difícil de ouvir no volume normal da televisão. Porém, com o passar dos minutos, logo entendemos qual é a dinâmica proposta: nos levar a uma experiência sensorial da transição auditiva de Ruben, e de como é ser surdo. Passando por diversos momentos de total silêncio, entendendo o quanto Ruben esteve perdido e conseguir sentir na pele (ou nos ouvidos) tudo que ele passou – somente com as alterações de som do filme – foi de uma maestria, que não consigo pôr em palavras.

Sound Of Metal – nome original do filme que faz muito mais sentido que a tradução – foi indicado em 6 categorias no Oscar 2021: Melhor Filme, Melhor Ator (Ahmed), Melhor Ator Coadjuvante (Raci), Melhor Roteiro Original, Melhor Som e Melhor Edição. Eu ainda não assisti a maioria dos filmes que estão concorrendo este ano, mas considero que nas categorias de Melhor Ator, Melhor Som e quem sabe Melhor Filme existem boas chances de vitória.

Finalizo dizendo que adorei esta experiência, fiquei encantada, emocionada e tocada. O filme está disponível Prime Vídeo, e vale cada minuto das 2h10min de duração do filme.

  • Sound Of Metal
  • Lançamento: 2020
  • Com: Riz Ahmed, Olivia Cooke, Lauren Ridloff
  • Gênero: Drama, Musical
  • Direção: Darius Marder

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