Sou acostumado a ler muito, e quando se lê muito a gente começa a procurar coisas diferentes nos livros, detalhes que tornem aquela obra original. E uma das coisas que eu acho mais legal quando acontece durante uma leitura, é quando personagens interagem discutindo a tal leitura. Isso pode ser por me fazer relembrar de um livro em especial, S., de J.J. Abrams, onde existe uma troca de mensagens entre dois personagens, em todas as páginas do livro Navio de Teseu e que é um dos meus livros preferidos na vida, ou por ele trazer algo realmente novo e extremamente original, feito pouquíssimas vezes na literatura. Agora imagine isso em livros de thriller e suspense? Eu encontrei muito disso em Oito Detetives.

Grant McAllister é um matemático, que em 1937 criou um artigo acadêmico ligando livros de suspense e mistério a um cálculo, defendendo que existe uma fórmula na qual todas histórias do gênero se encaixam. Para provar sua teoria ele escreveu um livro com várias histórias de crimes, todas elas diferentes, com enredos completamente distintos. Lançado em 1940 e chamado de  Os Assassinatos Brancos, o livro em questão é composto por sete romances policiais, possui uma impressão extremamente restrita, tornando a obra muito rara, e desejada.

Os anos passam e uma editora literária, conhecedora do trabalho do escritor, deseja retomar a obra. Para conseguir republicá-lo, ela vai ao encontro do escritor e eles começam a conversar sobre cada uma das histórias do livro publicado na década de 40, e aí começa a dinâmica interessante.

A estrutura de Oito Detetives é maravilhosamente bem encaixada, no começo da obra eu até demorei para entender como ela funcionava, por que o primeiro capítulo apresenta o estudo do professor, feito nos anos 30, em seguida Julia Hart, a editora, se apresenta para o leitor, e no terceiro há o encontro dela com o Grant. No quarto capítulo vem a primeira história do livro dele, e só no quinto eu entendi que aconteceria um debate entre eles e que todo livro de Grant seria discutido ali.

Acho importante dar essa explicação por que o começo da minha leitura foi arrastada, eu achei que seria mais um livro de contos, já que a histórias não se encaixavam. Então, leitor que irá experimentar Oito Detetives, já tenha esta estrutura em mente que eu tenho certeza que você vai achar o livro maravilhoso do começo ao fim.

E já que falei sobre contos, é assim mesmo que o livro funciona, as histórias escritas por Grant são reproduzidas na integra, não tem nenhuma ligação, e são muito boas também, fazendo o livro valer a pena só por essas histórias, que aparentam ser as principais. Além de tornar o enredo mais interessante, as teorias de Grant fazem o leitor, apaixonado por livro, ficar matutando se nossos autores favoritos cumpriram as regras matemáticas do professor.

Cada uma das histórias explica sua teoria de maneira diferente, o que ajuda a fazer os “contos” serem bem diferentes entre si, com finais inimagináveis. Agora, vamos falar de finais surpreendentes? Não sei se eu acabei deixando a história principal em segundo plano, que é isso que o autor deseja, obviamente, ou se o final realmente surpreendente, mas me deixou completamente em choque, se tornando o ponto alto de toda a trama. Simplesmente encantador!

Oito Detetives é escrito pelo inglês Alex Pavesi, que é PDH em matemática (o que explica muita coisa), trabalhava como engenheiro de tecnologia e escreve agora seu primeiro romance, que está sendo muito elogiado pelo mundo todo, e convenhamos, eu acho super merecido, é um livro de estreia muito bom. Se você gosta de muitas histórias de suspense, com mistérios muito bem elaborados e um plot twist no final que surpreende até os leitores mais experientes, este é o livro certo para você, pode lê-lo sem nenhum medo, você vai amar.

  • Eight Detectives
  • Autor: Alex Pavesi
  • Tradução: André Gordirro
  • Ano: 2021
  • Editora: Faro Editorial
  • Páginas: 288
  • Amazon

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