Se tem um sonho que os romances de época e medievais plantaram em mim, foi o de conhecer a Escócia. É impossível ler um livro ambientado neste país e não visualizar toda a beleza exuberante, rica e selvagem, assim como se fascinar por suas lendas e tradições, e torcer para quem sabe ser transportado para lá. Aí me deparo com Quatro Amores na Escócia, quatro autoras talentosíssimas, com quatro contos de aquecer o coração, que se dispuseram a usar como cenário este lugar tão especial. Obviamente que surtei e desejei muito ler.

É importante falar que os contos são independentes, com protagonistas diferentes, e se passam em épocas distintas, tendo apenas a Escócia em comum. Os contos são curtinhos, portanto, falarei deles separadamente e de maneira rápida.

Primeiro – O Kilt Matrimonial, da autora Christina Dodd. Neste conto Andra, é escocesa, uma jovem forte, determinada, que luta por seu clã praticamente sozinha desde a morte dos pais. São tantas as responsabilidades e problemas com a propriedade que não lhe sobra tempo para pensar em si mesma, inclusive para pensar em marido, como todos parecem achar que ela deveria, alguém que poderia ajuda-la em sua árdua tarefa. O que ninguém de fato sabe, mas que talvez desconfiem, é que Andra já teve seu coração cativo, e que a jovem tem na verdade lutado contra.

Hadden é inglês, um pesquisador encantado pelas tradições escocesas, e uma em particular lhe foi negada, a do Kilt Matrimonial, do clã MacNchtans, na verdade quem chamou sua atenção para tal fato, foi Lady Valéry, já que Hadden esteve por lá e Andra não exibiu o mesmo para ele. A opção seria retornar até o clã, só que isso significaria se deparar novamente com Andra, a jovem encantadora e teimosa que tem perturbado seus pensamentos. Só quem pensando bem, talvez essa seja a oportunidade perfeita para que ele tente conquistar seu coração.

“(…) Ele a fazia se sentir mais. Mais do que da última vez, mais do que nunca na vida, mais e fabulosa.”

Confesso que de todos os contos este foi o que menos gostei. As coisas aconteciam muito no supetão e o enredo foi muito raso, inclusive o casal protagonista pecou com a falta de química. Tenho consciência que se trata de um conto e, portanto, nada chega a ser aprofundado, mas fiquei com a sensação de que um parágrafo, talvez um diálogo a mais, teria feito total diferença.


Segundo – O Desabrochar de Rose, da autora Stephanie Laurens. Aqui Rose e Duncan se conhecem desde criança. Sempre moraram perto, suas famílias eram próximas e o verão era de fato a única oportunidade que Rose tinha de ir até lá, e ser ela mesma, descontraída, impetuosa e leve, ao contrário da sua vida real, do dia a dia, onde constantemente é vigiada, já que é filha única, única herdeira e protegida por sua família. Mesmo após o falecimento de sua mãe, há cinco anos, as visitas continuaram, já que a mãe de Duncan, era como uma segunda mãe para ela. Duncan por sua vez não fica muito satisfeito ao constatar a presença de Rose, a pequena que sempre o provocou, uma pentelha que vivia competindo com ele, um verdadeiro espinho em sua pele, não deixou muitas lembranças positivas em seu último encontro há doze anos. Vivendo em Londres enquanto cuida dos negócios da família, Duncan retornou poucas vezes para casa nos últimos anos, e estar de volta e encontrá-la em sua sala de visitas a convite de sua mãe não é algo ao qual ele fica animado. Principalmente por constatar seu sorrisinho travesso, e aquele olhar petulante que tanto o irritava.

Amo histórias de reencontro, onde os personagens possuem personalidades distintas, mas que de uma forma bem interessante se completam. Enquanto que Rose é um espírito livre, espirituosa, leve, travessa, Duncan é pomposo, tenta se manter perfeito e alinhado, um exemplo de cavalheiro, o que eles realmente têm em comum, é o amor pelas terras onde moram, fascinados pela beleza das colinas e lagos. Se reencontrarem depois de doze anos, causa um impacto em ambos. Eles cresceram, mudaram fisicamente, amadureceram, e estão caminhando para se comprometerem com pessoas que não são as certas. E isso fica evidente quando percebem que as faíscas que sempre existiram entre eles, se transformaram em chamas em seus corações. E olha que eles tentam se repelir o tempo todo, encontrar defeitos e detalhes que possam afastá-los, porém o efeito acaba sendo o contrário, e quando se dão conta… a admiração, o respeito e o amor floresceram.

Acho que deu para perceber que gostei muito deste conto, a narrativa da autora me prendeu e me deixou com um gostinho de quero mais, mas de uma maneira positiva.

Terceiro – O Casamento Está no Ar autora, Julia QuinnMargaret é uma jovem devota a sua família, há sete anos é ela quem cria seus irmãos com todo amor e proteção, e justamente por ser a figura responsável, se sente na obrigação de partir para Gretna Green atrás de seu irmão que fugiu para se casar, um casamento obviamente imprudente e do qual ele irá se arrepender por todo a vida. O que ela não considerou eram todos os perigos que a viagem poderia oferecer para uma mulher sozinha, e ela passa por muitas coisas até conseguir chegar ao seu destino, e quando ali está é ataca brutalmente, mas sua sorte muda quando um grandalhão aparece e a salva – Angus, um escocês que também está em uma missão pessoal, ele está buscando por sua irmão mais nova que fugiu na intenção de ir para Londres. É noite, está chovendo e eles precisam de um lugar para se secarem, se aquecerem e pernoitarem, e para isso eles vão precisar fingir que são casados. Uma pequena mentira que acaba despertando sentimentos verdadeiros.

Margaret e Angus são dois teimosos, que amam suas famílias e precisam estar sob controle o tempo todo, e quando seus irmãos fogem os obrigando a embarcarem no desconhecido os colocam em confronto com eles mesmos, com o que sentem, desejam e buscam, vivendo situações as quais não imaginavam e despertando sentimentos intensos que até então não buscavam.

— É possível alguém se sentir tão feliz por uma pessoa e, ao mesmo tempo, tão triste por si mesmo?
— Apenas o espirito mais generoso é capaz disso. O restante das pessoas não sabe como ser feliz pelo outro quando os próprios sonhos se perdem.

É com muita dor no coração que compartilho com vocês que não gostei deste conto. Julia Quinn é minha autora queridinha e seu conto era o que apresentava a premissa mais interessante, e ele não aconteceu. A particularidade da autora está lá, o enredo fluido, leve, divertido, só que tudo na história acontece muito rápido, é apressado, inverossímil e acaba por entregar um romance raso, vazio, pouco convincente. Fiquei com a sensação de que poderia ter sido incrível, rendido muito mais se a autora tivesse explorado ainda que de maneira rápida melhor os personagens e suas personalidades, o que infelizmente não aconteceu. Faltou. Será que posso torcer por um romance completo tendo Margaret e Angus como protagonistas?


No quarto e último – A Noiva de Glenlyon, da autora Karen Ranney, existe uma lenda, uma profecia que pesa sobre os ombros de Lachlan Sinclair, profecia essa que ele não acredita, mas que seu povo venera e nutre esperanças; para evitar a ruína, destruição, miséria e extermínio em seu clã, ele precisa se casar com uma jovem vinda de Glenlyon, uma “inglesa”. Na verdade, ele possuiu uma candidata, Harriet, uma jovem de fama duvidosa, porém filha de um poderoso da fronteira que quer selar a paz entre seus povos através do matrimonio, e evitar os saques constantes ao seu gado. Obviamente que Lachlan não está animado com essa possibilidade, e se recusa vigorosamente a cumprir tal profecia, só que sua lealdade ao seu povo é mais forte, e diante de tudo que os tem afligido, não lhe resta opções a não ser aceitar seu destino.

Janet é uma jovem oprimida, tratada como criada, na verdade ela é dama de companhia de sua prima, uma jovem impiedosa que adora diminuí-la. Apesar de ser metade inglesa, o sangue escocês em suas veias pulsa mais forte e em seu coração queima a vontade de ir para a Escócia. E ela vê essa chance surgir quando sua prima fica supostamente noiva de um Sinclair. O problema é que talvez as intenções de sua prima não sejam as mesmas que a dela. É quando ela conhece em meios as sombras um invasor escocês, ele a fascina, exala promessas silenciosas e torna irresistível sua presença. O encontro casual, se transforma em outro, e outro, e a linha que os puxa fica cada vez mais forte, só que talvez a presença deste invasor não seja apenas um acaso, ou uma mera coincidência, e esse pequeno detalhe pode mudar tudo.

Ela nunca ouvira o sotaque dele tão forte antes. O ribombo intenso de sua voz carregava não apenas o sabor da Escócia, mas também uma pitada de perigo.

Se não ficou claro, vou falar… este conto se tornou o meu preferido. Eu amei como a autora trouxe uma lenda para a história, como trabalhou os personagens e ainda que o romance também seja rápido, desta vez se apresentou de forma convincente, justificável. Infelizmente, como amei a narrativa da autora Karen Ranney, fui pesquisar mais sobre suas obras e acabei me deparando com a notícia de que a mesma faleceu em junho de 2020. Fica aqui meu carinho, e a vontade de um dia poder conhecer mais de seu trabalho, ainda que de maneira póstuma.


Uau… falei em leitores. Fica aqui essa dica especial, acredito que a leitura será mais aproveitada por quem gosta de contos, histórias curtinhas, com romances instantâneos, e enredos mais leves. De modo geral eu gostei bastante, apesar dos meus apontamentos. Mas como sempre falo, a única forma de saber se você gosta ou não, é lendo, portanto, se tiver curiosidade, leia, se permita sentir, vai que as histórias te surpreendem e funcionem de uma maneira diferente do que foi para mim.

  • Scottish Brides
  • Autor: Vários
  • Tradução: Thalita Uba
  • Ano: 2020
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 288
  • Amazon

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