Polina Ulinov é uma talentosa dançarina de apenas 6 anos de idade. De início acompanharemos ela em sua primeira audição para ser treinada por Nikita Bojinski, um admirado e bastante conhecido professor de ballet, porém extremamente rígido com seus alunos. Ao longo das páginas, acompanharemos Polina pelos seus anos seguintes, às vezes próxima de seu mentor, às vezes distante. Assim ela se aventura por novas experiências, até enfim Polina se tornar uma grande coreógrafa de reputação internacional e olhar para o passado com outros olhos.

A narrativa foca no amadurecimento de Polina, que vai desde sua inclusão em uma grande escola de ballet até a vida adulta, depois das várias reviravoltas que a vida dá. Neste meio tempo Polina se encontra e desencontra com amigos, amores e planos. Aquele futuro brilhante dentro da escola parece mais distante a cada acontecimento, conforme ela vai tomando outros rumos no mundo da dança. Porém, será através do seu relacionamento com Bojinski que acompanharemos toda a pressão de se tornar uma bailarina excelente quando se é tão nova.

Aliás, através dos traços Bastien Vivès que iremos perceber todo o esforço dos treinamentos de Polina, cada expressão de dor e aprendizado. O quadrinista consegue transmitir muito bem estes sentimentos, os treinos são duros e por muitas vezes os bailarinos demonstram ser incansáveis, quando a realidade é outra. Apesar disso, percebe-se também o amor que cada personagem tem com a dança, como os movimentos fazem parte de si próprios, seja pela dança clássica ou contemporânea.

Durante a leitura podemos notar vários jumps na história. Logo nos deparamos com uma Polina adolescente e logo a vemos adulta. Polina se destaca como uma grande profissional do ramo e seu olhar sobre seu mestre passa ser diferente, quando ela finalmente entende o empenho e carinho que Bojinski possui pela dança, mesmo que de uma forma tão rígida. O encontro final de ambos é emocionante, ver um personagem tão exigente se desmontar e finalmente mostrar seu lado mais humano me deixou com um sorriso no rosto.

Eu nunca tive tanto contato com a dança clássica, mas recomendo bastante essa leitura para os apaixonados por ballet, para quem já praticou ou já teve uma relação mais próxima. Quem tem um pouco de intimidade com o tema, irá aproveitar ainda mais todos os detalhes desta HQ, como as bailarinas em posição de relaxamento, os machucados, enfim… coisas corriqueiras do meio. Além disso, Polina me tocou como leitora por tratar também de temas tão cotidianos de nossas vidas, como o amadurecimento, escolhas e a busca por nossa liberdade e nosso lugar no mundo. No caso de Paulina, como tanto questionava Bojinski, compreender o porquê ela sempre quis dançar.

Recomendo bastante a leitura de Polina, foi uma experiência cativante e confortante no final. Bastien Vivès já publicou outras HQs pela Editora Nemo, mas este foi meu primeiro contato com o quadrinista, mas fiquei encantada por seu traço e com sua sensibilidade em contar esta história. Fiquei bastante curiosa em descobrir qual foi sua inspiração. Agora é ir atrás dos outros trabalhos do autor!

  • Polina
  • Autor: Bastien Vivès
  • Tradução: Fernando Scheibe
  • Ano: 2021
  • Editora: Nemo
  • Páginas: 208
  • Amazon

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