Um Beijo e Nada Mais é o sexto volume da série Clube dos Sobreviventes. Na saga, vamos acompanhar sete amigos que se encontram uma vez por ano para superar traumas de guerra. Mesmo fazendo parte de uma série, os livros vão contar as histórias desses personagens de forma independente, por isso a leitura não precisa seguir a ordem de publicação.

A viúva Imogem vive isolada em Hardford Hall, na Cornualha, desde que testemunhou a morte do marido durante as Guerras Napoleônicas. Com a morte do marido, a casa também ganhou um novo proprietário, Percival Hayes. Contudo ele ainda não apareceu em Hardford para contestar o que é seu, mas ao completar 30 anos, ele decide fugir de sua vida tediosa e ir conhecer suas novas terras. 

Ao chegar em sua propriedade, ele tem muitas surpresas. O lugar está mais inteiro do que imaginava, mais pessoas do que ele sabia moram lá e a viúva é mais linda do que poderia sonhar. Transtornado com essa realidade, ele vai acabar se apaixonando por Imogem. Contudo ela tem segredos que não suportaria contar a ninguém e isso a impede de seguir em frente e viver um novo amor. 


Quando li pela primeira vez Mary Balogh, em Um Acordo e Nada Mais, eu me apaixonei pela escrita dela e pelo modo como ela desenvolve a história dos protagonistas. Minha paixão se concretizou com a leitura do segundo livro da série. Então é com muita felicidade que leio mais uma obra do Clube dos Sobreviventes. Trazendo a única mulher do Clube, a autora vai mostrar o impacto que a guerra teve nesta mulher que amava seu marido e teve que fazer sacrifícios para seu bem. 

Confira a série Clube dos Sobreviventes

Percival é o típico homem clichê que tem uma vida boêmia e que cansa disso. O que mais gostei nele foi o fato de que ele rapidamente se importou com a história de Imogen. Esse fato e essa dúvida sobre o que realmente aconteceu com ela vão deixá-lo mais sensível ao comportamento de recuo dela em relação a ele. Achei muito legal a autora retratar esse personagem dessa maneira. A reação dele ao que está acontecendo com as mulheres que moram Hardford Hall é ora positiva, ora negativa, mas mesmo assim ele sempre se mostrou muito preocupado com todas elas.

O destaque está em Imogen, a única mulher do clube dos sobreviventes. O mais incrível nesse livro é ver como a relação dela com as Guerras Napoleónicas foi mais intensa do que eu imaginava e a importância que o clube teve e tem na vida dela. Depois de saber a sua verdade e ao ver a cena dela com os amigos, eu fiquei feliz em saber que ela tem eles para apoio e para conforto. Fica muito claro a mulher forte e determinada que ela é. Imogen tinha objetivos em mente e ver que isso de certa forma pode mudar a vida dela, a deixa abalada, mas é claro que ela não vai deixar Percival ver isso.

Somos feitos de tudo que vivemos. São a alegria e a dor da nossa individualidade. Cada um de nós é único.

A escrita da Mary é muito envolvente e fluída, eu gosto de ver como ela transita em drama e um tom mais leve no mesmo livro e neste volume o drama é mais pesado, por causa do contexto envolvendo a vida de Imogen. Quando os motivos por trás do comportamento da protagonista são revelados, eu fiquei em choque e compreendi todas as suas decisões no livro. Além disso, Mary me deixou feliz ao trazer os outros personagens principais dos livros anteriores, é uma boa forma de dar uma recapitulada nessas narrativas para quem já as leu. 

A série Clube dos Sobreviventes está indo para sua conclusão, e deixa muito claro a qualidade da escrita da autora ao relacionar traumas de guerra com questões do coração. Com certeza sou mais fã de Mary Balogh do que era antes e vou dar um jeito de ler os livros que ainda não li.

  • Only a kiss
  • Autor: Mary Balogh
  • Tradução: Lívia de Almeida
  • Ano: 2020
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 288
  • Amazon

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