Lady Constance é uma figura de presença marcante, que por onde quer que passe chama atenção, seja pela sua cor de cabelo incomum, um loiro claríssimo, quase alvo, por suas vestes mais ousadas, eventos extravagantes, seu comportamento ou companhias liberais. O fato é, que Constance está sempre metida em alguma situação complicada, e justamente por isso prometeu a seu irmão que iria tentar se controlar, sair um pouco do foco, ser “boazinha”, antes que uma de suas boas intenções, acabe por prejudicar alguém e por consequência, envergonhando a sua família. Algo que ela até conseguiu, mas por pouco tempo, já que um fato inusitado atraiu sua atenção, levando Constance a sentir necessidade de alertar jovens indefesas a respeito de certo conde chato, que parecer nutrir predileções pela devassidão. Entretanto, Julian Haywood, o conde de Apthorp, é um amigo da família, e Constance não imaginava, a proporção que tal ato tomaria e como isso prejudicaria o homem em questão, e agora antes que seu irmão tome conhecimento de seus atos – mesmo depois da promessa -, ela tentará solucionar a situação da melhor forma possível, se oferecendo para se casar com ele, ou pelo menos fingir tal feito e assim, tentar salvar a reputação do infeliz.

Julian, já enfrentou de tudo em sua jovem vida, e tem conseguido se reerguer todas às vezes, um homem com cede de vencer, que já arriscou muito, fez investimentos errados o que acarretou na perda de sua herança, mas que jamais desistiu, sempre lutando para oferecer o melhor dentro de suas limitações para sua família. O problema é que agora a situação alcançou níveis absurdos, colocando em pauta não somente seu tato pelos negócios, como também seu caráter, reputação e o projeto da sua vida. E tudo graças a um poema ridículo, uma publicação de mau gosto, obviamente feito por alguém que não o conhece, ou pelo menos assim pensava, antes de descobrir que o responsável por tal feito, é simplesmente Lady Constance, a jovem por quem é secretamente apaixonado, e que acabou de partir seu coração. E como se não bastasse a confissão, a mesma ainda acredita ter uma solução, que eles se casem, o que ele por tanto tempo sonhou, mas que agora parece ser tão errado. Como podem fingir estarem apaixonados, se agora não suportam a presença um do outro, se não existe confiança?

O amor e o ódio, no fim das contas, são coisas tão entremeadas que a borda afiada de um às vezes é confundida com a do outro. Ela crescera negociando o equilíbrio delicado entre ser adorada e indesejada. Não seria capaz de suportar uma vida inteira assim.

Caros leitores, eu confesso que minhas expectativas em relação a esta leitura, eram imensas, se você já conferiu a minha resenha do primeiro livro – O Duque Que Eu Conquistei, irá perceber o quanto eu amei. E começar um livro deste modo sempre oferece riscos a sua experiência de leitura. E estou falando isso, não para dizer que o livro é ruim, porque ele não é, mas para justificar o porquê de ele ter ficado abaixo daquilo que eu estava esperando.

Lady Constance é uma personagem irreverente, confortável em ser quem ela quer, andar por onde anda, ter círculos de amizades duvidosos e ainda assim, ser parte respeitada da sociedade londrina. Quando a conhecemos, notamos o quanto é mimada, impulsiva, dona de uma língua afiada e que ama mexericos. Ela sempre está se metendo onde não foi convidada, mas suas intenções são as melhores. Só que, ela acaba por se tornar uma vítima de sua própria imprudência, e o que era inofensivo, de repente está prejudicando muito mais pessoas do que ela se quer imaginava. Seu alvo era o Conde Apthorp, um homem sério, respeitável – até então -, um político engajado, mas que sempre se mostrou indiferente, distante, com discursos cansativos a ponto de ser chamado de lorde chato. Só que por trás de toda fachada austera, temos um homem de beleza extraordinária, com gostos peculiares, sensual e dono de um coração gigante. Ele ama sua família, a protege com todas as suas forças e está batalhando muito para recuperar a herança que um dia perdeu ao realizar investimentos ruins. E ele estava caminhando para conseguir, seu projeto de anos, beneficiaria muitas pessoas necessitadas, assim como o ajudaria a recuperar sua fortuna e credibilidade, e enfim, ele poderia se declarar para a mulher que sempre amou em segredo, alguém que ele sempre julgou longe de suas possibilidades, uma jovem rica, linda e de personalidade única, Lady Constance.

Era difícil assimilar a hipocrisia de uma mulher que acolhia bailarinas de ópera e ursos dançarinos em seu salão e que era, ao mesmo tempo, capaz de demonstrar a exata combinação de puritanismo e preocupação com a vida sexual alheia que obrigava pessoas como Julian a viver nas sombras.

Só que tudo cai por terra quando Julian descobre, que a própria Constance é quem estar por trás de sua ruina. Seus sentimentos entram em conflito, a razão e a emoção duelam, e antes que se dê conta, está envolvido em mais um problema, disfarçado de solução. Julian enfim está noivo de Constance, só que não da maneira que ele almejou, é um disfarce, uma maneira de recuperar sua reputação, um mês que terão que conviver como dois pombinhos perdidamente apaixonados. E é quando a convivência começa a revelar mais de ambos, facetas que até então estavam ocultas em suas máscaras sociais, trazendo à tona uma Lady insegura, com uma inteligência fiada, um humor ácido, avida por aprender, por ajudar, por ser aceitar. E um conde vulnerável, que fez escolhas erradas, com medo de se expor e ser rejeitado, com um coração gigante e muita força para lutar pelos seus. E para mim, essa inversão de papéis, foi o grande destaque da narrativa, porque aproxima o leitor dos personagens, justamente por suas personalidades verossímeis, eles erram, tentam, erram novamente, e não existe perfeição, no fim, são apenas duas almas desesperadas por se encontrarem e viverem aquilo que sempre desejaram, um grande amor.

Confira a resenha de O Duque Que Eu Conquistei

O que me incomodou de fato na história é que a achei cansativa em determinados momentos, Constance me irritou com algumas birras e a falta de diálogo. Já Julian apesar de ser apaixonante em algumas situações, em outras fica apenas na sombra da personalidade forte de Constance, parece simplesmente que ele se apaga no meio do enredo e só volta mais para o final da trama. A química entre eles também demora a surgir e ainda assim, senti ela morna, principalmente pelo fato de termos um casal que se ama há muito tempo, e, portanto, reprimiam essas emoções. Como mencionei anteriormente, temos um primeiro livro que é intrigante, envolvente, com um casal forte, e um enredo que não se perde no excesso de detalhes e nem peca pelo medo da ousadia. Já que a soma de tudo deixa um gostinho agridoce de que a história poderia ter sido mais.

O Conde Que Eu Arruinei é um romance de época, erótico, que foge dos estereótipos, ou receitas usadas até hoje na criação do gênero, o livro aborda assuntos que realmente são “tabus”, como o BDSM, a sexualidade da mulher, abuso, prostituição e mulheres a frente de seu tempo, com opiniões fortes e muito mais. É uma história cheia de encontros e desencontros, com um casal que vai aprender a duras penas que o amor é uma caixinha de surpresas, principalmente quando o mesmo é colocado com uma pecinha de teatro, encenada, e com ambos relutando para tornar o ato, um grande espetáculo real.

Fica aqui essa dica de leitura, não se afugentem pelos meus apontamentos, o livro é uma leitura gostosa e pode te conquistar. Apesar dos apontamentos que fiz, confesso que estou ansiosa para ler o terceiro volume da série – O Lorde Que Eu Abandonei -, o que só reforça o quanto eu tenho gostado de ler as obras da autora. Tenho certeza que ainda irei me surpreender. Até a próxima! Bye.

  • The Earl I Ruined
  • Autor: Scarlett Peckhan
  • Tradução: Livia de Almeida
  • Ano: 2021
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 288
  • Amazon

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