Dan Sharp é um romancista britânico de sucesso, famoso por inventar suas histórias sobre guerras marítimas, dessa vez ele irá voltar no tempo para falar de uma história real (para a ficção). Apaixonado pelo mar, Sharp irá entrar de cabeça no Mistério da Pedra da Donzela, a lenda, real, sobre o sumiço de três faroleiros na mesma noite de 1972.

Os três sumiram do mesmo farol, localizado na Cornualha, os indícios do desaparecimento eram os mais intrigantes possíveis. A porta do farol estava fechado por dentro, a noite trazia relatos de estranhos acontecimentos perto do local, todos os relógios do lugar estavam parados, travados no mesmo horário e algumas outras coisas que contribuíam para o mistério perdurar por mais de 20 anos, quando, em 1992, Dan resolve desenvolver uma de suas obras exatamente sobre este assunto.

O escritor vai atrás das esposas dos faroleiros e cada uma delas narra, em forma de relatos dados ao escritor, o que lembram da época, falam sobre suas suspeitas, sobre o que acham que aconteceu com seus maridos e as explicações que teriam sobre o ocorrido.

O Farol, de Emma Stonex, tinha tudo para ser uma obra maravilhosa, lendo a sinopse dele fiquei intrigado e ansioso para recebe-lo, mas acabou sendo uma decepção. Antes mesmo de ter o livro em minhas mão já tinha bolado minhas teorias, acreditava que algo sobrenatural pudesse ter acontecido, sim, queria que a noite tivesse engolido os faroleiros, que as ondas do mar tivessem os levado, mas não, Stonex escolhe o pior caminho para montar seu enredo e torna uma história que tinha tudo para ser épica e fabulosa, em um livro arrastado, chato e completamente desinteressante.

A obra é baseada em fatos reais, uma homenagem para os três faroleiros que sumiram no farol da ilha de Eilean Mór, na Escócia, ocorrido no longínquo ano de 1900, agindo até mesmo como uma homenagem para uma dessas grandes histórias da Cornualha.

Aliás, a Cornualha é um cenário que sempre me causa decepções literárias, incrível! Sinceramente não me lembro de um livro que se passe entre as montanhas e o mar deste canto britânico e que eu não tenha gostado, mas são vários os que não me agradaram, como A Assombração na Casa da Colina, A Criança de Fogo e até um dos livros da melhor escritora da história, Agatha Christie, em Um Mistério na Cornualha.

Mas porque isso? Porque toda essa decepção? Eu esperava um livro cheio de mistérios, que envolvesse o sobrenatural, que tivesse até mesmo abdução desses personagens, uma lenda forte, um medo constante, mas não, o que me foi entregue é um relato profundo e intenso sobre a importância e a solidão que faroleiros têm, como eles vivem, como eles guiam embarcações, de como é dura a solidão de quem passa as noites trancados no alto dos lugares mais escuros. Outro fator decepcionante foi a maneira que o escritor escolhe para narrar sua história, ela é quase epistolar, as esposas dos faroleiros são entrevistadas por ele e ele mostra somente as palavras dessas mulheres, como se elas respondessem perguntas suprimidas do leitor, deixando o ritmo extremamente chato e incomodo.

Entretanto, apesar de todo contexto da história ser bem fraca e ruim, o livro tem um final interessante, seu ápice ocorre nas últimas páginas, chegando ao clímax com a explicação do que acontecera com aqueles homens, a explicação é crível, realista até, cheia de detalhes e minúcias, mas nada que valha as mais de 300 páginas de informações sobre as luzes dos faróis da Cornualha, é muito pouco para que ele seja interessante.

Porém, se você estiver procurando um livro sobre emoções, sobre como conviver com um luto sem ter a certeza de que a pessoa amada realmente se foi, se você for morador de alguma zona litorânea e gostaria de ver algo parecido representado em um livro, ou então se você for alguma pessoa aficionada por faróis e tiver curiosidade sobre como funciona este secular recurso de ajuda, pode sim achar o livro perfeito ou até muito interessante, mas infelizmente eu queria um outro livro.

O Farol é um bom livro, que apresenta um enredo bem original, baseado em fatos reais, trazendo um escritor como personagem principal, o que eu sempre acho muito interessante, além de uma construção narrativa que poucas vezes vemos na literatura, mas, nada disso funcionou pra mim, porém pode funcionar para você que está lendo esta resenha, aliás, isso é um dos fatos que mais me atrai na literatura, não haver unanimidade sobre a qualidade de um livro, diferentes leitores, sempre terão diferentes opiniões.

  • The Lamplighters
  • Autor: Emma Stonex
  • Tradução: Carolina Selvatici
  • Ano: 2021
  • Editora: Intrinseca
  • Páginas: 352
  • Amazon

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