Stieg Larsson foi/é um grande nome da literatura mundial, ganhou notoriedade após publicar a Série Millennium, composta inicialmente por três livros; Os homens Que Não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e Rainha do Castelo de Ar, que venderam milhares de exemplares, sendo traduzidos para diversos países e ganhando até adaptações cinematográficas. Porém, o que muitos fãs do autor ou de suas obras não sabem, é que Stieg, antes de se tornar autor, era um workaholic, especialista em extrema direita da Suécia, e que trabalhava como jornalista investigativo. E dentre muitos trabalhos, acabou se dedicando a uma alucinante investigação de um caso que ganhou muita notoriedade, a morte do primeiro-ministro da Suécia, Olof Palme em fevereiro de 1986, investigação essa que o inspirou a escrever a série Millennium.

E é isso que encontramos aqui, na primeira parte do livro, Stieg como um personagem, alguém trabalhando, pesquisando, tendo contato com um pouco do que seria sua rotina, suas lutas, as coisas nas quais ele acreditava e o quanto isso ditava suas escolhas. De modo rápido, temos um contexto da vida dele.

Caros leitores! Preciso confessar que quando me deparei com este livro tinha em mente algo bem diferente do que me foi apresentado. Sim, eu sabia que se tratava de uma obra de não-ficção, baseada em um caso real, mas me enganei quanto a profundidade que o autor mergulharia na investigação do caso que tinha mais de trinta anos, e que segue sem resolução até hoje. Foi surpreendente descobrir que Jan Stocklassa não iniciou a escrita deste livro pensando no caso Palme, e em entregar uma obra de jornalismo investigativo, e sim escrever sobre locais de assassinato, de que forma o local onde as pessoas moram, podem influenciar em suas vidas, e quem sabe levá-las a cometerem crimes, situação toda que era passiva de ser estudada, porém difícil de ser explicada. E foi durante seu estudo, a suas visitas a locais de crimes, que ele se deparou com um apartamento de alguém que teria participado da morte de Olof Palme, o primeiro ministro da Suécia. E ao investigar essa informação, ele se vê diante de pistas novas, que até então, não tinham sido trazidas à tona.

(…) Dois tiros na Sveavagen haviam transformado a Suécia e prejudicado a vida de uma grande quantidade de pessoas, independentemente se eram testemunhas, suspeitos ou se apenas fizeram parte da colossal investigação do caso.

Movido inicialmente pela curiosidade e até mesmo certa fascinação pela descoberta, Jan, passa a investigar o caso Palme mais atentamente, e conforme se aprofunda no caso ele se depara com novas pistas, e toma o conhecimento de que o autor Stieg Larsson teria feito também uma investigação sobre o caso e desta teria restado alguns arquivos secretos, aos quais ele terá acesso e o ajudará a traçar uma nova linha de busca, pois é a partir das informações coletadas nos arquivos de Stieg, que Jan passa a seguir seus passos, mesclando sua investigação com a dele em busca de respostas.

E é isso que encontramos na segunda parte do livro. Viagens, espionagens, entrevistas, mais de sete anos de muito trabalho. É quase como se tivéssemos acesso a diários de investigação, com pistas que não te levam a lugar nenhum, e mais pistas que ajudam a montar um gigante quebra-cabeça da vida real. E tudo isso estruturado como algo que se assemelha a um romance policial, com muitas referências históricas.

Cada vez que eu tentava entender uma nova parte da teoria de Stieg, chegava a um beco sem saída, mas também descobria algo novo, o que fazia valer uma nova tentativa.

Eu confesso que ainda estou atordoada, O Homem Que Brincava Com Fogo, entrega uma investigação complicada, tensa, com muitas informações, suspeitos e teorias, de maneira prática, resumida, fluída para o leitor comum ser capaz de compreender. O livro todo parece um filme de conspiração, mas é vida real, é nos deparamos com intrigas políticas, conspirações, contradições, assassinatos encomendados – sim, estamos falando de mercenários da vida real, de assassinos profissionais e serviços secretos. E isso é assustador e ao mesmo tempo intrigante. Olof Palme foi um homem de opiniões políticas fortes, seus posicionamentos e tudo que ele defendia acabou colocando um alvo em suas costas e aqui esmiuçamos isso.

É importante frisar que o autor deixa claro para onde toda sua investigação o levou, que ele chegou a uma conclusão… E olha, é de roubar o fôlego.

Mesmo com tudo que já mencionei aqui, ainda preciso acrescentar, que eu não acredito que o livro irá agradar a todos os leitores. A obra fala muito de política, e quando falo muito, estou realmente querendo dizer isso. Temos várias informações sobre extrema direita, esquerda, acordos, grupos rivais, movimentos, personagens ou melhor, pessoas que lutavam, faziam parte de tudo isso. E a investigação acaba ficando quase que como norteador e não como foco principal. É realmente uma chuva de informações e, portanto, por mais que os capítulos sejam curtinhos e rápidos de ler, a leitura pode se tornar cansativa, perigando se tornar chata, se o assunto não for algo que te atrai. Mas de modo geral é uma obra interessante, e rica de conhecimento.

  • Stieg Larssons Arkiv
  • Autor: Jan Stocklassa
  • Tradução: Fernanda Akesson
  • Ano: 2021
  • Editora: Verus
  • Páginas: 420
  • Amazon

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