Ainda fico perplexa com a quantidade de livros disponíveis que retratam um dos piores momentos da humidade – a Segunda Guerra Mundial. Me sinto assim pois já li dezenas de livros sobre o tema, e quando parece que um novo livro vai apresentar fatos que eu já havia lido, ou já tinha um pouco conhecimento, sou surpreendida com uma faceta nova desse horror. Em O Último Trem Para Londres fui duplamente surpreendida. Primeiro por conta da história em si, que conto um pouco mais abaixo, e em segundo por descobrir que trata-se de um livro que mescla ficção com não-ficção. Nunca tinha lido nada assim, e gostei muito da forma que a autora escolheu para contar essa história. Alguns personagens são reais, outros não. Assim com partes da história em si.

Stephan Neuman é um jovem de 15 anos, que é judeu, e tem uma vida privilegiada. Seu pai é empresário, e sua família muito rica. Moram em uma mansão, com diversos cômodos, empregados, prataria. Stephan nunca precisou se preocupar com nada na vida, e o que toma seus pensamentos diariamente, é o sonho em ser dramaturgo. As conversas dos adultos sobre os nazistas são longínquas, e nada que preocupe o adolescente. A melhor amiga de Stephan é Zofie-Helene, uma linda e brilhante jovem que é filha de uma editora de um jornal contra o nazismo. Com o avanço das tropas nazistas, logo a bolha de inocência que envolve os dois, estoura, e eles se veem envolvidos nos horrores da guerra.

Geertruida Wijsmuller-Meijer, mais conhecida como Truss Wijsmuller, foi uma ferrenha lutadora da resistência holandesa. Mulher de muita fibra e garra, via dia após dia seu maior sonho não se concretizar – o de ser mãe. Usou todo o seu amor materno para salvar outras milhares de crianças. Expunha-se em viagens de trem, levando crianças de zonas de conflito até centros de refúgios. Além disso, precisava negociar (implorar) com autoridades, para que disponibilizassem mais vagas, pois a medida que a guerra avançou, a situação ficou crítica, e muitas crianças foram deixadas para trás.

A terceira perspectiva que nos conta esta história é a de Adolf Eichmann. Gostaria de ter lido que esse personagem havia sido criado, mas não. Eichmann foi um oficial nazista, com todo peso que isso representa. Não tinha compaixão, pelo contrário, era cruel e não sentia remorso nenhum em mandar diversas pessoas para campos de concentração. Ao final da guerra ele foi capturado, e estava sob custódia dos EUA quando conseguiu fugir. Viveu na Argentina sob o pseudônimo Ricardo Klement, até os anos 60, quando foi capturado e julgado pelas autoridades Israelenses. Em dezembro de 1961 foi considerado culpado, em 31/05/1961 foi enforcado e teve suas cinzas jogados ao mar – algo muito bacana de ser feito, na minha opinião, para uma pessoa como ele.

No início da narrativa precisamos ficar bem atentos aos detalhes. As três perspectivas são contadas de forma intercalada, de modo que muita informação desconexa aparece. Com o passar dos capítulos, fiquei igualmente interessada pelas histórias, e foi impossível ficar chateada cada vez que passávamos a acompanhar uma nova narrativa. A desconexão logo desaparece, e tudo faz sentido e ambos convergem para um ponto em comum. Os personagens vão crescendo e tomando grandes proporções – para o bem ou para o mal.

Achei de uma maestria incrível a forma como 30Meg Waite Clayton escolheu nos contar essa história. Imaginei que não fosse gostar dessa mescla de ficção e não-ficção, mas favoritei esse livro. Ficou entre os meus favoritos na temática de Segunda Guerra. O final é extremamente emocionante, e de cortar o coração em vários momentos – como era de esperar. Leitura mais que recomenda, diria até que  obrigatória para quem gosta dessa temática!

  • The Last Train to London
  • Autor: Meg Waite Clayton
  • Tradução: Isabella Pacheco
  • Ano: 2021
  • Editora: Harper Collins Brasil
  • Páginas: 448
  • Amazon

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