Criado
por:
Lisa Joy e Jonathan Nolan

Com: Evan Rachel Wood; Jeffrey
Wright; Ed Harris; Thandie Newton; James Marsden; Anthony Hopkins; Jimmi
Simpson; Ben Barnes; Angela Sarafyan; Rodrigo Santoro
Gênero:
Ficção Científica; Suspense; Drama
Duração:
10 Episódios – 60 Minutos

Durante
os primeiros meses do ano, enquanto o mundo se preparava para retomar todas as
intrigas e mistérios de Westeros, os olhares curiosos, aguçados e ansiosos que
passavam pelos sete reinos eram recompensados por um vídeo misterioso e
intrigante, estrategicamente posicionado antes do início de nossa amada e
famosa série. Conforme a sexta temporada de Game of Thrones (resenha aqui) ia se desenrolando,
éramos devidamente apresentados a um novo mundo, novas possibilidades, a
promessa de algo grandioso. Foi com o fim de Game of Thrones que descobrimos o
começo de Westworld.
Lançada
em outubro de 2016 pela poderosa HBO, Westworld é uma série inspirada no filme
de mesmo nome, lançado em 1973. Em sua primeira temporada a história é
desenvolvida ao longo de dez episódios, com duração de uma hora cada – com a
maravilhosa exceção do episódio final, prolongado para uma hora e meia. A
série, que conta com a produção de J.J. Abrams e um elenco de peso, integra
ficção científica, velho oeste e muitas teorias. Aqui os pequenos detalhes e o
plano geral se complementam para fisgar, maravilhar e intrigar cada espectador.
Westworld, porém, é maior, vai muito além do título escolhido para o seriado, ele é o início de
tudo – em todos os sentidos, se é que você me entende – este é o nome dado ao
parque temático criado por Ford (Anthony Hopkins) e seu sócio Arnold.
Nesta nova terra, dentro de seus domínios devidamente controlados, neste parque de possibilidades, visitantes de todas as idades e de todos os lugares podem
vivenciar, experimentar, desfrutar o Velho Oeste, além de se conectarem ou
descobrirem quem verdadeiramente são, qual é sua verdadeira essência. O parque se estende por quilômetros. Nele
encontramos narrativas inteiras, pensadas, elaboradas, modificadas e repaginadas
para que cada visitante seja capaz de aproveitar sua estadia da forma que preferir,
e quem demarca essas narrativas, quem as encena e segue com um mínimo de
improvisações são os Anfitriões, robôs projetados pelos criadores para viver
dentro do parque e garantir a diversão de seres humanos que buscam algo mais real do que a própria realidade.
Westworld
era o sonho de Ford e Arnold, seu projeto e plano, a criação de suas vidas, algo além da imaginação, poderoso e único. Dentro do
parque a dupla possuía controle, criou vida, brincou de líder de tudo, Deus, foi além. Seus
robôs são capazes de agir como nós, pensar e seguir caminhos que nós também
podemos trilhar, porém não são humanos, não possuem a consciência que possuímos
e caso algo aconteça, sempre é possível reiniciar, apagar memórias, modificar.

Com o passar dos anos, porém, como todo ser vivo seguindo as forças da natureza, as coisas mudam, se transformam. Uma nova colaboradora (Delos) se une ao projeto e assume o controle de grande parte do que acontece nos bastidores, Arnold se transforma em um mistério e
Ford assume o controle do processo criativo, das narrativas, da criação de
novos anfitriões para o parque. Porém, no momento em que somos apresentados a
história, algo começa a surgir na superfície, a princípio tão calma, deste reino de sonhos.
Anfitriões
começam a ter surtos, alguns fogem totalmente de suas narrativas, outros vagam
sem motivo pelo parque e casos específicos são quase um perigo para os
visitantes. Mas dentre tantos defeitos, começamos a enxergar algumas fagulhas,
algo mais, uma pequena parcela de razão e sentido dentro da promessa de caos que se espalha. A principal responsável por nos inserir neste enigma, aquela que irá nos direcionar pelo
labirinto de histórias, segredos e teorias é Dolores (Evan Rachel Wood), uma
das mais antigas, a primeira de muitos. Dolores é uma das robôs mais antigas do parque, e aquela capaz de nos esclarecer, encantar, conduzir pelo vale de teorias que nos cerca.
Westworld
é instigante, intrigante, curiosamente bela, dramática, repleta de suspense e
muito bem amarrada. Por incrível que pareça, e por mais absurdo que isso soe, até mesmo as pontas soltas guardam segredos, teorias e elementos capazes de nos confundir, ou apenas prometer algo para a próxima temporada. 
Teorias surgem a cada novo episódio, informações novas
mudam nossa visão do todo, pequenos detalhes atiçam nossa imaginação e fazem
com que o impossível seja razoavelmente e perfeitamente possível, porém a
sacada de gênio está no fato de que tudo o que precisamos saber está diante de
nossos olhos. Cada informação, história, cenas e personagens só farão
sentido no momento em que o maior segredo for revelado. No momento em que
conhecemos o contexto, no momento em que nossa visão se acostuma, conhece o
painel geral, seremos capazes de compreender tudo aquilo que vimos ao longo de
dez episódios, e ainda elevar as possibilidades para um plano maior e muito
mais complexo e caótico.
Com
uma narrativa maravilhosa, não se espera menos de todo o resto. A fotografia é
certeira. O visual, as paisagens, as cenas são maravilhosas, de tirar o fôlego.
A trilha sonora nos conduz e transporta, nos prende com suas belas garras e
mostra a beleza de nossa prisão. Mas é o elenco
que rouba a cena.
Certamente cada ator e atriz realiza um trabalho maravilhoso ao longo do seriado, afinal, estamos falando de uma história com Anthony Hopkins no meio, porém duas atrizes brilham mais forte, e seria sacrilégio não comentar sobre as duas nesta resenha. 
Evan
Rachel Wood
encarna uma anfitriã humana, um ser perdido entre o mundo real e o
imaginário. Sua atuação está impecável, belíssima. É impossível não se
emocionar quando Dolores chora, não sentir raiva ou desespero quando algo lhe aflige, não
sentir curiosidade quando ela descobre algo novo, não se encantar pela personagem.
A atriz consegue se mostrar tanto robô quanto humana, suas feições, movimentos,
olhares, são únicos. 
Mas para arrematar, e ela não poderia deixar de ser
destacada, temos Thandie Newton. Sua atuação surpreende, assusta, nos mostra a
força e a sutileza, o medo e a coragem, o rosto de uma líder. Assim como Evan,
Thandie transita lindamente pelo lado robô e o lado humano de Maeve. Seria
impossível, falar sobre as atuações e não destacar as duas atrizes.
A
segunda temporada de Westworld está programada para 2018, porém o que pode ser
uma tortura para aqueles que se apaixonaram pela história e por tantos
personagens queridos, também surge no horizonte com diversas possibilidades e a
promessa de uma história ampliada, capaz de responder dúvidas que não foram
respondidas e mostrar o caos dentro de toda a incapacidade de controle. 
Com uma narrativa acertada,
segredos interligados, detalhes e assuntos inacabados, não tenho dúvidas de que
o seriado tem tudo para chegar onde hoje encontramos Game of Thrones (não me venham falar da impossibilidade de bater GoT quando Westworld está apenas começando). Tudo o que sei é que Dolores me levou para um caminho sem volta, me deixou no centro do labirinto, e embora não conheça o futuro que nos aguarda do lado de fora, sei que sua previsão é certeira, e irei carrega-la comigo até o fim.


rela
ciona
dos