Título Original: The Goal: An Off Campus Novel
Autor: Richard Kelly
 Ano: 2016
Editora: Darkside
Páginas: 254
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Você me chamaria de maluca se eu confessasse que nunca tinha ouvido falar de Donnie Darko? Porque eu só consigo me enxergar dessa forma por nunca ter visto esse filme. Ambientado nos 1980, com uma trilha sonora de arrepiar, um roteiro muito inteligente e nada pretensioso, meu lado cinéfilo está chocado por eu não ter visto esse filme antes. 
Antes de ler o livro, eu assisti ao filme. Afinal, o tradutor Antônio Tibau já começa falando que quem já viu, provavelmente, “não viu direito”. Imagina eu? E foi vendo ao filme que algumas peças começaram a se encaixar em relação ao livro. O marcador de avião, o coelho, 28:06:42:12 e padrões psicodélicos que compõem o trabalho editorial de Christiano Menezes passaram a fazer todo o sentido. Mas já fica avisado que Donnie Darko não é nem de longe um filme que traz soluções óbvias e muito menos você encontra todas as respostas nesse livro. 
Donnie Darko (Jake Gyllenhaal) é um jovem problemático que está no colégio, apesar de ter uma base familiar e condições financeiras boas. Além de acordar em lugares estranhos, o menino passa a ter encontros noturnos com um coelho gigante bastante bizarro. Frank, o coelho, profetiza que o final do mundo está próximo e vai acontecer em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. A partir daí, Donnie passa a fazer tudo o que Frank manda fazer. Inclusive, influenciado pelo coelho, ele passa a investigar sobre teorias de viagem no tempo.

“Bem… talvez alguém esteja tipo… te dando uns remédios para sonhar. E o sonambulismo… seja alguém te mostrando o caminho.” – Gretchen (Jena Malone)


Apesar desse coelho tenebroso, acredito que tenha assombrado muitos sonhos das crianças dos anos 2000, eu não senti medo de verdade durante o filme. Ele é tão denso e trata de tantas questões que nem dá tempo de ficar com medinho. Já nos primeiros minutos do filme minha cabeça começou a rodar querendo entender o que estava acontecendo. Também não se trata de um filme realmente difícil, ele só exige atenção do expectador. 
Richard Kelly, autor e diretor do filme, fez um trabalho incrível com essa história. Quando você se permite enxergar além da excentricidade é possível ver temáticas muito pertinentes, como a ideia de destino/livre arbítrio e a noção de “mundo real”. Além de ter todo os conflitos típicos do universo adolescente. Fica até complicado tentar listar tudo o que o expectador pode tirar desse filme, porque o próprio criador fez questão de construir um filme onde cada pessoa possa ter a sua própria teoria. Todos os personagens foram muito bem construídos e o roteiro foi construído de maneira que você realmente conhece cada um deles através de aprofundamento subjetivo (não sei se isso faz sentido). O ponto que eu quero chegar é que a possibilidade de debates sobre o filme se torna praticamente infinita. 
Na edição da Darkside, além de uma introdução feita pelo tradutor, temos um prefácio do ator Jake Gyllenhaal. Ele questiona a nossa cultura de passividade e a importância de questionarmos, e como o próprio personagem dele diz, “para mudar as coisas”. E antes de chegar ao roteiro original, o leitor encontra uma entrevista feita por Kevin Conroy Scott com o idealizador de tudo isso, Richard Kelly. Então, não espere que o diretor revele todas as respostas nessa entrevista. Mas é possível conhecer mais sobre ele. Desde sua infância até suas influências, como Stephen King. A trajetória e formação no cinema até as dificuldades e um pouco dos bastidores do filme.

“Diziam: “Esqueça. Não vai rolar. Vocês são jovens demais. Você não se parece com um diretor”. Você precisa lidar com isso e seguir em frente até a próxima reunião.”

Ao meu ver, um dos pontos mais interessantes da entrevista é quando ele revela que o filme que é independente sofreu preconceito entre os independentes. Só porque ele conseguiu criar algo que saiu dos padrões normalmente relacionados a filmes dessa categoria trazendo atores conhecidos, como Drew Barrymore, e até efeitos especiais. Também fiquei impressionada em saber que ele só tinha 25 anos quando dirigiu o filme! E temos aí mais um ponto de discussão, as dificuldades de ser levado a sério no mercado cinematográfico com tão pouca idade. 
Eu poderia ficar horas aqui conversando com você sobre esse filme, esse livro e todas as teorias que eu criei. Eu poderia fazer um texto inteiro falando só sobre as personagens femininas dessa história! E outro sobre a trilha sonora… Não é atoa que esse filme tem um fandom tão forte. 
No final do livro ainda é possível encontrar outro “livro”. A Filosofia da Viagem no Tempo foi escrito por Roberta Sparrow, personagem do filme conhecida popularmente entre os jovens da cidade como Vovó Morte. Esse livro ajudou Donnie a entender o que estava acontecendo e, talvez nessa parte, seja possível encontrar algumas respostas. Mesmo assim, o que aprendemos com Donni Darko é que nada é absoluto. Então, sempre questione!


Confira a crítica do filme:

1.Donnie Darko

rela
ciona
dos