Título Original: Behind The Bars
Autora: Brittainy C. Cherry
Tradução: Natalie Gerhardt
Ano: 2018
Editora: Record
Páginas: 349
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Jasmine é uma jovem de dezesseis anos que sonha em poder viver uma vida “normal”, como ir à escola, ter amigos, lazer. O problema é que sua mãe projeta seus sonhos nela, deposita sobre ela a responsabilidade de ser o que ela mesmo não conseguiu ser e sendo assim, a enche de compromissos, ensaios, aulas de dança e teatro, tudo para transformá-la em uma grande estrela do POP, porém nada parece bom o suficiente, e a reprovação sempre vem em forma de “falso” apoio e incentivo, tirando da jovem seu direito de opinar e escolher o que fazer da própria vida.
Mas nem todas as batalhas estão perdidas, uma em especial ela venceu. Poder frequentar uma escola regular, ter aulas como os demais jovens. Linda, sorridente, dona de um coração nobre e muito talentosa, não demora para que Jasmine seja rotulada/aceita no grupo dos populares. Entretanto, quanto mais conhece seus colegas, mais decepcionada e indiferente se torna, não há nada em comum com aquelas pessoas cruéis e repulsivas, e tudo perderia a graça e sentido, se não fosse pelo jovem desajustado e tímido, Elliott.

“(…) A música não é algo que você vê, e sim algo que você, sente. Música não vê cores. Ela transcende estereótipos. Você vai ser a maior cantora de soul que a humanidade já viu.”

Elliott sabe o quanto a vida pode ser difícil, o quanto ser “diferente”, fora dos padrões que se espera e tímido, podem o tornar alvo de constantes ataques de bullying por aqueles que se julgam superiores e melhores. Mas, ele pode lidar com isso, está acostumado com as agressões, físicas e emocionais, e tenta não permitir que isso defina quem ele é. Mora com a mãe e a irmã, duas pessoas maravilhosas que fazem o possível para vê-lo bem, e ainda tem o tio TJ, seu mentor, a pessoa que consegue extrair dele o seu melhor quando o assunto é a música, um homem honrado, gentil e que adotou a família de Elli como se fosse sua. E então, apareceu Jasmine, com sua beleza exuberante, alguém que enxergava além de sua aparência física, com gostos parecidos, com quem pode compartilhar sonhos, objetivos e descobrir um outro aspecto da vida, que até então seguia inalcançado.
Dois jovens artistas que nutrem o sonho de viverem de sua arte, da música, daquilo que mais amam. Jovens de alma pura, gentis, mas que reconhecem um no outro as tristezas de algumas batalhas perdidas ao longo do caminho. Que amargam ataques por não serem como todos os demais, por não se enquadrarem naquilo que está sendo imposto, por não se renderem a um bando de jovens egoístas, egocêntricos e mesquinhos. Porém, engana-se quem pensa que os vilões são apenas os que estão na escola. A verdade, é que quando se trata de obstáculos, as pedras que se levantam na frente desses dois são muitas.
Jasmine ama cantar Soul e por mais que se veja oprimida, lá no fundo de seu coração guarda com carinho suas vontades e ao se deparar com Elliott e seu talento com o Jazz, o encontro de suas almas acontece. Eles se apoiam, reconhecem um no outro a verdadeira paixão pela música, a verdade, é que não se trata apenas de melodias, arranjos e harmonia, a música para eles é o derramar da alma, é dar voz aos sentimentos mais obscuros, impulsivos, crus e sinceros que possuem. E estarem perto faz com que essa paixão cresça mais a cada dia. O problema é que nem todo munda fica feliz com essa aproximação. E é aí que a vida desses jovens muda completamente.

Hoje seria muito fácil me perder em meio as palavras que borbulham em minha mente, mas que não encontram a forma perfeita de sair. Gostaria que apenas postar a foto do livro com um grande LEIA fosse o suficiente para te convencer a mergulhar nessa história, porque sério, eu posso dar o meu melhor, mas nada será suficiente para expressar o quão tocante, sensível e intensa é essa obra.

No Ritmo do Amor é o tipo de história que te tira da zona de conforto, que quebra teu coração, que te faz desejar mergulhar nas páginas do livro apenas para poder consolar os personagens. É um livro que fala de força, de superação, de perdão, de recomeços, de cura. De se levantar após uma queda tão brutal, que tudo que você consegue enxergar é escuridão. Sobre culpa, alicerces, relações familiares e amizade. Sobre o valor do amor. Mas também é um livro que te faz refletir sobre o tipo de pessoas que estamos criando, quais os valores que estão sendo passados, sobre intolerância, raiva, desprezo, ódio gratuito e crueldade. É leitores, ele vai das lágrimas ao riso em um virar de página, te emociona e encanta na mesma proporção, e sem misericórdia nenhuma te quebra, mas não se preocupe, porque ele também te refaz.

Ninguém consegue se curar se ficar fingindo que os machucados não existem.

Dividido em duas partes, No Ritmo do Amor nos apresenta no primeiro momento dois jovens que se conhecem, se reconhecem, e por um período de tempo compartilham sonhos, anseios, receios e lutas. Mas que infelizmente serão afastados. E é justamente nesse intervalo de tempo que algo muito… não sei nem como descrever, porque infelizmente é tão real, tão dolorosamente difícil de aceitar, que já me sinto de olhos lacrimejantes e garganta apertada, mas que acontece e muda completamente um desses jovens. Enquanto que o outro também não fica atrás, ainda que lide de maneira diferente e se mostre mais otimista em relação a vida, as marcas, os traumas, ainda estão lá enraizados. E então chegamos a segunda parte, que irei chamar de reencontro, talvez de segunda-chance, ou melhor, de cura, e é difícil não sensibilizar, sentir, arrepiar, porque nada é como antes e o que eles precisarão enfrentar, parece muito pior, porque são eles mesmos.

Odeio me sentir amarrada e não poder compartilhar com exatidão os fatos. Mas espero de coração ter transmitido um pouco do quão grandiosa e linda é essa obra. Podem confiar, a sinopse chega a ser simplista em relação ao turbilhão de emoções que encontramos por aqui. Por isso fica aqui meu apelo, se puder dar uma chance ao livro, dê. Leia, vai te tocar de alguma forma.

Brittainy tem essa característica em sua escrita, ela gosta de pegar nossas emoções e triturar, de nos fazer questionar a sociedade, os comportamentos humanos, as relações familiares. Ela tende a ser ousada nos temas, na maneira como desenvolve seus enredos e crias seus personagens. E isso é o que mais amo em sua narrativa. Ela sabe como nos envolver, por mais denso, tenso que seja o momento, ainda temos uma sensibilidade, uma maneira muito sutil, verossímil e realista, não há perfeição, ilusão, é cru, visceral, palpável e, portanto, emocionante. Além de sempre surpreender, não pegar atalhos, de ter aquelas reviravoltas que nos rouba o fôlego e nos deixa assim, de coração transbordando, angustiado, mas feliz.
Eu nuca mais verei Nova Orleans como antes, assim como Soul e Jazz, existem muitas referências ao longo das páginas e foi incrível conhecer esse universo. Amei! E antes de ir embora, preciso fazer uma menção a essa capa que têm tudo a ver com uma cena do livro. Preciso deixar meus parabéns a equipe editorial da Record, edição linda, diagramação simples e impecável. Beijos, até a próxima!