Atenção! A resenha poderá conter spoilers de Elixir e Devoção.

Depois de dois livros interessantes, de fácil leitura, com uma escrita direta, história intrigante e personagens novos e velhos, finalmente chegamos ao final desta trilogia. Nossa história começou com Elixir, com resenha aqui, onde conhecemos a personagem principal, seus medos e angústias, uma maldição e sua alma gêmea.Com o final do primeiro livro nós seguidos para a continuação, o livro Devoção, com resenha aqui. Neste livro, no ponto alto da trilogia (na minha humilde opinião), conhecemos a história do Elixir, detalhes sobre todas as pessoas afetadas pelo líquido e a maldição que se estendia por gerações e gerações. Por fim chegamos a True, o final tão esperado desta trilogia e para mim, o ponto
baixo da série.

Acompanhamos os acontecimentos e consequências da destruição do Elixir da Vida, nos deparamos com uma situação inusitada, onde a alma de Sage, por sorte ou talvez por força do destino, não é destruída junto ao Elixir, ela foi capaz de se realocar em outro corpo. Nos outros dois livros nós recebemos a informação de que quando o Elixir fosse destruído, a alma de Sage teria uma segunda chance. Caso ele encontrasse um corpo sem alma, morto e vazio, sua alma poderia viver neste novo receptáculo, e é isso o que acontece, mas ninguém esperava que Sage se “mudasse” para o corpo de Nico, namorado de Raina, a melhor amiga de Clea.
A mudança de corpos, onde uma alma deixa seu antigo corpo e se instala em outro pode ser traumatizante, o novo corpo pode rejeitar a nova alma, da mesma forma que rejeita um novo membro ou órgão. Sage se encontra nesse estado, o corpo de Nico não o aceita, ele passa por momentos de grande luta interna em que tenta controlar a si mesmo. Sua adaptação não é fácil, o que o torna perigoso e agressivo. E este novo livro se baseia neste ponto, na adaptação e transformação de Sage, em como a mudança de corpos não deu certo e na busca por respostas, por maneiras de permitir que o corpo de Nico aceite a alma de Sage.
Durante minha resenha de Dezessete Luas, eu comentei que sempre achei, e hoje tenho quase certeza, que os livros mais difíceis de escrever são o segundo livro de uma série e o último. Acredito que o último livro de uma série deve ser capaz de responder todas, ou pelo menos a maioria das perguntas. Os detalhes, personagens, e histórias paralelas não podem simplesmente desaparecer num passe de mágica, eles estavam lá durante a história, fizeram parte e tiveram importância, por isso acredito que o leitor merece respostas, mesmo que estas respostas não sejam agradáveis ou cobertas por purpurina. Esse não foi o caso de True, onde as autoras simplesmente ignoraram diversos aspectos, acontecimentos e personagens dos outros livros e não nos trouxeram qualquer informação. Se esse fosse o único aspecto que me deixou decepcionada com o livro, eu teria sem problema algum, dado uma nota três, da mesma forma que fiz com os outros dois.
A todo momento me perguntava o que havia acontecido com a menina Amélia, o que aconteceu com os grupos Vingança Maldita e Redentores da Vida Eterna, o que aconteceu com todas aquelas pessoas que foram também amaldiçoadas pelo Elixir. Me perguntava, se esse era realmente o rumo que a história deveria tomar, se toda aquela guinada, aquelas surpresas do final de Devoção, as histórias de todos aqueles personagens mereciam um final tão simples e previsível, que por sinal não possui nada de fascinante, pelo menos para essa pessoa que escreve essa resenha.
Nesta continuação nós observamos os acontecimentos sobre os olhos de Clea e de Raina, com capítulos intercalados para que possamos entender um pouco do que se passa na mente dessas duas amigas. Eu não tenho nada contra essa estratégia, acho bem interessante poder observar a história pelos olhos de outros personagens, conhecer seus sentimentos e seus medos, mas no caso desse livro, me pareceu apenas uma forma de tentar diversificar, tentar trazer mais recheio para a história. Tem motivo para a utilização desta estratégia? Sim, um motivo importante por sinal. Mas para mim ficou meio forçado, até porque faltaram algumas informações, as descrições continuam muito breves e isso atrapalhou um pouco a minha leitura.
No final das contas a história é boa? Sim, ela é uma história boa, com pontos altos e outros muito baixos, não é uma história totalmente nova, que te deixa de queixo caído, mas é válida para aqueles momentos em que não queremos ler nada muito complexo, diferente ou audacioso, uma história para nos fazer passar o tempo. Os dois primeiros livros criaram diversas histórias e detalhes, eles proporcionaram uma montanha de oportunidades que não foram escolhidas, e pior, eu tive a leve sensação de que elas foram simplesmente descartadas. O simples fato de que o último livro se volta para a adaptação e o que deu errado na troca de corpos já me provou isso.
Sei que algumas pessoas (eu dei uma olhadinha nas resenhas do Skoob) gostaram do final, e deste último livro. Mas eu, como leitora crítica, chata e rabugenta, hahaha, esperava por mais, e por todos os motivos citados, dou apenas um “Okay”, nada mais do que uma nota dois para o livro.

Porque as coisas mais importantes da vida… são eternas.

  • True
  • Autor: Hilary Duff, Elise Allen
  • Tradução: Otávio Albuquerque
  • Ano: 2013
  • Editora: iD
  • Amazon

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