Em uma viagem a Southampton com a mãe, Charlie St. Clair, uma jovem universitária americana, decide fugir para Londres em busca de encontrar sua prima que desapareceu na França. Em Londres, Charlie conhece Eve Gardiner, uma senhora que foi espiã da Rede de Alice durante a invasão nazista na França e que guarda profundas marcas, físicas e psicológicas, desse período.

Charlie e Eve são duas mulheres bem diferentes, mas que possuem uma característica em comum, ambas são consideradas à frente de seu tempo. Quando a vida dessas duas mulheres se cruzam e o passado delas se entrelaçam, alguns segredos dolorosos são revelados.

A Rede de Alice é um romance histórico envolvente sobre perdas, culpa, união e empoderamento feminino. Através da obra nós conhecemos uma rede de espionagem formado durante a Primeira Guerra Mundial, que ficou conhecida com A Rede de Alice, e que teve um papel fundamental no repasse de informações a Inglaterra, mesmo sendo desacreditado e alvo de ataques machistas.

Eles pareceram surpresos. Eu estava acostumada àquele olhar. Ninguém acredita que garotas sabem fazer contas, muito menos de cabeça, mesmo contas fáceis como aquela.

A escrita da autora foi bastante importante na minha ligação e envolvimento com o livro. Além de possuir uma narrativa bem fluída, Kate Quinn, autora da obra, mistura muito bem fatos históricos à ficção, como no caso dos personagens que foram inspirados em pessoas importantes na espionagem da Rede de Alice.

Esse fator, não só torna a história tão instigante, mas também me levou a procurar conhecer mais e entender alguns fatos históricos que eu não conhecia. Alguns leitores reclamaram do tamanho da obra, que possui 528 páginas, entretanto, acredito que o fato dela apresentar tantas informações relevantes e entrelaçadas tão bem, se a obra fosse menor, poderia acabar deixando algumas lacunas e confusões.

Bom, como mencionado, o foco narrativo é a Primeira Guerra Mundial e o livro nos apresenta, não apenas o sofrimento dos franceses sob a ação nazista, mas também a atuação dos próprios conterrâneos que apoiavam ou que se aproveitaram desse período. Então, nós conseguimos observar a miséria e o desespero de uma parte, e em contrapartida, a lucratividade dos oportunistas. 

Minha pequena rebelião contra a ladainha que ouvi durante toda a minha vida sobre o que era apropriado, o que era adequado, do que os garotos gostavam. Minha mãe me mandou para a faculdade para encontrar um marido, mas eu estava em busca de alguma coisa mais.

Isso é outro ponto muito interessante na história, pois é muito comum livros que abordam as grandes guerras e ocupações têm uma tendência a mostrar o viés da população abusada, explorada, em caos total. Contudo, sempre existe um outro lado da moeda, em que alguns se aproveitam do sofrimento dos outros, que prosperam e que são tão ruins quanto aqueles que causam a guerra, mas frequentemente são ignorados. 

A Rede de Alice foi trazido, inicialmente, para o Brasil pela TAG Experiências Literárias, em parceria com a editora Verus, que já lançou uma nova edição da obra com a capa original do livro que é maravilhosa. A autora possui outros romances históricos já publicados, mas, que infelizmente ainda não chegaram ao Brasil. 

Vale a pena ressaltar que A Rede de Alice foi escolhido para o clube do livro da atriz Reese Witherspoon e best-seller do New York Times e Usa Today, então se você está procurando uma leitura certeira e que vá te conquistar, pode investir no livro sem erro. Se você leu, me conta aqui o que achou. 

  • The Alice Network
  • Autor: Kate Quinn
  • Tradução: Rogério Alves
  • Ano: 2019
  • Editora: Verus
  • Páginas: 528
  • Amazon

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